Quem É Ursula von der Leyen, A Primeira Mulher Presidente Da Comissão Europeia

A alemã foi eleita esta terça-feira, 16 de julho. Por: Inês Aparício -- Imagens: © GTRESONLINE.

À história da política europeia, foi acrescentada mais uma página, esta terça-feira, 16 de julho. Ao ser eleita como Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen tornou-se na primeira mulher a consegui-lo, desde a criação do cargo, em 1958. Esta venceu com 383 votos a favor, 327 votos contra e 22 abstenções, o que significa que se avizinham cinco anos de grande debate político, uma vez que não conseguiu atingir os 400 votos favoráveis que lhe dariam uma maioria estável para avançar com as suas propostas no parlamento. A alemã irá substituir Jean-Claude Juncker, que abandonará a posição a 31 de outubro.

Depois de conhecido o resultado, esta declarou que «a confiança que depositaram» em si, «é a confiança que depositaram na Europa, e a confiança numa Europa forte e unida, de leste a oeste, de sua a norte. A confiança numa Europa que está pronta para lutar por um futuro, em vez de de lutar uns contra os outros». Ursula von der Leyen disse ainda que se sentia «orgulhosa» por uma mulher assumir, pela primeira vez, a presidência da Comissão Europeia.

Paridade de género como objetivo

Uma das propostas de von der Leyen, feminista, é a de conseguir uma maior igualdade de género na Comissão Europeia, questão que frisou no seu discurso. «Se os estados-membros não propuserem deputadas do género feminino suficientes, não hesitarei em pedir-lhes novos nomes», afirmou. «Desde 1958, existiram 183 comissários. Apenas 35 destes eram mulheres. Isso é menos de 20%», notou.

A família, a vida profissional e a política

Os seus ideais são, em parte, um reflexo da sua vida. Mãe de sete filhos, esta defende cuidados de saúde gratuitos e educação para todas as crianças. «Eu sei que, enquanto mãe de sete, faz toda a diferença se os mais novos tiverem acesso a educação, desporto, música, comida saudável e um ambiente de amor e proteção», referiu.

Formada em medicina, em 1980, exerceu a especialidade de ginecologia e, apenas mais tarde, ingressou na política, tendo sido eleita representante da CDU na assembleia da região de Hanover, na Alemanha. Posteriormente, em 2005, tornou-se ministra da família, e procurou desenvolver a rede de infantários, e criou a licença parental remunerada para os pais. Quatro anos mais tarde, tomou a pasta do trabalho no ministério, na qual defendeu quotas para as mulheres na gestão das empresas.

Desde 2013, assumiu a posição de ministra da defesa, cargo que prometeu abandonar quer fosse ou não eleita presidente da Comissão Europeia.

Reações dos dirigentes portugueses à eleição

Após o anúncio do resultado da votação, vários portugueses foram vocais quanto ao desfecho da mesma. Marcelo Rebelo de Sousa felicitou a alemã, assim como o Parlamento e o Conselho Europeus, «por este final feliz, muito importante para o normal funcionamento das instituições europeias». «O Presidente da República saúda e felicita Ursula von der Leyen pela sua eleição, esta tarde, pelo Parlamento Europeu, como nova Presidente da Comissão Europeia, e deseja-lhe os maiores êxitos», pode ser lido no comunicado publicado no site da presidência.

Também o primeiro-ministro, António Costa, congratulou Ursula von der Leyen, no Twitter, revelando aguardar «com expectativa o trabalho conjunto com a equipa da Comissão Europeia para a implementação da agenda estratégica progressista da União Europeia com que a Presidente se comprometeu para os próximos cinco anos».

Augusto Santos Silva, ministro dos negócios estrangeiros, falou em nome do Governo, declarando que este se «regozija com o resultado da votação e a eleição por parte do Parlamento Europeu da personalidade proposta pelo Conselho europeu para o exercício da presidência da Comissão Europeia». «Entendemos que os compromissos assumidos pela presidente eleita são muito claros e vão todos no sentido certo», completou.