Plácido Domingo Foi Acusado De Assédio Sexual Por Mais 11 Mulheres

O cantor lírico declarou que esta é «uma campanha continuada da Associated Press para denegrir» a sua imagem. Por: Inês Aparício -- Imagens: © GTRESONLINE.

Mais onze mulheres acusaram Plácido Domingo de assédio sexual. Depois de, no mês passado, a Associated Press (AP) ter divulgado já nove casos relativos ao alegado abuso de poder do tenor, a mesma agência noticiosa norte-americana voltou a revelar, esta quinta-feira, 5 de setembro, mais relatos de supostas vítimas de comportamentos abusivos do cantor.

Tal como na primeira notícia da AP – em que era exposto que Plácido teria pressionado várias mulheres a manterem relações sexuais com ele, pois, caso contrário, seriam prejudicadas profissionalmente -, a maioria das declarações chegaram de forma anónima, uma vez que as alegadas vítimas estão ainda no mundo da música clássica, pelo que temem represálias.

Angela Turner Wilson foi a única destas onze que avançou o nome. A cantora e professora de canto numa faculdade em Dallas, Texas, na altura com 28 anos, contou que, antes de uma atuação, ainda num camarim que partilhava com o tenor, este se aproximou dela, apertou-lhe os seios por baixo do vestido que usava e saiu. «Doeu. Não foi gentil. Apalpou-me com força», notou, frisando que se sentira «atordoada» e «humilhada» no momento, há 20 anos atrás.

As restantes mulheres relataram que terão sido alvo de toques indesejados, pedidos persistentes para encontros, chamadas tardias e tentativas repentinas de beijos nos lábios.

Alegados casos eram conhecidos nos bastidores

Estas acusações correspondem a testemunhos de membros do departamento de figurinos da LA Opera, que afirmaram que o comportamento do cantor era do conhecimento geral e que a própria administração tinha consciência desse. Uma funcionária referiu que, durante a temporada de 2016/17, um dos colegas lhe explicou que não devia enviar mulheres para os camarins com Plácido Domingo. «O meu coordenador pediu-me que evitasse enviar qualquer tipo de jovem atraente para os bastidores com ele por causa do seu comportamento», notou, sublinhando que o tenor era conhecido por «se aproximar demasiado, abraçar, beijar e tocá-las».

Também Melinda McCain, que era coordenadora de produção da LA Opera na sessão de inauguração, em 1986, afirmou que tentava nunca colocar Domingo nas salas de ensaio com jovens cantoras, mesmo que este pedisse especificamente para o fazer. «Criávamos uns esquemas super elaborados para o deixarmos longe das cantoras. Nunca enviaria qualquer mulher de qualquer tipo para o seu [do artista] camarim», declarou.

Resposta de Plácido Domingo

Ao contrário das acusações anteriores, que não desmentiu – ainda que tenha declarado serem «profundamente preocupantes» e «inexatas» -, o tenor emitiu um um comunicado, divulgado pela sua porta-voz, em que frisa que esta é uma «campanha continuada da AP para denegrir» a sua imagem e que, «não só está errada, como é imoral». «Estas novas acusações estão cheias de inconsistências e, como na primeira notícia, são, em muitos sentidos, simplesmente incorrectas», afirmou Nancy Seltzer, em nome de Plácido. «Devido à investigação em curso, não vamos comentar em pormenor, mas rejeitamos profundamente a imagem enganosa que a AP está a tentar dar do senhor Domingo», completou.

De acordo com o Observador, a Orquestra de Filadélfia retirou, depois da notícia da Associated Press em que Plácido Domingo era acusado de assédio por umas primeiras nove mulheres, o convite ao cantor para atuar no concerto de abertura da temporada, dia 18 de setembro. Além disso, a Ópera de São Francisco cancelou a atuação de 6 de outubro para celebrar os 50 anos da relação do tenor com a instituição.