Gucci Nomeia Mulher Como Diretora Para A Diversidade, Equidade E Inclusão

Este é um dos passos tomados pela marca depois das acusações de racismo que surgiram este ano. Por: Inês Aparício -- Imagens: © Imaxtree.

Depois de diversas controvérsias despoletadas por acusações de apropriação cultural e racismo, a Gucci anunciou a nomeação de Renée Tirado como diretora da divisão de diversidade, equidade e inclusão. A designação desta é o mais recente passo dado pela marca para responder a uma alegada falta de elementos de minorias éticas na empresa.

O objetivo deste cargo

Renée Tirado irá criar, desenvolver e implementar uma estratégia global para tornar o espaço de trabalho da maison mais inclusivo, assegurando um processo de contratação mais diversificado, assim como as próprias iniciativas da marca. Além disto, esta terá a seu cargo os programas de ensino voltados para a diversidade, como o Cultural Awareness Learning Program, Global Multicultural Design Fellowship Program e Internal Global Exchange Program.

«Faço parte da área que cria conexões humanas a partir das fundações da inclusividade, respeito e diversidade para assegurar que a Gucci continua culturalmente relevante e economicamente competitiva», notou Tirado em comunicado. «Sinto-me honrada por me juntar a uma empresa que coloca estes valores não negociáveis à frente do seu modelo de negócio, não porque é ‘bom tê-lo’, mas porque é uma componente chave da sua estratégia», adicionou.

O presidente e CEO da Gucci, Marco Bizzarri, também se mostrou agradado pela junção de Renée Tirado à equipa.«Esta nomeação é fundamental para cimentar o nosso compromisso e apoiar as iniciativas que temos já a decorrer. Estou confiante de que a Renée nos irá ajudar a criar a mudança significativa que queremos ver não apenas na nossa empresa como na indústria da moda».

Acusações de racismo que terão levado à criação do cargo

Já em fevereiro, a marca foi alvo de controvérsia por ter uma peça que remetia para as caricaturas de rostos negros (do original, blackface) usadas para denegrir a imagem desta comunidade, em especial durante o século XIX. A peça em causa, uma camisola preta, de gola alta, que cobria metade do rosto, como se de uma balaclava se tratasse, com um corte na zona da boca rodeado a vermelho, foi posteriormente retirada das lojas.

Apenas dois meses depois, a maison esteve novamente debaixo dos holofotes, desta vez acusada de apropriação cultural, devido a um acessório de cabeça semelhante a um turbante, pertencente à mesma coleção da peça anterior.