Quem é Catarina Albuquerque, a Portuguesa Que Vai Assumir Um Alto Cargo na ONU

Fixe este nome. Por: Cátia Pereira Matos -- Imagem: © D.R

A 3 de setembro, Catarina Albuquerque toma posse como CEO da parceria global das Nações Unidas Sanitation and Water For All (SWA; em português, Saneamento e Água Para Todos). Uma nomeação anunciada segunda-feira.

«Talento impressionante», «estilo de liderança colaborativa», «energia» e «motivação»: foram as palavras escolhidas pelo representante maior da SWA, Kevin Rudd, para caraterizar o perfil de Catarina Albuquerque, tida como «a pessoa ideal para liderar o futuro da SWA». A nomeação para o cargo de CEO resulta de um extenso processo de seleção no qual participaram 200 candidatos e que se baseia «no sucesso e reconhecimento» que Catarina «obteve enquanto diretora executiva da SWA nos últimos três anos», lê-se no comunicado de imprensa publicado no site da SWA. O facto de a portuguesa também ter sido a primeira relatora Especial da ONU para a defesa do direito à água potável e ao saneamento deverá igualmente ter pesado na decisão final.

Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Mestre em Relações Internacionais pelo Institut Universitaire de Hautes Études Internationales, na Suíça, e Doutoranda em Direito Internacional pela Universidade de Aix-Marseille, em França, Catarina Albuquerque é uma figura reconhecida no mundo diplomático, especialmente no que à defesa dos direitos humanos diz respeito.

Em 2009, foi homenageada pela Assembleia da República com o Prémio Direitos Humanos em virtude dos seus trabalhos nesta área. Nesse mesmo ano foi agraciada por Aníbal Cavaco Silva, na altura Presidente da República, com a Ordem de Mérito.

No últimos anos, tem dado maior atenção ao sector dos recursos hídricos. Tanto, que conseguiu com que o acesso à água potável e ao saneamento básico fosse declarado pela ONU como um direito universal, em 2016.

Agora, enquanto CEO da SWA, Catarina Albuquerque ambiciona mudar a realidade de uma grande parte do mundo e, por extensão, por fim a números alarmantes que estão bem explícitos no site da SWA, como o facto de todos os dias morrerem 800 crianças devido a água contaminada, falta de saneamento básico e falta de higiene; ou o facto de 30% da população a nível mundial ainda não ter acesso a instalações de saneamento.

Com mais financiamento e melhor uso do dinheiro, a portuguesa de 48 anos quer «chegar a 2030 e garantir que não existe ninguém à face da Terra sem acesso a água e saneamento de qualidade e com dignidade», afirmou esta quarta-feira em entrevista à Lusa, citada pelo Expresso.

Caberá a Catarina Albuquerque conceber a liderança estratégica da Sanitation and Water for All, que deverá estar em conformidade com a visão desta parceria da ONU, criada em 2006, cujo objetivo final é promover a universalidade do acesso à água potável e condições sanitárias adequadas.

António Vitorino também com cargo de relevo em agência da ONU

A nomeação de Catarina Albuquerque surge poucos dias depois de a Organização Internacional das Migrações (OIM) ter nomeado o português António Vitorino, antigo ministro da Presidência e da Defesa Nacional no governo de António Guterres e ex-comissário europeu, para o cargo de diretor-geral. A agência trabalha de perto com parceiro governamentais e não-governamentais para garantir a defesa dos direitos humanos ao longo da cadeia migratória.