Casamento Infantil e Morte No Parto: A Realidade Feminina dos Últimos 50 Anos

O relatório é do Fundo da Nações Unidas para a População Por: Margarida Brito Paes -- Imagens: © D.R

Há 50 anos era muito fácil casar ainda criança, muito difícil conseguir contraceptivos e quase certo morrer durante o parto. Esta realidade nunca deveria ter existido, mas já que aconteceu devia ser apenas parte do passado. Infelizmente a verdade é outra. Apesar dos progressos feitos em muitos países, a falta de escolha das mulheres, sobre a sua vida, a sua família e a sua saúde, é ainda demasiado comum em diversos países.

Uma verdade devastadora

Segundo os dados recolhidos pelo estudo da UNFPA, estima-se que cerca de 800 milhões das mulheres vivas hoje, casaram antes dos 18 anos. Outros dados mostram que todos os dias cerca de 500 mulheres, em países subdesenvolvidos, morrem na gravidez por falta de cuidados de saúde. Também revelam que uma em cada cinco refugiadas em abrigos humanitários diz já ter sofrido violência doméstica.

O mesmo relatório reporta ainda que o medo do abuso e exploração sexual leva muitas famílias a entregarem as suas filhas, ainda crianças, a homens mais velhos para que estas se casem, na esperança de que assim estejam mais seguras. O casamento infantil é uma realidade para 60% das mulheres em países como o Bangladesh, o Chade, a Etiópia ou a Guiné.

Novas estatísticas, mas não menos preocupantes

Este estudo vai mais longe e além dos dados que são normalmente avaliados, a UNFPA analisou ainda o empoderamento feminino em três vertentes fundamentais: o consentimento na relação sexual conjugal, a contracepção e a saúde genealógica e natal. Avaliados estes parâmetros chegou-se à conclusão que nos 51 países questionados apenas 57% das mulheres tem poder de decisão nestes três parâmetros.

Os dois países em que as mulheres têm mais independência sexual e reprodutiva são a Ucrânia e as Filipinas (81%). Já aqueles onde mais direitos lhes são negados nesta áreas são: o Mali, Nigéria e Senegal, com apenas 7% de mulheres com uma palavra a dizer sobre a sua vida sexual reprodutiva.

Nem tudo é mau

Apesar dos dados serem preocupantes, os últimos 50 anos representaram uma grande evolução na realidade feminina nestas áreas. Em 1969 apenas 24% das mulheres tinha acesso e escolha sobre o uso de contraceptivos, um número que subiu para 58% nos dias de hoje, sendo que nos países de envolvidos passou de 1% a 38%. Também o número de mulheres mortas em consequência da gravidez diminuiu de 369 em cada mil partos (1994) para 216 a cada mil em 2015.