Conheça o Datai Hotel, o Resort de Luxo Que Fica No Meio Da Natureza

O eco-resort fica na Malásia e é um autêntico paraíso escondido. Por: ELLE Portugal Por: Soline Delos - Imagem: Tommaso Riva

No início dos anos 90 do século passado, os arquitetos Didier Lefort e o já falecido Kerry Hill aterraram na baía imaculada da ilha de Langkawi, na Malásia. A sua missão? Criar o primeiro resort de luxo do país. Ofuscados pela beleza da praia e da floresta tropical com dez milhões de anos, os dois amigos juraram não só conservar a floresta mas também integrar o hotel de tal forma na selva que os hóspedes pudessem sentir-se parte de toda aquela riqueza natural. «Decidimos construir o hotel a 300 metros da costa, num plano elevado, imerso no meio da vegetação», explica Didier. As suas ideias visionárias nada tinham que ver com a tendência dominante na altura de construir bungalows o mais perto possível do mar (ou até dentro dele).

A sua abordagem ambientalista da arquitetura e a sua determinação em proteger este pedaço de floresta tropical e a sua cultura local valeu-lhes o Aga Khan Prize for Architecture, em 2001. Cerca de 25 anos depois, quando o diretor do hotel, Arnaud Girodon, decidiu renová-lo totalmente – a idade não perdoa e precisava de remodelações – sem comprometer a sua personalidade, contactou obviamente Didier, que, com Kerry Hill, tinha sido a alma por detrás deste projeto focado na Natureza – antecipando aquilo que hoje é, mais do que uma tendência, um estilo de vida. Na altura da construção, a dupla de arquitetos certificou-se de que as árvores removidas seriam reutilizadas para construir telhados, molduras e vigas, assim como para as colunas de sustentação – incluindo o Pavilion, um restaurante tailandês que parece suspenso sobre a floresta virgem. O arquiteto francês fez questão de que a remodelação do Datai fosse totalmente fiel ao espírito colonial original. Redecorou os quartos, desenhou um novo spa com cinco villas para tratamentos aninhadas na vegetação, aumentou o Beach Club e refrescou o charme do Dining Room. Como não poderia deixar de ser, deu bom uso aos materiais locais, a começar na madeira utilizada para as paredes dos quartos, para os soalhos e para o mobiliário.  «A madeira usada é proveniente de árvores replantadas, para evitar prejudicar a floresta», diz Arnaud. Artesãos locais foram incumbidos de fazer os tapetes e os candeeiros para os quartos, e as ideias usadas na decoração foram, na sua maioria, inspiradas nas três culturas principais que coabitam na Malásia : a malaia, a indiana e a chinesa. A joia que mais se destaca na coroa deste hotel renovado é a Datai Estate Villa, uma villa XXL com cinco quartos, onde as árvores foram totalmente integradas na estrutura do edifício.

Um lobby com dois grandes cavalos indianos e um incrível lago de nenúfares, que é habitat natural de rãs, dão as boas-vindas aos hóspedes que chegam a este paraíso natural. Um regresso ao essencial, sem música ambiente – só a da Natureza circundante, que se estende ao bar panorâmico com vista para a selva e aos macacos que a habitam. Em baixo, o “caminho das borboletas”, que conduz à praia, é uma homenagem às 535 espécies de borboletas encontradas na ilha – um número extraordinário se considerarmos que a Austrália tem apenas 480. «Langkawi tem a maior concentração de biodiversidade da Ásia e há mais plantas por metro quadrado aqui do que em todo o sudoeste asiático», acrescenta Arnaud.

É natural, portanto, que o diretor do hotel tenha pedido a Didier para incluir um Nature Centre neste novo projeto. Feito em bambu e inspirado nas casas tribais da região, o centro é usado como base de trabalho pelo conceituado naturalista Irshad Mobarak que, regularmente, convida cientistas e outros investigadores para descobrirem e analisarem insetos. Também organiza caminhadas educativas, mas divertidas, para que se possa conhecer a fauna e a floras locais. Os participantes podem escolher entre uma “estrada de poemas”, com as suas palavras lindas, que prestam homenagem à Natureza, e o Canopy Walk – um conjunto de passadiços na floresta costeira, sobre riachos de água transparente, que conduzem a uma ponte suspensa em madeira, 15 metros acima do chão – observatório perfeito para admirar árvores gigantes, águias e lémures voadores. A Natureza em todo o seu esplendor.

Mas o Datai integrou a sustentabilidade no próprio funcionamento do hotel – dos cestos reutilizáveis a um jardim de ervas aromáticas e especiarias, onde os hóspedes se vão abastecer antes das aulas de culinária. A água da chuva é tratada e tudo o que é reciclado (vidro, plástico, comida) é transformado em compostagem para fertilizar a horta. «Os nossos serviços vêm da Natureza», conclui Arnaud. Até os tratamentos de spa são feitos com plantas medicinais locais, escolhidas pelo Dr. Ghani, um guru de bem-estar malaio. E este é só um dos musts deste eco-resort que vive de e para o ambiente.