Queima das Fitas do Porto Vai Ter Um Espaço de Prevenção de Casos de Violação

O Ponto Lilás vai estar no recinto do Queimódromo, no Parque da Cidade do Porto. Por: Inês Aparício -- Imagens: © Federação Académica do Porto.

Os dois casos de alegados abusos sexuais, um no Porto e outro em Braga, divulgados, já em 2017, mostravam que as histórias de assédio e abusos sexuais partilhadas nesse ano não eram uma realidade apenas além-fronteiras ou de Hollywood.

E a reiterá-lo, pouco tempo mais tarde, surgiu um estudo levado a cabo pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) Coimbra que mostrava que 94,1% das mulheres inquiridas teriam sido alvo de assédio sexual, 21,7% de coerção sexual e 12,3% diziam ter sido violadas.

Assim, de modo a impedir a repetição destas situações, a Queima das Fitas do Porto vai disponibilizar um espaço de prevenção de casos de violação sexual e apoio às vítimas. Chama-se Ponto Lilás e estará dentro do recinto do Queimódromo, no Parque da Cidade do Porto, durante a festa dos estudantes, que se realiza entre os dias 6 e 11 de maio.

Esta iniciativa vai ser composta por «uma equipa de pessoas com experiência nos temas da violência de género, mais especificamente da violência sexual e do namoro», explicou Cristiana Vale Pires, pós-doutoranda na Universidade Católica do Porto e membro da Kosmicare, uma das organizações envolvidas na criação do Ponto Lilás, ao jornal Público. Além desta organização, também a Faculdade de Educação e Psicologia da Católica.Porto, UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta e a APi – Associação Plano i se uniram para promover o projeto conjunto da Sexism Free Night (um projecto da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica do Porto), Uni+ e da Eir Porto.

Da festa dos estudantes ao festival de música

Enquanto «iniciativa de proximidade que pretende contribuir para a prevenção de situações de violência sexual em festivais, festas e eventos de lazer noturno de grande dimensão» – como se apresenta no Facebook -, o Ponto Lilás estará também, pela primeira vez, no Nos Primavera Sound.

No país vizinho, este projeto não é uma novidade, tendo contado com ações em festas populares, festivais e eventos académicos. Contudo, de acordo com Cristina Vale Pires, em declarações ao mesmo título, as organizações espanholas «ainda estão a tentar perceber como podem melhorar a intervenção».