Deputada Diz Ser Obrigada A Escolher Entre A Vida Profissional E Ser Mãe

Stella Creasy admite que não é a única a ser forçada a fazê-lo. Por: Inês Aparício -- Imagens: © D. R.

Luta constantemente pela igualdade entre géneros, mas sente a discriminação na pele. Stella Creasy, deputada do Partido Trabalhista em Walthamstow, Inglaterra, revelou que o Parlamento não reconhece a licença de maternidade, o que a obriga, consequentemente, a ter de escolher entre a sua vida pessoal e profissional. «Nunca pensei que a assembleia me dissesse que tinha de escolher entre ser deputada e ser mãe», escreveu num artigo para o The Guardian.

Neste texto, Creasy lamenta que a instituição que regula os deputados, a Associação Internacional de Ciência Política (do original Independent Parliamentary Standards Authority – IPSA), não aceita ou providencia uma licença de maternidade para as mulheres. «A IPSA tem o dever de assegurar que temos os recursos apropriados para conseguir cumprir os nossos deveres parlamentares. Mas diz que não reconhecem que as deputadas tenham uma licença de maternidade», avançou. «Apesar das palavras carinhosas relativamente à maternidade proferidas há dois anos pela IPSA, a situação regrediu. De forma humilhante, obriga-me a implorar que invistam em mais trabalhadores – ou desistir da ideia de passar mais tempo com o meu filho para que os meus constituintes não percam nada», adicionou.

A deputada contou ainda as suas experiências e dificuldades em ter filhos e de como está preocupada com o que poderá acontecer no final da atual gravidez. «Durante o meu primeiro aborto espontâneo, com dores e ainda a sagrar, juntei-me ao protesto para a extradição de um homem que violou e matou um constituinte. No dia a seguir a ter descoberto que o coração de outro bebé tinha parado, liderei um encontro público sobre crime», descreveu Stella. «Agora estou grávida outra vez e assustada – não apenas porque pode voltar a correr mal, mas porque sei que manter a minha vida privada e profissional separada vai tornar-se impossível», concluiu.

Outros casos

Contudo, de acordo com a deputada, este não é um caso isolado. «Outras deputadas que tiveram filhos desde que a IPSA foi criada disseram-me que os seus pedidos foram recusados com base no argumento de que ‘as deputadas não têm direito a licença de maternidade’», declarou. Creasy relembrou ainda o momento em que a sua colega Tulip Siddiq teve de adiar uma cesariana para poder votar na proposta do Brexit e regressar ao trabalho, apenas três dias depois de a fazer.

«Algumas deputadas tentaram passar algum tempo com os seus filhos recém-nascidos por umas semanas, esperando que a sua falta de comparência não fosse notada e que a pilha de cartas não crescesse demasiado, ou implorando aos colegas para as ajudar em alguns trabalhos. Várias acabaram a levar os filhos com elas para os encontros, de modo a poderem alimenta-los, com membros do parlamento a fazerem o papel de babysitters enquanto falam com os representantes», avançou ainda.

O apoio de outros políticos

Depois da publicação do artigo no The Guardian, foram vários os políticos, quer do mesmo partido de Stella Creasy, quer da oposição, que mostraram apoio à deputada. Um deles foi a deputada do Liberal Democrats, Jo Swinson, que, em setembro do ano passado, levou o seu filho de onze semanas para o Parlamento.

Outros seguiram-lhe as pisadas, mostrando-se solidários para com a deputada.