#ELLEstaylocal: Castelbel, A Marca Portuguesa Que É Já Um Clássico

Dos sabonetes às velas ou ambientadores, os aromas e designs da marca são reconhecíveis em qualquer parte. Por: ELLE Portugal Imagens: © D. R.

Em Portugal, no início deste milénio, eram muitos os que acreditavam que os sabonetes tinham a sua hora contada. Por isso mesmo, eram poucas as marcas com esta oferta. Contudo, tal como os que pensavam que a chegada da televisão ditaria o fim da rádio ou que online tornaria extinto o papel, estavam errados. A Castelbel, fundada em maio de 2000 por Aquiles Barros, Jon Bresler e Jerónimo Campos, foi crescendo e, hoje, é já um clássico português.

Aquiles Barros, fundadora da Castelbel, e Marta Araújo, CEO da marca

O que te levou a criar este projeto?

Jon Bresler, proprietário da empresa cosmética Lafco, NY, pediu a Aquiles Barros (engenheiro químico) que lhe produzisse sabonetes. Aquiles Barros arranjou Jerónimo Campos como financiador. Aquiles Barros e Jon Bresler tinham-se conhecido em 1991. Aquiles Barros, afilhado do dono da Ach. Brito, Aquiles de Brito, era professor na Faculdade de Ciências do Porto em regime de exclusividade, desde 1973. Em 1991, três anos após a morte do padrinho, foi contactado por Delfim de Brito, que tinha substituído o pai na liderança da Ach. Brito, num momento em que a empresa estava em risco de fechar. Delfim pediu-lhe ajuda, e Aquiles Barros aceitou colaborar gratuitamente numa base de 2 horas diárias.

Entre 1991 e 1999, o americano Jon Bresler e Aquiles Barros foram os criadores e dinamizadores da renovada linha Claus. Em 1999, desavindo com um administrador, Aquiles Barros decidiu cessar o seu apoio à Ach. Brito; foi nessa altura que Jon Bresler o desafiou para a criação de uma empresa que lhe produzisse sabonetes para os Estados Unidos. Seis meses depois nascia a Castelbel, tendo com um único cliente a empresa Lafco NY.

Qual é a história por trás do nome?

A empresa nasceu (e continua) na Vila do Castêlo da Maia; o nome resulta da conjunção do nome da terra com beleza.

O que foi mais complicado no processo de criar uma marca?

O facto de Portugal ser muito menos reconhecido que outros países (França, Itália, …) nesta área. No entanto, tivemos uma grande vantagem sobre muitos dos nossos concorrentes. A maior parte deles não incluía sabonetes sólidos na sua oferta, um produto considerado por muitos em vias de desaparecimento. Daí que tivéssemos começado a ter clientes que nos procuravam por sermos das poucas empresas que apostavam forte nos sabonetes; e era nessa altura que tomavam consciência de que éramos bastante mais do que isso, com linhas que englobavam vários outros produtos (como velas, ambientadores, difusores de ambiente, papéis perfumados, saquetas perfumadas, cremes de mãos, loções corporais e águas de colónia) e com designs e fragrâncias fantásticos.

Qual foi a razão para nunca desistires?

Sou teimoso como um burro. Utilizando uma linguagem um pouco mais delicada, diria que a experiência de criação da Castelbel foi de tal modo entusiasmante que os muitos problemas havidos, aparentemente inultrapassáveis, acabaram por ser resolvidos com alguma naturalidade. Cito, por exemplo, o ano de 2003, quando Jon Bresler, o nosso sócio e único cliente, decidiu abandonar a Castelbel e me pediu que fechasse a fábrica. Foram seis meses horríveis, sem ninguém a quem vender sabonetes; mas tudo acabou por se resolver e, em vez do único cliente que tivemos entre 2000 e 2003, temos agora mais de 1.000, espalhados por todo o mundo. Curiosamente, em 2018, ao fim de 15 anos de separação, Jon Bresler contactou-me de novo e neste momento estamos a fazer uma pequena quantidade de sabonetes para a Lafco NY.

