O Diretor Criativo e o Presidente da Gucci Explicaram as Acusações de Racismo

Estas surgiram devido a uma camisola que remetia para as caricaturas de rostos negros. Por: Inês Aparício -- Imagens: © Imaxtree.

Atualização (13/02)

Dadas as acusações de racismo de que a Gucci fora alvo na semana passada, a marca emitiu prontamente um pedido de desculpas. E agora, o diretor criativo Alessandro Michele enviou uma carta a todos os trabalhadores da marca, de forma a explicar as suas intenções e inspiração da peça que esteve sob fogo, avança o WWD.

«É importante que saibam que a camisola tinha, na realidade, referências muito específicas, completamente diferentes das quais foram atribuídas. Era um tributo a Leigh Bowery, à sua arte de camuflagem, à sua capacidade de desafiar convenções e o conformismo, à sua excentricidade enquanto artista, à sua extraordinária vocação para o disfarce como hino à liberdade», esclareceu Alessandro Michele. «De facto, contrariamente às minhas intenções, aquela camisola de gola alta, ao evocar imagens racistas, causa-me a maior das preocupações. Mas estou ciente de que por vezes as nossas ações podem acabar por causar efeitos opostos aos esperados. E por isso, é necessário tomar plena responsabilidade das consequências».

O diretor criativo da Gucci – que enviou a mensagem citada aos 18 mil funcionários através do seu email – concluiu com um pedido de desculpas: «Compreendo o sofrimento de todos a quem possa ter ofendido. E lamento profundamente a todos os que ficaram magoados».

Também o presidente e CEO da Gucci, Marco Bizzarri, procurou clarificar o que terá estado por detrás desta situação, em entrevista ao mesmo site. «Isto foi causado pela ignorância no tema. Certamente, isto não foi intencional, mas também não é uma desculpa. Cometemos erros e alguns são piores do que outros porque ofendem as pessoas. A falta de conhecimento no que diz respeito à diversidade e consequente compreensão da mesma não estão ao nível que esperávamos, apesar de todos os esforços na empresa durante os últimos quatro anos».

Assim, de modo a não se repetir, Bizzarri viajou até várias lojas norte-americanas para perceber a perspetiva dos seus trabalhadores no que diz respeito a questões de diversidade – e a este caso em específico – e irá promover bolsas de estudo em grandes cidades como Nova Iorque, Nairóbi, Seul, Tóquio e Pequim, de modo a facilitar o acesso de comunidades mais diversas aos departamentos criativos.

 

Artigo original (08/02)

Depois  da Prada , chegou a vez da Gucci ser acusada de racismo. E a razão é idêntica, uma vez que também a marca foi alvo de controvérsia por ter uma peça que remete para as caricaturas de rostos negros (do original, blackface) usadas para denegrir a imagem desta comunidade, em especial durante o século XIX. Deste modo, a maison emitiu, nas redes sociais, um pedido de desculpa e retirou a camisola do mercado.

«Consideramos a diversidade um valor fundamental a defender, a respeitar e a pôr à frente de qualquer decisão que façamos. Estamos completamente comprometidos com o aumento da diversidade na nossa organização e em transformar este incidente num momento poderoso de aprendizagem para a equipa», escreveu a marca no Twitter.

O produto em causa é uma camisola preta, de gola alta, que cobre metade do rosto, como se de uma balaclava se tratasse. Na zona da boca tem um corte rodeado a vermelho, semelhante a uns lábios pintados. De acordo com a Gucci, a peça foi já retirada das lojas físicas e online.

As reações no Twitter que levaram ao pedido de desculpas

A onda de desaprovação relativa à peça apresentada na Semana de Moda de Milão em fevereiro do ano passado inundou o Twitter, com utilizadores a sublinhar as semelhanças com a blackface. Houve ainda quem notasse a coincidência desta situação acontecer durante o mês em que se celebra a história dos negros nos Estados Unidos.

«Uma camisola de malha tipo balaclava da Gucci. Feliz mês da história dos negros para todos», escreveu um usuário do twitter. «Alguém me quer dizer que ninguém reparou nas semelhanças horríveis com a blackface nesta camisola? Esta é claramente a prova de que existe uma falta de diversidade enorme na Gucci. Feliz mês da história ds negros», lê-se noutro comentário.