A Pampa, O Restaurante Que É Também Uma Galeria De Arte Onde Os Dias São Longos

Das 9h às 2h da manhã, pode comer, ver uma exposição, dançar ou fazer ioga. Por: Inês Aparício -- Imagens: © D. R.

As grandes janelas que contornam A Pampa deixam espreitar quem aí passa. Muitos moradores chegam mesmo a parar, encostar-se aos vidros e comentar as diferenças visíveis entre o que antes habitava o espaço e no que se tornou aquela esquina da Praça das Flores, em Lisboa. De um talho, fez-se um restaurante que chega a ser também bar, sala de exposições, loja de música e discoteca, e onde só entram alimentos da época.

Dentro d’A Pampa, não há dúvidas de que a outra vida do espaço ficou para trás das costas. Aliás, quem desconhece a história, nunca a imaginará pelo ambiente envolvente. As diferentes espécies de plantas que decoram o espaço parecem uma extensão do exterior, onde as frondosas árvores enchem a praça. E este aparente prolongamento da rua foi efetivamente um dos objetivos de Clara Silva, a luso-francesa que decidiu regressar a Portugal para abrir este local híbrido. «A minha ideia era ter tudo aberto – daí termos tantas janelas -, de modo a parecer uma continuação da praça, com todas as plantas e flores. Por isso é que escolhemos ‘pampa’, que é a vegetação da América do Sul», explicou à ELLE.

Mas mais do que querer um espaço aberto e cheio de plantas, a proprietária desejava simplesmente ter um espaço em Lisboa. «Iniciei um negócio há cinco anos em Paris, com o meu irmão, e o sonho sempre foi vir para Portugal e criar alguma coisa», contou. «Por isso, trabalhámos imenso e quando encontrámos um espaço vazio de que gostávamos decidimos arriscar», adicionou.

Nas suas visitas regulares à cidade das sete colinas, onde passava férias algumas vezes por ano, apercebeu-se de que não existiam espaços que unissem a comida à arte e, desse modo, decidiu trazer esse conceito da capital francesa para a portuguesa. «Todos os anos venho a Lisboa, duas ou três vezes por ano, por isso conheço os bares e os restaurantes, e por vezes sinto que os bares, restaurantes e galerias são separados. Assim, decidi criar um espaço onde isto estivesse tudo junto, porque adoro esse tipo de locais», revelou.

Dias longos

Além dos pequenos-almoços, almoços, lanches e jantares, é servida arte. Não literalmente à mesa como nessas refeições, mas ao longo do espaço. E do dia. Exposições de artistas emergentes cobrem as paredes da sala, enquanto discos de vinil são apresentados para venda no andar superior. Existem ainda aulas de ioga e momentos de meditação que, tal como o resto da programação, é comunicada através das redes sociais do restaurante.

Aos sábados, depois das 22 horas, as cortinas são fechadas, as mesas afastadas para os lados e os ritmos do hip-hop, jazz, eletrónica e das músicas do mundo levados pelo DJ residente para espaço. Nem precisa de pensar onde vai acabar a noite, porque é certo que não vai sair d’A Pampa.

Sempre fresco, sempre natural

Contudo, o foco d’A Pampa é, obviamente, a comida. O menu vai variando consoante a época do ano, uma vez que existe uma preocupação em apresentar produtos sazonais de produtores selecionados na zona de Lisboa e arredores. «Nós trabalhamos apenas com produtos da época, por isso o menu vai mudando. Os consumidores podem ter diferentes experiências a cada mês, porque trabalhamos com quintas da zona de Lisboa. Deste modo, se não tivermos um produto, continuamos a trabalhar com outros», notou. «A ideia do espaço é acompanhar as temporadas e ir mudando o menu de acordo com os produtos disponíveis».

Um menu para partilhar

A Pampa é um dos restaurantes aos quais vai querer levar os amigos, pedir vários pratos e experimentar o máximo de opções possível. Clara Silva frisa que a ideia é essa mesma: partilhar as diversas possibilidades que compõe a ementa, preparadas pela chef, russa, que leva um pouco da sua origem para os pratos.

Ainda que o menu vá mudando trimestralmente, de momento pode provar a burrata com ervilhas de vagem, raspa de limas e batatas fritas de rutabaga (€6), o ravioli de caranguejo com um caldo cremoso e folhas de mostarda (€8) ou ainda as raízes assadas, um prato vegetariano constituído por beterraba, cenoura, agrião e queijo fresco cozinhado em sal (€5). Para terminar a refeição, pode optar pela mousse de chocolate com frutos vermelhos ou o gelado com frutos secos, que variam consoante a inspiração do chef. Ambas têm um custo de €3,5.

Já o que não é para partilhar (nem vai querer que isso aconteça) são os cocktails. Além dos clássicos, como mojito manjericão ou margarita, existem cocktais de autor como o Rosa Morena (gin, pepino, manjericão e lima), Samba de Verão (gin, menta, açúcar de cana, arando e lima) ou Chega de Saudade (whisky, amaretto, limão, clara de ovo e casca de laranja).

A Pampa está aberta de terça-feira a domingo, das 9h às 2h da manhã.