Mulheres Que Produzem T-shirts Feministas das Spice Girls Recebem €0,40 À Hora

A banda revela-se «chocada» com esta descoberta. Por: Inês Aparício -- Imagens: © GTRESONLINE e Instagram Spice Girls.

Um salário precário, horas extraordinárias não pagas e violência psicológica no trabalho: são estas as condições de trabalho das mulheres que fazem as t-shirts feministas criadas pelas Spice Girls.

De acordo com uma investigação levada a cabo pelo The Guardian, a fábrica que produz as peças que fazem parte da campanha solidária a favor da igualdade de género, promovida pela banda britânica – que voltou este ano com tudo: desde concertos a um filme de animação – integra uma equipa que trabalha em «condições desumanas». Esta, composta maioritariamente por mulheres, recebe pouco mais de 40 cêntimos por hora (o equivalente a cerca de 90 euros por mês) em turnos que chegam, muitas vezes, a durar 16 horas.

Além disto, as trabalhadoras alegam ser frequentemente assediadas e insultadas pelos gerentes ao não atingirem os objetivos da empresa, que passarão por coser duas mil peças de roupa por dia. «Não recebemos o suficiente e trabalhamos em condições desumandas», resume uma das trabalhadoras da fábrica no Bangladesh em declarações ao jornal britânico. A fábrica em questão pertence ao ministro dos negócios estrangeiros daquele país.

A banda não estava a par desta realidade

Em declarações ao The Guardian, um porta-voz das Spice Girls admitiu que estas ficaram «bastante chocadas» ao tomar conhecimento da situação. Este garantiu ainda que estas irão financiar uma investigação à fábrica, apurando a veracidade das condições laborais da mesma.

Também a organização para a qual a totalidade dos lucros será revertida, a Comic Relief, mostrou-se «surpresa e preocupada» com as circunstâncias. Tanto a banda britânica como a instituição que beneficiará desta iniciativa dizem ter verificado a origem ética da Represent, a loja online na qual as t-shirts são vendidas por €21,99. No entanto, o produtor terá sido alterado posteriormente, sem conhecimento de nenhuma das entidades envolvidas.

No entanto, as celebridades – como Sam Smith, Jessie J e Jessica Ennis-Hill – que divulgaram, nas redes sociais, as peças, não saberiam das condições em que estas mulheres trabalhavam, sublinhou o título.

Resposta da fábrica

Quando contactada pelo The Guardian para responder a estas acusações, a empresa responsável por esta fábrica, a Interstoff Apparels, revelou que «a situação seria investigada», apesar de alegar que as denúncias «não eram verdade».

 

Reveja na galeria, em baixo, algumas das imagens da girls band mais popular dos anos 90.