Qual foi o melhor momento ou história da marca até hoje?

A abertura da loja do Palácio das Artes no Porto, em 2017 (ou, talvez, a mudança para as instalações novas, em 2019). Estes são momentos mais recentes; na verdade, terá havido outros momentos com maior significado, cujo impacto na Castelbel foi muito maior. Estou a lembrar-me, por exemplo, do que aconteceu em 2008. Nessa altura, exportávamos quase 100% da nossa produção, uma vez que as vendas em Portugal eram praticamente inexistentes.

Entretanto, uma empresa americana, a Nordstrom, pediu-nos para lhes desenvolvermos uma marca, mas depois só levou 20% da produção que encomendou, tendo nós ficado com milhares de produtos em stock. Este problema, que surgiu numa altura muito grave, uma vez que estávamos com dificuldades financeiras, acabou por ser uma das melhores coisas que nos aconteceram: a marca que desenvolvemos para a Nordstrom chamava-se PORTUS CALE!

O que fizemos foi participar numa primeira feira em Portugal (Ceranor, 2008) para tentar esgotar o stock desses produtos, tendo previsto que venderíamos 50 mil euros até ao final desse ano de 2008. O que aconteceu foi tão inesperado como fantástico, com as vendas a atingirem os 300 mil euros, seis vezes superiores ao previsto. A partir de 2009, já estávamos a fazer feiras em vários outros locais (Madrid, Paris, Frankfurt, …). Quem diria que uma falha num compromisso de uma empresa americana iria ser a responsável pelo aparecimento daquela que é neste momento a nossa marca premium!

Como é que a tua marca faz a diferença?

Um design invulgarmente bonito e alusivo a símbolos portugueses; a motivação da maior parte dos nossos arautos internos. Sem esquecer as fragrâncias, que são elogiadas por toda a gente.

O que ainda falta conquistar?

Tudo aquilo que ainda não conquistámos. Refraseando, a Castelbel mantém o mesmo espírito que a levou a crescer ininterruptamente ao longo dos seus 20 anos de existência. Por exemplo, estamos a reforçar a nossa aposta nos mercados externos, e o nosso objetivo é aumentar o volume de exportações de 75% para 80%. Sem esquecer que, sendo a Castelbel uma empresa reconhecidamente inovadora, outra área que tem merecido uma atenção especial é o design, que é totalmente concebido internamente; temos atualmente sete designers em full time, duas delas contratadas já em 2020.

O que mais precisas neste momento para chegares onde queres?

Paz. E, também, sorte, algo que sempre me tem acompanhado, pela simples razão de que não passo cartão ao azar.

Quais os maiores motivos para comprar português?

O facto de sermos portugueses e sermos sérios (algo que muitos estrangeiros com crédito não precisam de ser). Se um produto disser “Made in Portugal” é preciso mostrar até à exaustão que isso é verdadeiro. Mas se disser, por exemplo, “Made in Germany”, ninguém vai verificar, embora eu conheça casos concretos em que isso foi forjado.

Diz-me outra marca/espaço português que te inspire e porquê?

Não reparo muito nos outros. Seria fácil falar em Corticeira Amorim, Grupo SONAE e outros gigantes. A minha preferência vai para o Grupo Pestana, embora não conheça muito bem a sua real dimensão e a forma como têm crescido. E é verdade, também, que têm produtos Castelbel ou Portus Cale nas casas de banho dos seus muitos hotéis e que nos convidaram para a inauguração do seu hotel número 100, numa das partes mais centrais de Nova Iorque.

_ _ _ _

#ELLEstaylocal

Apoiar e dar conhecer projetos portugueses é a missão da rubrica #ELLEstaylocal. Acreditamos que hoje é mais importante, que nunca, comprar português. É importante não deixar que marcas de qualidade se percam na espuma da pandemia.

#ELLEstaylocal: Dr. Bernard, Um Lugar Para «Ter Tempo Para Desfrutar Da Vida»