Como Evitar o Tech Neck, Um Problema Estético Que Pode Piorar Com a Quarentena

Há (pelo menos) uma linha que separa o rosto do corpo e a culpa do seu aparecimento precoce é o telemóvel. Por: Carolina Adães Pereira Imagens: © Imaxtree

Se lhe falarmos em pescoço, qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça? Se esta pergunta fosse realizada há umas décadas, a resposta passava pelo mundo da fantasia, com uma referência certeira ao beijo do vampiro. Afinal, é esta a zona que os seres que não veem a luz do dia, tanto na literatura como nos filmes de Hollywood, escolhem para sugar o sangue das suas vítimas; porque é uma zona erógena, sensualizando um ato que tem um propósito final e também porque é na parte lateral do pescoço que passa a veia jugular, sendo o local de mais fácil acesso no corpo humano para executar um ataque.

Acreditamos que a resposta nos dias de hoje é outra, algo que se encaixe mais na categoria das dores no pescoço, um mal comum do século XXI. Se lhe perguntarmos qual foi o último dia em que não ouviu alguém a queixar-se de sentir dores na parte de trás do pescoço, vai ser muito difícil conseguir precisar, mas arriscamo-nos a dizer que foi na altura que antecedeu o aparecimento dos telemóveis. Sim, os dispositivos móveis que nos permitem estar em contacto com o mundo 24 horas por dia e que nos fazem andar com o pescoço permanentemente fletido.

Tech Neck

O resultado desta conexão é normalmente conhecido como tech neck. Não só se refere aos problemas de postura, e dores de cabeça fortes como consequência – que podem e devem ser corrigidos com determinados exercícios físicos – mas esta condição também tem um impacto a nível cosmético. «A consequência deste hábito é o envelhecimento acelerado da pele fina e delicada do pescoço, com o aparecimento de rugas horizontais e flacidez cutânea», conta-nos Helena Toda Brito, dermatologista. Não que ter rugas seja um problema, mas, para termos uma noção, este tipo de sinais de envelhecimento costumavam aparecer por volta dos 40 anos. Neste momento, jovens na casa dos 20 já têm rugas no pescoço devido ao tempo que passam com a cabeça inclinada para baixo, desconfia‐se.

Como evitá-lo

Claro que o uso excessivo do telemóvel não pode ser o único culpado pelo desenvolvimento precoce de rugas no pescoço. Há formas de prevenção e de retardamento do seu aparecimento. «Em termos de prevenção, a medida mais importante seria corrigir a postura que adotamos quando utilizamos os dispositivos móveis, evitando a inclinação repetida e prolongada da cabeça para baixo», destaca a dermatologista. «Já ao nível tópico, é aconselhável aplicar diariamente um protetor solar com fator de proteção igual ou superior a 30, que proteja contra as radiações ultravioleta A e B e também contra a luz visível emitida pelos ecrãs destes aparelhos», lembra‐nos Brito.

Este ponto mencionado pela dermatologista leva-nos a uma reflexão bastante curiosa: numa altura em que o skincare se transformou numa tendência tão forte – muito por causa da influência asiática, principalmente com a rotina dos dez passos, originária na Coreia do Sul –, é interessante perceber que estes cuidados são apenas aplicados ao rosto, independentemente de serem de limpeza ou de tratamento. Já quando pensamos em cuidados de corpo, os mesmos também não são aplicáveis ao pescoço. Ou seja, normalmente, a zona do pescoço é negligenciada no que toca aos cuidados de tratamento.

Os seus novos BFF

Se se reviu nesta reflexão, pode começar já a contrariar a situação. Há opções com fórmulas específicas para esta zona, na categoria de antienvelhecimento, que pode facilmente incorporar no seu regime de skincare diário, mas tente dar preferência a produtos com ingredientes como «retinoides, ácido glicólico, vitamina C, péptidos, por exemplo», aconselha a dermatologista, «para ajudar a manter a pele mais firme e jovem».

A inclusão de produtos específicos para o pescoço pode ajudar em termos de textura e atenuar os sinais de flacidez, principalmente quando a sua aplicação for acompanhada por uma massagem de alguns segundos, em movimentos ascendentes desde a zona da clavícula até ao queixo. No entanto, lembra Helena Toda Brito, se é daquelas pessoas que querem ver resultados rápidos e duradouros, há opções cosméticas mais avançadas que, consoante cada um, podem ser opções a ponderar.

Resultados mais rápidos

O preenchimento com ácido hialurónico é um dos exemplos dados pela especialista. «Na presença de rugas horizontais muito marcadas, esta opção possibilita uma melhoria imediata do seu aspeto», explica à ELLE. Se pretende atenuar as rugas existentes e, ao mesmo tempo, prevenir o aparecimento de novas rugas, «opte pelas injeções de toxina botulínica (vulgo “botox”) nos músculos superficiais do pescoço (platisma)», aconselha Helena Toda Brito. «O botox permite ainda melhorar a flacidez desta região», acrescenta a dermatologista. Se prefere evitar agulhas, também existem tratamentos de laser, «como o laser CO2 fracionado» e os procedimentos não invasivos, como radiofrequência e ultrassons,«que atuam através da estimulação da produção de colagénio pela pele, que leva a uma melhoria progressiva do aspeto das rugas», conclui a especialista.

Embora os recursos tecnológicos e cosméticos para ajudar a tratar o tech neck estejam à nossa mercê, a solução que lhe vai trazer mais qualidade de vida é a correção da sua postura e a diminuição do tempo de utilização do telemóvel. Uns minutos por dia, apenas, são suficientes. Mas, numa altura em que a utilização destes dispositivos é maior do que nunca, partilhamos na galeria, em cima, algumas sugestões de produtos para incluir na sua rotina de skincare e começar já a tratar do seu pescoço.

 

 

 

Este artigo foi publicado originalmente na ELLE de outubro de 2019