Big Fish Poke: O Restaurante Havaiano em Lisboa Que Reinventou a Sardinha

Mesmo a tempo dos santos populares. Por: Margarida Brito Paes -- Imagens: D.R.

Faça um triângulo imaginário entre a Bica, o Largo de Santos e a Casa dos Bicos. Algures dentro desse triângulo vai encontrar um restaurante havaiano que prometemos que vale a pena conhecer. A especialidade da casa são mesmo os pratos vindos da terra das grandes ondas, mas a isso já lá vamos, porque os arraiais dos santos começaram e por isso temos de começar por falar de sardinhas.

O Big Fish Poke, na Rua da Moeda nº 1, vai ter de 10 a 30 de junho, uma Poke Bowl de sardinha. Este peixe gordo, tipicamente português, aqui, não é grelhado no carvão, mas sim braseado. A este, numa taça alta – que foi feita no Studio Neves e desenhada pela equipa do Big Fish Poke – juntam-se os pimentos assados, pepino, tomate, coentros e broa de milho crocante, uma junção que traz o sabor da sardinha assada de uma forma completamente reinventada. Este prato custa €14 e só não pode ser acompanhado com o típico vinho português, já que neste restaurante só se bebem sakes japoneses ou cocktails. Mas esse é outro tópico para esta conversa gastronómica.

Poke de sardinha, disponível de 10 a 30 de junho.

Sake do Japão, Cocktails do Havai

Há algumas coisas que devemos saber antes de avançar: o sake está para os japoneses, como o vinho está para os portugueses; o sake é feito de arroz; o grau alcoólico desta bebida é semelhante ao do vinho, sendo que, quanto mais puro o polimento do grão do arroz, maior o grau da bebida; e por último, apesar disto tudo, o sabor do sake nada tem que ver com o sabor do vinho.

Mas há ainda outro detalhe importante, que fez com que esta bebida do outro lado do mundo fosse parte integrante da decoração: os rótulos são lindos. Por isso, o bar do Big Fish Poke está à vista de todos, suspenso por cima de um balcão em forma de ‘U’ com lugar para vinte pessoas. Na carta, estão disponíveis oito garrafas de sake diferentes, mas aconselhamos que peça ajuda a escolher o que melhor combina com a refeição.

A ordem não tem que ser necessariamente esta. Pode começar por escolher a bebida e restringir o prato à escolha, aqui não julgamos ninguém. E no Big Fish Poke também não, porque quem tem na carta um cocktail que leva um pedaço de ananás com o mesmo grau alcoólico de dois shots (já que esteve várias horas, literalmente, conservado em álcool) está à espera que os seus clientes apreciem uma boa bebida. Sem surpresa, o nome deste cocktail é Vodka Colada.

À lista de bebidas juntam-se mais três cocktails que trazem os sabores havaianos para o copo, sendo um deles sem álcool. Além destas opções, tem uma carta de chás ou não fosse este um restaurante com influência japonesa.

Cocktail Mai Tai de Abacaxi e Amendoim €9

Mas isto é um restaurante e não um bar

O Big Fish Poke até podia ser uma bar, mas não era a mesma coisa. Como tal, na carta não faltam as entradas, as pokes que dão nome ao espaço e às sobremesas. Começamos pelo princípio: um pequeno aperitivo que é oferta da casa e varia de acordo com os ingredientes disponíveis no dia. Depois disto a escolha é sua.

Tem três entradas como opção. Destacamos a Tuna Musubi, inspirada por um snack que os havaianos compram em máquinas de venda automática para levar para a praia. Parece estranho? Ainda fica mais… é que o snack original é feito de barriga de porco. É verdade. Aparentemente, há um lugar no mundo onde as pessoas acham que comer barriga de porco, enquanto trabalham para o bronze, faz sentido. Considerações à parte, interessa saber que no Big Fish Poke o porco foi trocado pelo atum e o resultado é muito melhor do que soa quando acaba de ouvir esta história.

No que diz respeito aos pratos, tem nove pokes à escolha. Os ingredientes principais variam entre o atum, corvina, salmão, camarão, cavala, polvo e tofu. A cada um destes, juntam-se vários ingredientes japoneses, arroz e legumes. Duas das hipóteses são vegetarianas. Pode ainda escolher três níveis diferentes de picante para a sua poke, para não ter nenhuma surpresa escaldante.

O que é doce nunca amargou

No fim chegam as sobremesas e é aqui que encontra uma presença nacional mais marcada. Tem arroz doce e bolas de Berlim no menu, mas claro que estão bem longe do tradicional, o que neste caso não é depreciativo, mas sim um boa surpresa. Está a ver o arroz doce? Pois bem, esqueça o leite de vaca e junte-lhe antes leite de côco e, para finalizar, troque a canela por gelado de matcha e manga. Já as bolas de Berlim (Malasada) surgem em tamanho mini, em dose dupla, e recheadas uma com creme de batata doce e outra com creme de macadâmia. Mas a sobremesa que mais se destaca é a Chocolate Kilauea, com chocolate do Equador, wasabi, iogurte e sal negro do Hawaii.

Chocolate Kilauea €6

Tudo isto pode ser visto a ser finalizado à sua frente se optar por se sentar ao balcão e não numa das únicas duas mesas do restaurante (cada uma com lugar para quatro pessoas). A carta foi desenvolvida pelo Chef Luís Gaspar, chef executivo do restaurante Sala de Corte, com a consultoria de Andrew Mayer (fundador do Poke OG em Miami), que trabalhou 15 anos com o conceituado chef japonês Roy Yamaguchi. As entradas e sobremesas foram criadas a quatro mãos pelo Chef Luís Gaspar e Filipe Narciso, que é o Chef residente do espaço.

O preço médio por refeição é de €25 e o restaurante está aberto de domingo a quinta das 12h às 00h e às sextas, sábados e vésperas de feriado das 12h à 1h00.

Veja algumas imagens do espaço e propostas gastronómicas na galeria, em cima.