#ELLEstaylocal: Cabinet of Curiosities, A Loja Que Dá Valor A Peças Únicas

Gracinha Viterbo, a fundadora, quer que cada consumidor seja impactado com o item que escolhe. Por: ELLE Portugal Imagens: © D. R.

«Numa Era em que o facilitismo do Design para massas e as modas vêm confrontar a vontade de individualidade das pessoas, senti a necessidade de criar um lugar onde se descobre o que se procura e nunca se encontra», explica Gracinha Viterbo, fundadora da Cabinet of Curiosities. Foi assim que, em dezembro de 2016, esta loja de design de interiores ganhou vida na porta número 68 da Avenida de Nice, no Estoril. E é aí que a designer garante espaço para peças únicas, encontradas a dedo, e às quais dá um especial valor.

Cabinet of Curiosities

Gracinha Viterbo, fundadora da Cabinet of Curiosities

O que te levou a criar este projeto?

Há muito tempo que levava comigo esta ideia no bolso. E na volta a Portugal, em 2016, depois de três anos a viver e trabalhar na Ásia, onde fui implementar e consolidar a Viterbo Interior Design, voltei para um novo capítulo. O escritório e Atelier Viterbo mantiveram-se sempre baseados cá, mas senti a necessidade de uma porta aberta ao publico, de partilha, de diálogo direto e conexão, não só com as mãos portuguesas, como Portugal. Talvez por ter voltado e quando se volta vem-se com sede e fome do que é nosso, mas também porque gosto de mudança na viragem de capítulos. O Cabinet é a Gracinha Viterbo nas várias facetas que tem, hoje. Cheguei em 2016 e conheci um Portugal muito diferente. Tinha vontade de redescobrir Portugal e Portugal redescobrir-me a mim, aqui.

Voltei com uma caixa cheia de aprendizagens, sabedoria, consolidação, mas também libertação e novos horizontes e inspirações. Criei o Cabinet para ter uma ponte direta com o público e quem, como eu, gosta de encontrar a diferença através da estética, do lifestyle e de outras experiências especiais que incitam à vida e a vivê-la em pleno. O Cabinet é muito mais que uma loja. É um lugar de partilha, de descoberta de si próprio, de desafio constante a quem nos vem visitar e quem lá trabalha… É um lugar onde, através de objetos ou projetos que nos peçam, criam-se identidades mais autênticas e melhores versões de si próprios. É sair de lá igual, mas, no fundo, um pouco mais do que quando se entrou.

O Cabinet of Curiosities dispõe desde objetos a projetos para quem queira aconselhamentos específicos ou mais do que dar um presente ou só levar algo especial para casa. Pode se comprar um postal, flores, levar um móvel, uma cadeira, perfumes de casa em formato de cristais ambientadores com cheiros espetaculares como Figo de Índia, escolher tecidos selecionados ao metro ou forrar uma sala inteira de papéis de paredes especiais, pintar a casa com tintas ecológicas de alta qualidade ou ter algo desenhado e executado pelos artesãos Viterbo ou aqueles artesãos e artistas com quem colaboro e seleciono para estarem ali. Há peças do mundo inteiro, mas sobretudo, no Cabinet, celebra-se o português. O nosso contacto de cinco décadas com variadíssimos artesãos nacionais juntou se à missão do Cabinet de dar palco, não só a mestres das suas artes de norte a sul, mas também a toda uma nova geração de artesãos que fazem reviver o nosso artesanato, design e artes decorativas no século XXI. É um lugar para nos perdermos e nos reencontrar-mos. O tempo não mora ali.

Qual é a história por trás do nome?

A vida não cabe nas fotografias e, felizmente, ultrapassa em muito as redes sociais. A ideia de um Cabinet of Curiosities evoca imediatamente o sabor do longínquo e o saber do mundo, transporta-nos de rajada para o fascínio do exótico que se vivia num tempo em que a globalização era uma utopia e que cada objeto trazido de longe era um tesouro. Leva-nos também diretos ao colecionismo, com um cheirinho a Proust ou a Baudelaire, a Chinoiserie ou japonismo, a gravuras de botânica e a borboletas espetadas com alfinetes.

