#ELLEstaylocal: Boobes, A Marca Que Quer Lembrá-la Que Todas as Mamas São Belas

Criada por João Azevedo e Natália Laureano, a marca pretende quebrar ideais de beleza (inalcançáveis). Por: ELLE Portugal Imagens: © D. R.

Tal como muitos portugueses (e cidadãos de outros países), João Azevedo e Natália Laureano sentiram severamente na pele o impacto da pandemia. No entanto, mesmo tendo ficado sem trabalho devido à crise pandémica, descruzaram os braços e, do que inicialmente seria apenas um projeto entre o casal e alguns amigos, deram vida a uma marca de decoração. Não uma insígnia qualquer, claro. A Boobes, ao colocar em vasos de plantas seios de todas as formas e feitios, cores, dimensões e condições, quer provar que todas as mamas são bonitas, contrariando os estereótipos e ideias de beleza em torno desta parte do corpo.

O que vos levou a criar este projeto?

A ideia do projeto Boobes teve origem no início da pãodemia (pão + pandemia = pãodemia), durante o confinamento, e outras iguarias confecionadas em casa. Inicialmente, o projeto tinha um caráter mais individual, dirigido aos amigos e amigas. Todavia, ele foi-se expandindo porque, como é consabido, os amigos e amigas têm outros amigos e amigas. Assim, chegamos ao ponto de ter encomendas vindas um pouco de todo o lado.

As finalidades do projeto foram, desde o início, representar, de forma fidedigna, mamas como símbolo (signo) indelével da feminilidade e representá-la em vários tons de pele, uma vez que sentíamos, não raras vezes, que as mulheres negras, entre outras não caucasianas, mereciam a representatividade que lhes é devida. A estas finalidades de caráter social veio juntar-se uma outra, com incidência na intervenção cívica, de modo a contrariar o ideal de beleza, inalcançável, criado, reforçado e imposto pelos media. Deste modo, surgem as boobes com as cicatrizes de mastectomia, mostrando que também elas podem ser belas.

Qual é a história por trás do nome?

Apesar de nós sabermos que a palavra em inglês se escreve boobs ou boobies, pelo facto da Natália não pronunciar a vogal “i” achámos relevante e engraçado adotar a palavra Boobes como nome da marca, tornando-a mais carismática.

O que foi mais complicado no processo de criar uma marca?

Não sentimos, até agora, nenhuma dificuldade, no sentido em que, inicialmente, este projeto não tinha a ambição de se tornar numa marca. Com a grande adesão e procura por parte do público, acabou por ser uma necessidade.

Todo o processo tem sido uma grande aprendizagem para nós e é incrível ver que, em apenas oito meses, a Boobes passou de uma atividade de tempo livre para um trabalho a tempo inteiro.

 

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Qual foi a razão para nunca desistirem?

O facto de ambos termos ficado sem os nossos empregos devido à covid-19 fez com que acreditássemos e investíssemos tudo o que temos nesta marca. Até então, nunca pensamos em desistir porque acreditamos que ainda existem muitas mamas para representar!

Qual foi o melhor momento ou história da marca até hoje?

Em outubro, sendo este o mês da consciencialização do cancro da mama, decidimos presentear algumas mulheres que sofreram com essa terrível doença. Com a ajuda dos nossos seguidores, conhecemos algumas histórias das quais não podíamos ficar indiferentes e decidimos representar as suas mamas, o antes ou o depois da doença. Ver as suas reações foi algo inacreditável e mágico. Aí, sim, tivemos a certeza que estávamos no caminho certo.

Como é que a vossa marca faz a diferença?

O projeto Boobes nasceu, pois, para afirmar que o paradigma da beleza das mamas, imposto pela sociedade – fomentando e explorando a forma como as mulheres se sentem em relação às suas mamas reais – tem que mudar: mamas são mamas e, independentemente do formato, cor ou tamanho, são sempre bonitas. Como na arte, tudo depende do olhar do observador.

 

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O que ainda falta conquistar?

Sendo uma marca tão recente, com oito meses de existência, ainda temos um longo caminho pela frente e a conquista tem sido diária.

O que mais precisam neste momento para chegarem onde querem?

Como uma marca recente, precisamos de apoio financeiro de forma a que possamos expandir, aumentar a produção e melhorar nos recursos.

Quais os maiores motivos para comprar português?

Prevendo uma crise que se avizinha, investir no que é português é crucial para que pequenas e médias marcas/empresas possam aguentar, e é dar valor ao mercado nacional.

Que outra marca/espaço português que vos inspira e porquê?

Felizmente há muitas, mas gostávamos de referir duas:
– A Fábrica Moderna, apesar de termos uma forte ligação com o espaço, sem dúvida que sempre nos cativou com as feirinhas de autor e por ter nas suas instalações grandes artistas.
– Adoramos a comunicação e o perfil no Instagram do Pica Miolo, é de uma originalidade sem fim.

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#ELLEstaylocal

Apoiar e dar conhecer projetos portugueses é a missão da rubrica #ELLEstaylocal. Acreditamos que hoje é mais importante, que nunca, comprar português. É importante não deixar que marcas de qualidade se percam na espuma da pandemia.

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