Trump: A Rainha Usou Uma Tiara Para Afastar o Mal e May Não Acertou no Presente

A viagem dos Trump a Inglaterra está envolta em casos insólitos. Por: Margarida Brito Paes -- Imagens: © Gtresonline

Quando Donald e Melania Trump aparecem, a polémica é certa e Inglaterra não foi excepção. A visita que termina esta quarta-feira, dia 5 de junho, teve direito a uma tiara que serve de amuleto contra o diabo e um presente oficial sexista. Há coisas que de facto só acontecem aos Trump. Mas vindo do casal presidencial que viu uma árvore ser deportada do seu jardim um dia depois de a plantar, durante a visita oficial dos Macron aos EUA, tudo é possível.

Uma tiara que afinal era um amuleto contra o diabo

Como ir com uma cabeça de dentes de alho para um jantar de Estado era capaz de parece mal, a Rainha Isabel II escolheu afastar o mal de uma forma mais discreta. Esta segunda-feira, 3 de junho, o Palácio de Buckingham recebeu o Presidente dos Estados Unidos, num faustoso jantar. A Rainha foi vestida de branco, bem como Melania e Kate, um quadro de harmonia perfeito não fosse a Rainha ter deixado fugir a boca para a verdade. Quer dizer, neste caso quem fugiu para a verdade foi mesmo a cabeça.

A Rainha Isabel II usou para esta ocasião uma tiara que mandou fazer em 1973. A jóia era cravejada em diamantes e tinha uma flores de rubis. Rubis estes, que foram um presente de casamento do povo Myanmar para a Rainha. Até aqui, nada de estranho, mas acontece que segundo a cultura daquele povo esta pedra preciosa tem o poder de afastar o diabo. Assim esta tiara pode ser considerada um amuleto contra o mal. Uma escolha no mínimo curiosa, e com chances (reduzidas) de ter sido apenas uma coincidência.

No entanto não é apenas este detalhe que torna a escolha interessante. A proibição da comercialização dos rubis de Myanmar nos EUA foi uma das sanções de G.W. Bush àquele país pelo seu regime militar. Esta sanções foram retiradas por Obama em 2016. Só a escolha das jóias reais daria tema para todo o jantar de Estado.

São horas de beber um chá

Teresa May abdicou do cargo, mas ainda é a primeira ministra de Inglaterra, e para quem se despediu em lágrimas com palavras feministas , devia ter escolhido melhor o presente para Melania.

Antes do jantar no Palácio de Buckhingam o casal presidencial passou por Downing Street para a troca de presentes da praxe. Donald recebeu um rascunho dactilografado da Carta do Atlântico. Um documento assinado a 14 de setembro de 1941 por Winston Churchill e Franklin Roosevelt. Esta declaração definia, em oito pontos, como deveria ser o comportamento e relação dos EUA com a Inglaterra após a segunda guerra mundial. Para que Donald Trump nunca se esqueça do acordo, May achou por bem oferecer-lhe uma cábula para pendurar na parede da Casa Branca.

No entanto, de acordo com as escolhas de oferendas da primeira ministra, parece que política é uma coisa de homens e que o lugar da primeira-dama é na cozinha. Isto porque Melania Trump recebeu um serviço de chá como presente. A escolha foi alvo de grande polémica e já vários políticos se pronunciaram acusando May de sexismo.

Harini Iyengar, candidata do Partido da Igualdade das Mulheres, escreveu no Twitter «Tal como a visita em si, também os presentes foram inapropriados. Dar a Melania Trump- um mulher de negócios e empreendedora que fala quatro línguas- um serviço de chá é preguiçoso e sexista. É difícil imaginar Hillary Clinton a receber um serviço de chá… se Hillary tivesse ganho».

Dawn Butler, membro do Partido Trabalhista e Secretária para a Igualdade, declarou que «Teresa May mostrou mais uma vez que acredita que há ‘assuntos de rapazes’ e ‘assuntos de raparigas’. Melania, além de ser primeira-dama, é uma mulher de negócios bem sucedida e independente por mérito próprio, e merece um presente mais significativo (…)Além disso, Melania é casada com um dos homens mais conflituosos e desagradáveis da história moderna, por isso, no mínimo, precisa de algo mais forte que chá».

Não diríamos melhor, talvez uma garrafa de cristal para o gin tivesse sido mais apropriada e também seria um presente ‘very british’.