Numa Era onde o facilitismo do Design para massas e modas vem confrontar a vontade de individualidade das pessoas, senti a necessidade de criar um lugar onde se descobre o que se procura e nunca se encontra. Onde vendo peças únicas, em pares ou em números limitados, e onde o que se leva ou se oferece poderá mudar alguém. Cada humano é único e ali quero voltar a dar valor a isso através do valor do feito à mão, do encontrado a dedo, peça a peça. Também ali, os clientes sentem-se únicos, com serviço especializado mas livres também. Podem tocar, explorar e ter conversas sobre as peças e oiço dizer que a experiência do Cabinet transforma-lhes o seu dia. Espero que, ao levarem algo, haja impacto na sua vida também.

O que foi mais complicado no processo de criar um espaço?

Criar o espaço não foi complicado e fluiu mais do que jamais tinha pensado. Dá-me gozo que seja um lugar que ainda esteja constantemente a ser descoberto, como se fosse novo, porque realmente a sua transformação constante o faz ser assim. O mais desafiante foi talvez, recentemente, com esta nova realidade da covid-19, termos decidido fazer uma e-shop, que foi lançada há poucas semanas e faz shipping para Portugal continental, ilhas e mundialmente. Espero que evolua de forma tão interessante como a loja física.

Qual foi a razão para nunca desistires?

Desistir é uma palavra que não existe no meu vocabulário. Tenho quatro filhos e uma das coisas que ser mãe me transformou é no positivismo, na educação progressiva e positiva. Não se fala em desistir, substitui-se por “reinventar”. Eu não desisto quando chego a um beco sem saída: reinvento. Acredito no “poder do ainda” e que, na vida, sim, há momentos em que ainda não estamos preparados para fazer algo, mas é só “ainda”. Nunca digo negativos definitivos. Digo: não percebo isto ainda, não vou poder fazer isto ainda, porque, se pusermos ainda no fim das frases negativas, abrimos uma porta de possibilidades infinitas de outros caminhos para la chegar. Reinventamos uma nova realidade. Agora a palavra “desisto”? Não a sei pronunciar.

Qual foi o melhor momento ou história do espaço até hoje?

Penso que temos vários momentos importantes da nossa marca. Os mais marcantes foram sempre os em que aceitamos desafios novos , levando Portugal connosco sempre através das nossas equipas de artesãos, designers e colaboradores. Trabalhamos em África, Ásia, Brasil ou outros países da Europa, mas levamos sempre a nossa equipa portuguesa connosco. Alguns dos artesãos nunca tinham podido viajar para esses continentes e eu vivi de perto semanas de instalações duras com eles, exploramos os países onde os levei comigo. Lembro-me de estar a comer uma comida muito picante numa instalação em Banguecoque com a equipa que levei para lá para uma instalação dum projeto que tinha sido todo criado, desenhado e executado cá e um dos meus colaboradores ter lágrimas a cair dos olhos do picante. E eu dizer-lhe “Sr. David não tem de comer isto eu peço-lhe outra coisa! E ele responder “oh, menina, não se preocupe, eu fecho os olhos e imagino que estou a comer cabrito da minha Terra”.

São estes momentos que guardo perto do coração no meu crescimento pessoal e profissional. Gosto de estar ao pé da minha equipa. Ver artesãos, designers e arquitetos portugueses que levo comigo e a quem dou esta possibilidade de crescimento nos projetos Viterbo, a ensinar e a receber em troca com artesãos dos países onde também trabalho além de Portugal. Deixar lá um pouco de nós e trazer connosco um pouco deles. Também conversar com a minha equipa e perceber que vêm de todos os cantos de Portugal e ilhas e ver os talentos que têm por tradição de onde nasceram. Portugal é um espectáculo e tem talentos e tradições imensuráveis. Afinal, somos exploradores ou não somos? Temos isto debaixo da pele. Esta veia de ir, de fazer, de resolver e de ser português.

Como é que o teu espaço faz a diferença?

