Presidente do Sri Lanka Proíbe a Utilização de Vestuário Que Cubra o Rosto

A medida foi tomada depois dos atentados que marcaram o país no domingo de Páscoa. Por: Inês Aparício -- Imagens: © GTRESONLINE.

Uma semana depois dos atentados no Sri Lanka que vitimaram, pelo menos, 253 pessoas, o presidente deste país, Maithripala Sirisena, proibiu a utilização de qualquer peça de roupa que cubra o rosto. A restrição entra em vigor esta segunda-feira, 29 de abril.

De acordo com a BBC, o niqab (véu islâmico que cobre o rosto, mas deixa os olhos à vista) e a burqa (que cobre todo o rosto e corpo) não foram especificamente nomeados. Ainda assim, o jornal adianta que a medida é dirigida a este vestuário usado por parte das mulheres muçulmanas.

Maithripala Sirisena notou que a cara coberta dificulta a identificação da pessoa, tornando-se, desse modo, numa «ameaça nacional e pública». Assim, recorrendo, segundo a Globo, a um decreto de poderes especiais, avançou com esta lei no passado domingo, 28 de abril.

Críticas e elogios à medida

A proibição do uso da burqa fora já proposta por um deputado na semana passada, por questões de segurança. Também a organização centenária de clérigos muçulmanos, All Ceylon Jamiyyathul Ulama, pediu às mulheres que não utilizassem véus que lhes cobrissem a face, sob o mesmo argumento. Contudo, em declarações à BBC, a organização criticou a decisão do presidente. «É a coisa mais estúpida a fazer. Há três dias, tomamos voluntariamente uma decisão relativamente a esta situação. A All Ceylon Jamiyyathul Ulama solicitou que todas as mulheres muçulmanas evitassem o uso de lenços no rosto por razões de segurança. Se quiserem utiliza-los, não devem sair à rua», explicou. «Não aceitamos que as autoridades interfiram com a religião sem consultar um líder religioso», completou.

Contrariamente, o primeiro ministro, Ranil Wickremesinghe, admitiu não estar contra o veto do uso da burqa, escreve o India Today.

Os ataques que estiveram na origem desta decisão

Esta norma é aplicada numa altura em que o país está em estado de emergência após os ataques realizados no domingo de Páscoa contra três hotéis de luxo e três igrejas cristãs. Destes resultaram pelo menos 253 mortos, incluindo um português, e centenas de feridos, segundo os dados mais recentes das autoridades do país.