As Mulheres Portuguesas Vão Estar Em Destaque Numa Exposição da Gulbenkian

Esta chega à Fundação Calouste Gulbenkian no dia 31 de maio. Por: Inês Aparício -- Imagens: © Bruno Lopes (angelaferreira.info)

Chama-se «As mulheres na Coleção Moderna. De Sonia Delaunay a Ângela Ferreira 1916-2018» e não podia resumir melhor o conteúdo da exposição que chega, no final do próximo mês, à Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Pensada por ordem cronológica, a mostra que agrega cerca de um século da história da arte portuguesa no feminino juntará nomes como Alice Rey Colaço, Raquel Roque Gameiro e Sarah Affonso nos três pisos do museu.

Das vertentes da pintura, desenho, ilustração, têxteis, fotografia, vídeo, escultura e instalação, as mais de uma centena de obras irão estabelecer-se no contexto da Coleção Moderna da fundação. A exposição, com curadoria de Patrícia Rosas, poderá ser visitada a partir de 31 de maio.

De Sonia Delaunay a Ângela Ferreira

O percurso da exposição acompanhará a História de Portugal desde a primeira República até à atualidade. Partindo do ambiente de inquitação e rutura estética que marcou o País entre 1910 e 1933, a mostra fará uma paragem nos anos de 1920, numa altura em que as mulheres portuguesas se afirmavam na ilustração de revistas da época – como a Panorama, a Ilustração ou a Civilização – e livros, normalmente destinados ao público infantil.

Daí, a exposição seguirá até ao período do Estado Novo, que, nos anos 50, serviu de base para a exploração das condições sociopolíticias que então se viviam. A guerra colonial é também um marco neste percurso que junta história e arte na Fundação Calouste Gulbenkian. Durante essa altura, foram várias as artistas que emigraram para Paris e Londres, uma vez que não encontravam condições favoráveis ao desenvolvimento da sua obra em Portugal.

No texto de apresentação da exposição, citado pela agência Lusa, a curadora frisa que, durante as duas primeiras décadas do século XXI, «entra em cena uma geração de jovens artistas que se distingue das anteriores pela formação académica que realiza ou completa em instituições estrangeiras, e que posiciona já claramente as suas práticas e as suas obras em contextos e circuitos expositivos internacionais».

A exposição termina com o trabalho de Ângela Ferreira, no qual se destaca uma série de desenhos que colocam a tónica na África do Sul. Parte destes foi produzida no ano passado e, entretanto, adquirida pela Fundação Calouste Gulbenkian.