Cinco Filmes a Não Perder no FESTin Que Começa Hoje

Roni Nunes, programador do FESTin, faz-nos o guia definitivo para o festival que arranca esta terça-feira. Por: Joana Moreira -- Imagens: © D. R.

Mais do que ver filmes, celebra-se a língua portuguesa e a cultura cinematográfica lusófona. O FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa – está de volta a Lisboa para uma 9ª edição, que decorre a partir de hoje, dia 27, e até ao próximo dia 6 de março.

Até lá, vão passar pelo Cinema São Jorge nove longas-metragens de ficção, nove documentários e 16 curtas, bem como algumas mostras especiais, numa edição marcada por um maior peso do cinema português. Perante um cartaz recheado de obras apetecíveis, pedimos a Roni Nunes, programador do festival, para nos definir uma rota orientadora, com uma seleção dos cinco filmes (quase) obrigatórios durante o festival.

Praça Paris, Lúcia Murat

«É um drama muito forte onde a Joana de Verona vive uma psicóloga que está no Brasil para uma tese de Doutoramento. Lá ela começa por tratar uma habitante da favela e, ao entrar em contato com um mundo de extrema violência, começa a sucumbir aos seus próprios fantasmas. É um filme muito interessante que coloca em causa a relação entre dois mundos bastante distintos – o de uma burguesia intelectual e o de uma classe operária a viver num ambiente hostil.»

Onde e quando: 3 março, às 21h30, na Sala Manoel de Oliveira.

As Duas Irenes, Fabio Meira

«É um filme muito bonito, que narra a história de duas adolescentes a viver numa pequena cidade do interior do Brasil. Um das Irenes tem uma vida muito pacata junto da sua família – quando descobre que na mesma cidade vive uma outra Irene, da sua cidade, que ela passa a espionar. A vida da outra lhe parece muito mais interessante e ao longo da narrativa aborda os percalços, as inseguranças e os problemas de identidade típicos desta idade.»

Onde e quando: 6 de março, às 21h30, na Sala Manoel de Oliveira.

Vazante, Daniela Thomas

«É outra coprodução luso-brasileira, desta vez passada no tempo em que o Brasil era colónia portuguesa. A realizadora Daniela Thomas, que corealizou vários filmes com Walter Salles, interligou a problemática feminina de uma época fortemente patriarcal com o tema da escravatura – num filme com uma belíssima fotografia em preto e branco e um trabalho de som excecional do portuguès Vasco Pimentel.»

Onde e quando: 4 março, às 19h, na Sala 3.

Aparição, Fernando Vendrell

«Filme português com Jaime Freitas e Victória Guerra – numa abordagem bastante interessante de um período do tempo de Salazar – os anos 50. O filme baseia-se num livro de Vergílio Ferreira e capta a atmosfera da altura, baseada num contexto fortemente repressivo.»

Onde e quando: 5 março, às 21h30, na Sala 3.

Redemoinho, José Luiz Villamarim

«É um dos mais belos filmes brasileiros do FESTin este ano, contando com dois atores excecionais – o Irandhir Santos e Júlio Andrade. Também se passa numa pequena cidade, onde eles são dois amigos que se reencontram após uma tragédia ocorrida na infância. O trabalho de fotografia e som é extraordinário, tal como a intensidade dramática alcançada pelo realizador José Luiz Villamarim.»

Onde e quando: 1 março, às 21h30, na Sala Manoel de Oliveira.