Tudo começa com a nossa intenção, no nosso core business que é a Viterbo Interior Design, e onde fazemos projetos de Arquitetura de Interiores e Decoração. São projetos com autenticidade de história do cliente e de fazer ponte entre cliente e espaço de modo a haver um empoderamento de si através desse mesmo espaço. No Cabinet, a intenção é a mesma, mas com a liberdade de se poder entrar e levar apenas um objeto ou, se se quiser, fazer um projeto que nos transforme ou nos leve um pouco mais perto de nós próprios. É fazer um mindshift entre o que é prazer e o que é felicidade, através de objetos, materiais e histórias deles, escolhidas a dedo. Prazer é momentâneo, não tem muito valor a comparar com felicidade que nos transforma e que, se quisermos e a praticarmos, está sempre debaixo da nossa pele. A minha marca tem como missão não o prazer da vida mas sim o empoderamento da felicidade através do nossos variados serviços, dos espaços criados ou os objetos que levem.

O que ainda falta conquistar?

No dia em que nos falta conquistar, podemos fechar os olhos. Todos os dias para mim são uma conquista nova. O crescimento é contínuo até ao fim. Talvez me falte conquistar tempo para ter mais tempo de conquistar mais, de descobrir mais e de partilhar mais criação. Eu não sou sozinha. Eu sou o meu marido e managing partner, Miguel Vieira da Rocha, eu sou uma equipa multi-disciplinar maravilhosa que me apoia, eu sou todas as mãos e cabeças com as quais colaboro e sou todos os clientes que, em nós, depositam confiança e investem, dando-nos possibilidade de manter vivas tradições, artes e, com isso, contribuir para a manutenção de uma cultura estética e histórica portuguesa. Talvez me falte tempo para ir à descoberta de Portugal nos seus recantos ainda mais escondidos e das suas mãos maravilhosas que criam tanto e tão bem. Mas lá chegarei.

O que mais precisas neste momento para chegares onde queres?

Já trabalho em arquitetura de interiores e decoração há vinte anos e penso que esta pergunta nunca se deixa de fazer semana a semana. A resposta é sempre diferente porque o “plano de crescimento” pessoal e profissional assim o exige. É no dia-a-dia que se responde a esta pergunta. Espero chegar ao amanhã mais completa que hoje: por conhecer alguém com quem troquei palavras que me ensinaram algo, por ter visto algo que me inspirou, por ter sido desafiada para um projeto novo que me vai fazer criar do nada uma história que vai enaltecer memórias e momentos dos meus clientes, por ter encontrado um objeto improvável que vai fazer os olhos de um desconhecido/a brilhar. Como diz uma expressão inglesa da qual gosto muito “If you think you know me based on who I was last year, you don’t know me at all. My growth game is strong, let me re-introduce myself”.

Quais os maiores motivos para comprar português?

Se o resto do mundo faz e compra aqui, porque temos de ir comprar fora? Tem de haver o “mindshift” que o que se compra fora é melhor, porque o que se compra e faz em Portugal tem a mesma excelência e muito do que se compra “fora” é feito cá. Tem de se celebrar quem somos, a nossa identidade, as nossas tradições e elevá-las com respeito, adaptá-las ou integrá-las com a contemporaneidade devida. Celebrar português, celebrar os nossos materiais, as nossas texturas, os nossos pigmentos e as nossas raízes empodera todo um mercado e dá razão de ser a tantas indústrias. Mexe com a nossa economia. Celebrar o fazer “com vagar” e com carinho porque fazer com vagar não é fazer devagar, é celebrar a mestria de quem faz com as mãos e com Arte e carinho e dar valor de uma peça feita com horas, dias e meses dedicados inteiramente a ela. É levar consigo um pouco de outras vidas, outras histórias e apoiar artistas, artesãos, designers e mentes criativas que fazem parte da fibra do nosso País.

Diz-me outra marca/espaço português que te inspire e porquê?

Anna Westerlund. Acompanho e colaboro com a Anna penso que há dez anos ou mais. A Anna é dona de um talento extraordinário e tem o dom de ser autêntica de dentro para fora. As suas peças, a sua marca, a mensagem e intenção são coerentes e livres e que consegue equilibrar fazem da Anna uma marca fortíssima portuguesa que admiro e com a qual continuarei a colaborar nos meus projetos, sempre.

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#ELLEstaylocal

Apoiar e dar conhecer projetos portugueses é a missão da rubrica #ELLEstaylocal. Acreditamos que hoje é mais importante, que nunca, comprar português. É importante não deixar que marcas de qualidade se percam na espuma da pandemia.

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