MDM Denuncia Talho Que Quer Vender Carne Com a Imagem de Uma Mulher Em Biquíni

O anúncio está na montra do talho e faz publicidade a coxas de frango e carne de vitela branca para assar. Por: Margarida Brito Paes -- Imagens: © D.R

Em Vila Nova de Gaia há um talho que está a promover a venda de carne com a imagem de uma mulher em biquíni. Segundo o Movimento Democrático de Mulheres este tipo de publicidade sublima a ideia de que o corpo feminino é uma mercadoria e «ajuda a manter esteriótipos de género, a disseminar e a naturalizar o desrespeito pelas mulheres enquanto seres humanos, desrespeito esse que incita à submissão, ao escárnio e à própria violência contra as mulheres».

A queixa e o pedido de desculpas

A queixa contra o Grupo Carnes Sá da Bandeira, dono deste talho, foi apresentada à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, pelo Movimento Democrático das Mulheres.

No texto apresentado pelo MDM lê-se que «Este tipo de publicidade viola claramente o Código da Publicidade, que no seu Artigo 7.º  proíbe a publicidade que, pela sua forma, objecto ou fim, ofenda os valores, princípios e instituições fundamentais constitucionalmente consagrados, bem como proíbe publicidade que atente contra a dignidade da pessoa humana e contenha qualquer discriminação em relação à raça, língua, território de origem, religião ou sexo». A esta violação acresce outra segundo o movimento feminista: «Viola igualmente o artigo 9.º (Publicidade oculta ou dissimulada) do mesmo Código que veda o uso de imagens subliminares ou outros meios dissimuladores que explorem a possibilidade de transmitir publicidade sem que os destinatários se apercebam da natureza publicitária da mensagem».

O Grupo de Carnes Sá da Bandeira já veio pedir desculpa, classificando o incidente como num «mal-entendido». No entanto o MDM não ficou contente com as declarações exigindo que a publicidade seja retirada e os autores da mesma sejam responsabilizados.  «É tempo de dizer que as mulheres não são mercadoria, não são produtos vendáveis, nem podem os seus corpos ser usados como tal (…)Posto isto, vimos solicitar a intervenção da CIG junto das entidades competentes pela fiscalização e instrução de processos de contra-ordenações para que a publicidade em causa seja retirada e se apurem todas as responsabilidades e consequências de acordo com o estabelecido na Lei», concluí.