Em 2019 Há mais Jovens a Sofrer Violência No Namoro

No entanto, o número de jovens que consideram natural este tipo de comportamento diminuiu face ao ano passado. Por: Inês Aparício -- Imagens: © D. R.

A percentagem de jovens que afirmam ter experienciado algum tipo de violência no namoro é superior à registada no ano passado, revelam os resultados do Estudo Nacional de Violência no Namoro de 2019, levado a cabo pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), com o apoio da Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade (SECI). A subida dos 56% apontados em 2018 para os 58% deste ano mostra a realidade nacional, em dia de São Valentim.

O mesmo estudo – que contou com uma amostra de quase cinco mil jovens de todos os distritos de Portugal, com uma média de idades de 15 anos – indica que 67% dos jovens consideram «natural» algum dos comportamentos de violência. De acordo com a SECI, este é um valor inferior ao registado no ano passado (68,5%), justificado por uma «maior consciência para o problema».

Esta investigação salienta ainda a «elevada prevalência e legitimação de formas específicas de violência», nomeadamente a violência psicológica, exercida, por exemplo, através do controlo das redes sociais, vestuário ou tempo despendido com os amigos.

#NamorarMemeASério

«Quando te lembras da última vez que falaste com a tua amiga», «Quando não gosta que uses maquilhagem» ou «Se a discussão acaba sempre com uma ameaça» são algumas das expressões que surgem nos memes criados de modo a inverter estes valores, considerados «preocupantes» pelos autores do estudo. Estas imagens fazem parte da campanha #NamorarMemeASério, lançada pelo Governo, através da Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade, esta quinta-feira, 14 de fevereiro.

Com o rosto de várias celebridades e influenciadores, como Alice Trewinnard, Diogo Faro, Carolina Torres e Mariana Monteiro, a ação pretende prevenir e sensibilizar os jovens, devido «à forte probabilidade de que as atuais vítimas de violência no namoro se tornarem, mais tarde, vítimas de violência doméstica».

Protestos contra a violência doméstica

Cinco cidades portuguesas recebem hoje, 14 de fevereiro, «protestos ruidosos» contra as agressões no namoro e o silenciamento da violência doméstica. As manifestações promovidas pela rede 8 de março – um coletivo que representa várias organizações feministas, antirraciais e de defesa dos direitos LGBT – irão decorrer no Porto, Braga, Coimbra, Aveiro e Lisboa.

Está ainda prevista uma ação de sensiblilização na Invicta, «por todas [as mulheres] que tombaram, por todas as que sobreviveram, por todas as que vivem este inferno», de acordo com comunicado da organização, citado pelo Diário de Notícias.