Juliette Binoche Será Presidente do Júri Internacional do Berlinale 2019

A 69ª edição do Festival de Cinema de Berlim contará com uma mulher à frente do júri internacional. Por: Inês Aparício -- Imagens: © D. R.

A 69ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim — comumente conhecido por Berlinale—, marcada para fevereiro de 2019, terá a atriz francesa Juliette Binoche como presidente do júri internacional. Este, que é por norma composto por sete membros, dos quais fazem parte realizadores, atores, produtores, guionistas e artistas, foi anunciado pela organização do Berlinale 2019 nesta terça-feira, 11 de dezembro.

«Estou muito contente por ter a Juliette como presidente do júri. O festival partilha uma forte ligação com a atriz e estou muito feliz por esta regressar ao festival nesta posição de destaque», revelou o diretor do festival de cinema, Dieter Kosslick. Em resposta a este, a atriz que ganhou, em 1997, um Urso de Prata de Melhor Atriz pelo papel em O Paciente Inglês, agradeceu a «enorme honra e convite» para a «tarefa que irá abraçar com alegria e empenho».

Representação feminina no Berlinale 2018 

Dos 24 filmes em competição na edição passada do Festival Internacional de Cinema de Berlim, apenas quatro foram realizados por mulheres: Emily Atef, Laura Bispuri, Adina Pintilie e Małgorzata Szumowska. A discrepância entre géneros é clara e algo que Barbara Albert, uma realizadora austríaca, considera que deve ser alterada: «Para mim deve existir uma quota. Deve ser 50/50, não só na indústria, como na participação do festival», disse à Variety em fevereiro deste ano. «É muito triste que sejam só quatro filmes de mulheres em competição no Berlinale. E para nós isto até é bastante porque sabemos que em Cannes é muitas vezes 0%», acrescentou.

Esta equidade é um objetivo da iniciativa 5050 Pour 2020 (em português, 50/50 para 2020), fundada pela realizadora e guionista de Girlhood, Céline Sciamma, e pelas atrizes Léa Seydoux e Lily Rose Depp. Tal como o próprio nome indica, esta iniciativa pretende conseguir uma maior diversidade na indústria cinematográfica nos próximos dois anos.

Desta vez com uma mulher como presidente do júri — ainda que não seja a primeira vez que acontece, uma vez que este lugar foi também ocupado no passado por, nomeadamente, Meryl Streep e Isabella Rossellini —, a questão que surge é se esta tendência se irá reverter, passando a existir, em 2019, uma paridade entre o número de filmes em competição realizadas por figuras femininas e masculinas.

Uma portuguesa no júri

No ano passado, do júri de documentário do Festival Internacional de Cinema de Berlim, fez parte uma portuguesa, Cíntia Gil. Esta foi acompanhada pela realizadora alemã Ulrike Ottinger e pelo jornalista de investigação e produtor norte-americano Eric Schlosser.