16 Cantoras Para Por na Playlist e Ouvir Em Repeat a Partir de Hoje

16 mulheres. 16 cantoras. 16 vozes emergentes no panorama musical que queremos ouvir agora. Por: Carolina Adães Pereira e Lígia Gonçalves -- Imagens: © D. R.

São as vozes que temos na cabeça. São as autoras das músicas que cantamos constantemente em surdina. São o fado e o flamenco de sempre. São o R&B e o grime que nos agita o corpo.São pop fresco e rap de intervenção. São 16 cantoras que não queremos parar de ouvir. São 16 mulheres a trazerem novidade à indústria musical. Esta é a playlist que temos em repeat.

Stefflon Don

O título de rainha do grime atribuído pela revista ID assenta-lhe na perfeição. Apesar do seu som flutuar entre o dancehall e o rap, a abordagem de Stefflon Don à sua música é impactante, é relacionável e é sentida. E sim, não deixa ninguém indiferente. Com o número de colaborações a aumentar – desde Jeremih em 2016 a Luis Fonsi no verão – e a presença na shortlist dos Brit Critics Choice Awards 2018 (na primeira seleção totalmente feminina), a MC inglesa está a fazer o seu percurso como comprova a sua última mixtape Secure e, ao mesmo tempo, a abrir caminho para as mulheres na cena do grime.

H.E.R

Ou Having Everything Revealed por extenso, também conhecida por Gabriella Wilson. O nome artístico ajudou-a a proteger a sua identidade numa fase inicial para que o foco fosse apenas na sua música. Resultou: a voz melodiosa conquistou todos que a ouviam (Rihanna incluída), mas também estimulou a especulação sobre a aparência da cantora de R&B. Hoje, já está tudo à mostra e somos prova de que o entusiasmo pela sua música não diminuiu por isso.

Jorja Smith

Blue Lights, a música que em 2018 seria o primeiro single oficial de Jorja Smith, foi publicada no SoundCloud quando Jorja ainda tinha16 anos. Aquela balada com um sample de Sirens de Dizzee Rascal, transformou-se quase num hino de alerta sobre a brutalidade da polícia contra as comunidades de origem africana no Reino Unido. Ninguém lhe ficou indiferente. Drake certamente que não ficou até porque convidou logo Jorja para participar no seu álbum More Life (2017). O mesmo aconteceu connosco, que ainda não acreditamos que Jorja faltou ao Super Bock Super Rock 18 para apresentar o seu primeiro álbum, Lost & Found, em solo nacional.

Sara Correia

Pode já se ter cruzado com Sara Correia numa casa de fados em Lisboa. Afinal, apesar da aparência jovem, os anos e a experiência já se fazem notar na sua voz e na segurança com que se apresenta e com que canta o Fado. Isso e o facto de ter ganho a Grande Noite do Fado com apenas 13 anos. Agora, chegou o momento de nos presentear com o seu primeiro álbum, editado pela Universal, que aguardamos expectantes.

Robinson

Se procurar por Robinson no Instagram, o número de seguidores até parece mentira. Porque não faz justiça ao talento da cantora da Nova Zelândia nem ao seu pop ritmado e triunfante, nem às mais de um milhão de visualizações no videoclipe de Nothing to Regret no Youtube. Aqui tem a sua oportunidade de dizer que conheceu Robinson antes dela ser super popular. Pode agradecer-nos mais tarde.

Rosalía

Numa cena do mais que genial videoclipe de Pienso En Tu Mirá, Rosalía, de fato de treino, cabelo preso num coque bem no topo da cabeça e olhar desafiante, ergue-se entre um grupo de homens que lhe aponta armas à cabeça. Com a mesma impetuosidade com que voltou a erguer o amor mundial pelo flamenco. A cantora espanhola de 25 anos não é só uma sensação, é a nova voz e a nova imagem de um género musical de sempre. O seu segundo álbum, El Mal Querer, está previsto ainda para este ano.

Annia

É provável que muitos (não nós) descartem Chuva, a mais recente música de Annia, para um patamar onde não merece estar. Não deviam. Primeiro, porque Chuva não é só mais um som, é a certeza que estamos perante uma voz que tem o potencial de redefinir o R&B nacional. Segundo, porque há referências na letra ao Umbrella de Rihanna e ao Set Fire To The Rain de Adele (como não amar?). E, terceiro, porque fala de uma mulher sem pudor de assumir a sua sexualidade, os seus desejos e o seu corpo, uma tríade ainda pouco habitual de ouvir na voz de uma mulher portuguesa. Assinada pela Sony Music, Annia está neste momento em estúdio a trabalhar no primeiro álbum e nós estamos à espera dele.

