A Exposição de Fotografia Que Só Retrata Mulheres Com Acne Por Uma Beleza Real

Mais que uma exploração desta condição, Sophie Harris-Taylor quer normalizar a acne. Por: Inês Aparício -- Imagens: © Sophie Harris-Taylor.

A atenção da sociedade tem-se focado, com o passar do tempo, num espetro de tonalidades de pele cada vez mais abrangente. Contudo, a história é diferente quando falamos, não de tons, mas de condições de pele. Assim, alertando e procurando consciencializar para esta realidade, Sophie Harris-Taylor fotografou 20 mulheres que sofrem de acne severa. O resultado pode ser visto numa exposição na Galeria Francesca Maffeo, em Londres, até 13 de setembro.

Numa busca pela normalização da acne, Sophie Harris-Taylor partiu da sua própria experiência pessoal para mostrar que ninguém é menos belo por ter borbulhas ou marcas no rosto – ao contrário do que a sociedade poderá dar a entender – através da sua câmara fotográfica.

«A maioria dos meus projetos pessoais parece surgir das minhas próprias experiências e, por causa disso, existe uma maior vulnerabilidade nas imagens. Quando era adolescente e, depois, durante os meus 20, sofri de acne severa. Sentia vergonha e constrangimento, e isso afetou a minha autoestima», conta Sophie à ELLE.pt.

«Naquela altura, não existiam ídolos, modelos ou pessoas que nos influenciassem que não tivessem uma pele perfeita, o que obviamente significou que tive problemas com a minha própria imagem. Já percorremos um longo caminho desde aí, no que diz respeito ao body positivity e, genericamente, a pessoas a falar abertamente sobre padrões de beleza e a promover diversidade. No entanto, ainda sinto que existe uma falta de representatividade de diversos tipos de pele de uma forma honesta e aberta», adiciona.

Epidermis, o nome da mostra de arte que tenta trazer à flor da pele a aceitação de algo tão natural como a acne, é, mais que uma exploração desta condição, um editorial de beleza. «A intenção desta série é, em primeiro lugar, uma sessão fotográfica sobre beleza e, em segundo lugar, um projeto relativo à pele», esclarece Sophie. «Queria criar uma série de trabalhos que explorassem a pele real de uma forma bela e honesta. Sempre fui ligeiramente fascinada com a pele e inspirada por pessoas como Jenny Saville e Lucien Freud e pelo modo como eles interpretavam esta temática. Queria tentar captar essa mesma humanidade crua e a conexão emocional através da câmara», nota.

O objetivo desta é «fazer com que as pessoas se sintam bem, essencialmente». «Todas as mulheres, na verdade. Adoraria ajudar os outros a sentirem-se empoderados e mais confortáveis na sua própria pele», refere a fotógrafa que utilizou as redes sociais para escolher a maioria das mulheres que fazem parte deste projeto. «Além disso, espero quebrar parte do estigma em que esta condição da pele está envolta e mostrar a beleza em várias peles que normalmente não seriam apresentadas ou representadas», completa a britânica.

A aceitação da acne

Apesar dos primeiros passos em direção à normalização da diversidade estarem a ser dados, não só nas redes sociais, como nos meios de comunicação, ainda existe um longo caminho a percorrer para que condições como a acne sejam totalmente aceites pela sociedade. «Adorava pensar que não existiria necessidade de falar sobre este projeto daqui a cinco anos», refere Sophie Harris-Taylor.

Contudo, para que isso aconteça, a fotógrafa acredita que «temos de ter uma maior educação relativamente às diferentes condições de pele». «Quantos mais tipos de pele vemos, menor será o preconceito. Assim, considero importante que todos tomemos responsabilidade e sejamos o exemplo para a geração mais nova ao abraçarmos estes elementos que nos tornam únicos», sublinha.

A exposição estará patente na Galeria Francesca Maffeo, no Reino Unido, até sexta-feira, 13 de setembro.

Veja na galeria, em cima, algumas das imagens que fazem parte de Epidermis.