Numa Empresa Russa, As Mulheres São Pagas Para Usar Saias Ou Vestidos Curtos

Estas recebem um bónus de €1,35 por dia se vestirem estas peças no trabalho. Por: Inês Aparício -- Imagens: © Imaxtree.

Na Rússia, uma empresa produtora de alumínio organizou uma «maratona da feminilidade». Porquê? O diretor da empresa, Serguey Rachkov, considerava exisitirem «confusões nos papéis que cada género deve assumir». De acordo com o El País, a Tatprof oferece, deste modo, um bónus de €1,35 às funcionárias que escolham uma saia ou vestido para trabalhar. O mesmo acontece para as que prefiram uma maquilhagem discreta, que vá ao encontro dos «padrões tradicionais da beleza feminina».

O objetivo desta medida, que beneficia as mulheres que utilizem saias ou vestidos, que não devem ter mais que «cinco centímetros abaixo do joelho», é «alegrar os dias de trabalho», explicou Anastasia Kirillova, chefe do departamento de cultura e comunicações internas, à estação de rádio Govorit Moskva. «A nossa equipa é formada por 70% de homens. Este tipo de campanhas ajuda a desconectar, a descontrair. É uma excelente maneira de unir a equipa», esclareceu. Além disso, esta iniciativa serve para escolher uma «modelo» para as restantes trabalhadoras.

As reações a esta campanha foram contrárias às esperadas pela empresa, já que as vozes de contestação e acusações de sexismo não tardaram a surgir. Uma reação inesperada para a empresa que  vê esta iniciativa como um modo de consciencializar o género feminino para o seu papel na sociedade. «Grande parte das mulheres veste, automaticamente, calças. Por isso, esperamos que [a iniciativa] aumente a consciência das nossas mulheres, permitindo que sintam a sua feminilidade e elegância, quando escolhem vestir uma saia ou vestido», explicou Kirillova aos órgãos de comunicação da Rússia. «Agora é verão, por isso a campanha é útil», concluiu.

Para participar na «maratona da feminilidade», que começou a 27 de maio e prolongar-se-á até ao final deste mês, as funcionárias devem enviar uma fotografia, que prove que utilizaram roupa e maquilhagem de acordo com as normas, para o departamento que colocou esta iniciativa em ação. Contudo, existe uma exceção para as trabalhadoras que tenham um uniforme obrigatório. Estas podem captar uma imagem de como chegaram ao trabalho e, posteriormente, mudar para o uniforme regulamentar. A empresa tem 550 funcionários, dos quais 149 são mulheres, e, nos três primeiros dias da campanha, 60 destas já haviam participado.

De bónus por usar saias a hambúrgueres vitalícios

Esta não é a primeira vez que uma empresa russa promove campanhas consideradas sexistas. Aquando do Mundial 2018, o Burger King deste país ofereceu três milhões de rublos (o equivalente a 40 mil euros) e hambúrgueres vitalícios às mulheres que engravidassem de um dos jogadores deste campeonato de futebol. Posteriormente, a campanha publicitária foi retirada e um pedido de desculpas emitido.

Regalias semelhantes no Oriente

Já na China, os bónus não são atribuídos ao género feminino para usarem saia no trabalho. E, em vez de dinheiro, é concedida uma licença para que as mulheres com mais de 30 anos possam procurar marido. As trabalhadoras de duas empresas no sul de Shangai têm direito a mais oito dias de férias, além dos previstos para celebrar o Ano Novo. E caso consigam, efetivamente, dar o nó até ao final do ano, a empresa dá-lhe ainda o dobro do seu bónus anual.