Sigrid

A cantora norueguesa é como uma lufada de ar fresco. Pode parecer cliché, mas é verdade. A sua simplicidade e ar de menina fazem com que seja difícil acreditar que já tem 21 anos. Podíamos falar da sua voz incrível (tanto em estúdio como ao vivo), mas preferimos focar-nos no essencial: a sua música. Sem fogos de artifício desnecessários, o seu trabalho revela uma maturidade e honestidade refrescantes. Em Raw, a música que empresta o nome ao seu último EP, Sigrid avisa-nos que é péssima a fingir, que quer ser mesmo assim, crua, e não pede desculpas por ser ela própria. Nem precisas, Sigrid. Nós gostamos de ti assim.

MAR

Mar é R&B e eletrónica, é um beat que vicia e uma voz que fica, é a arrogância da juventude e a ostentação de quem já se sente segura. É a miúda cool que queremos conhecer e a artista que queremos ter em repeat no Spotify. Be Like, o primeiro single editado sob a chancela da Sony Music é obviamente uma profecia que o som de Mar não vai ficar escondido nas ondas da Internet muito mais tempo. Inevitável para uma artista que ainda que tenha nascido em Portugal, pertence ao mundo.

Sabrina Claudio

Como muitas das histórias dos nossos dias, também a de Sabrina Claudio começou na internet, mais precisamente no SoundCloud, onde publicou o seu primeiro EP, em 2016. Daí até conquistar o mundo com melodias hipnotizantes que oscilam com doçura entre o R&B e o pop não demorou. Em 2018, depois de ter uma música sua integrada na banda sonora do último filme da saga 50 Sombras de Grey, acaba de lançar o seu segundo álbum que é tão fresh como ela.

Mynda Guevara

Mynda Guevara traz a revolução na voz e no apelido, que foi buscar apropriadamente a Che Guevara. Filha de pais cabo-verdianos e criada na Cova da Moura, Mynda é a gladiadora pela qual ansiávamos e a revolucionária à qual juramos fidelidade sob a bandeira do feminismo. Sobretudo porque Mynda não sabe ser indiferente: nos seus versos há combate político e luta pela igualdade de género. O último single, Ken Ki Fla, é o hino de empoderamento feminino que fazia falta ao rap nacional.

King Princess

Autoproclamada Rei e Princesa, a americana Mikaela Straus está aqui para nos lembrar porque é que gostamos tanto de pop: voz que encanta, melodia viciante, e mensagem poderosa. Com a temática dos direitos LGBTQ sempre presente, a princesa do pop atual é também a voz de uma geração e de um grupo que sempre se viu menos representado nas histórias de amor. Straus, que a propósito está a produzir o seu primeiro álbum com o mais que certificado Mark Ronson, já está a mudar esse padrão. Não faltam motivos para a ouvir. Comece com 1950, o single de estreia.

Mahalia

Diretamente de Birmingham para nos envolver. Sim, não há outra forma de explicar o que Mahalia faz com as suas músicas. Começamos por falar da sua voz, que é irrepreensível, mesmo com aquele timbre ligeiramente rouco quando canta ao vivo. Focando agora nas suas letras, que têm tanto de verdade como de intemporal, não conhecem género nem idade. Qualquer pessoa que ouve, mesmo quando não conhece, para para ouvir e sente a ligação. Quer dizer, quem nunca teve aquele ex que insiste e persiste e nem dá tempo para ter saudades dele? E quem conseguiria pôr isso numa música, assim, de forma direta? Esta miúda aqui.

Elisa Rodrigues

Para quem conhece Elisa, este ano e este álbum apareceram quase como um desabafo, daqueles tipo “estava a ver que nunca mais chegavas”. Isto porque a cantora de jazz andou meia desaparecida desde o lançamento do seu álbum com Júlio Resende (Heart Mouth Dialogues, 2011), pelo menos para o público português. Este ano volta com um novo trabalho com a chancela da Universal, As Blue As Red, e só com músicas originais.

April Ivy

Numa homenagem assumida a Frida Khalo – o videoclipe até foi lançado no dia em que, se estivesse viva, a pintora mexicana faria 111 anos – April Ivy volta com uma música que pretende ir além da melodia e da letra. Frida é uma mensagem de empoderamento feminino e de ter uma voz que existe para ser ouvida. Pode até parecer inesperado que a cantora de 19 anos tenha algo desta temática no seu portfólio, depois das primeiras músicas que nos apresentou há uns anos, mas ao ouvir April Ivy a cantar percebemos que faz todo o sentido.

Mabel

A árvore genealógica de Mabel não podia ser mais incrível: é só filha da brilhante Neneh Chery e de Cameron McVey, produtor dos Massive Attack, Sugababes, Portishead, entre outros. Mas, não foi pelo trabalho dos pais que Mabel conquistou lugar cativo na nossa playlist do Spotify. Foi pelo seu R&B, que evoca Brandy e Aaliyah e que oscila entre as melodias mais dançáveis de Finders Keepers (cujo videoclipe foi, a propósito, gravado em Lisboa) e a pulsação emocional de Thinking of You. Em 2017 lançou a mixtape Ivy to Roses e está atualmente a trabalhar no seu álbum de estreia.

 

Este artigo foi originalmente publicado na ELLE de outubro de 2018.