Lucrecia Martel Recusa-se a Aplaudir Roman Polanski no Festival de Veneza

O cineasta foi condenado por abusar sexualmente de uma menina de 13 anos e é por outras mulheres. Imagens: © Gtresonline

Lucrecia Martel, presidente do júri do Festival de Cinema de Veneza, revelou esta quarta-feira, 28 de agosto, em conferência de imprensa que não vai estar presente no jantar de celebração do novo filme de Roman Polanski. A realizadora justificou a sua ausência com a conduta criminosa do realizador. Ainda que este já tenha sido julgado por um dos casos, e os outras acusações contra o mesmo ainda não tenham sido provadas.

«Não vou assistir à projecção de gala do senhor Polanski porque represento muitas mulheres que na Argentina lutam por questões como esta e não quereria levantar-me para o aplaudir», justificou Lucrecia Martel.

Apesar do desconforto perante a situação judicial que envolve Roman Polanski, Martel garante que esta sua posição não terá interferência na avaliação do trabalho do cineasta. «A avaliar por alguns relatos feitos após a conferência de imprensa de hoje [quarta-feira], creio que as minhas palavras foram profundamente mal interpretadas. Uma vez que não separo a obra do autor e reconheço imensa humanidade em anteriores filmes de Polanski, não me oponho à presença do filme na competição. Não tenho qualquer preconceito contra ele e certamente olharei para este filme como para qualquer outro da competição. Se tivesse algum preconceito, ter-me-ia demitido das funções de presidente do júri», disse em comunicado de imprensa na noite de quarta-feira, 28 de agosto.

Roman Polanski uma história de abusos

Samantha Geimer foi a primeira vítima conhecida de Polanski e a única que levou o caso a tribunal, em 1977 o cineasta admitiu ter tido relações sexuais com Samantha quando esta tinha penas 13 anos. Em 2010 surgiu outro caso, Charlotte Lewis foi alegadamente forçada a ter uma relação sexual com Polanski quando esta tinha apenas 16 anos. Sete anos depois surgem mais dois casos, ambos de agressões sexuais, as vítimas teriam à data 16 e 15 anos. 

«Um homem que comete um crime desse tamanho, depois é condenado, e a vítima fica satisfeita com o acordo… é difícil julgar. É difícil definir como abordar corretamente pessoas que cometeram certos atos e foram julgados por eles. Acho que esse é um debate da atualidade», afirmou a realizadora, citada pelo jornal Globo.