Irina Shayk: «Não acredito que a maternidade te obrigue a mudares o teu estilo»

Jean Paul Gaultier trouxe para a sua equipa um reforço de peso. Que na verdade, é leve. Mas impactante. Por: Carolina Adães Pereira -- Imagens: D.R.

Se há coisa que Irina Shayk conhece é um escândalo. Depois de anos a viver exposta aos olhares curiosos do público, é a forma serena, discreta, firme e com poucos sorrisos como se apresenta sempre que nos atrai na modelo russa. Posto isto, a escolha da manequim como o rosto (e as pernas) do novo Scandal pela Jean Paul Gaultier parece-nos óbvia. Falámos com Irina Shayk, em Paris, no lançamento da eau de toilette Scandal à Paris, sobre aquilo que separa (e que une) o que é profissional e o que é pessoal.

ELLE: Conhecemos a Irina na Sports Illustrated. Como é que foi o início da sua carreira?

Irina Shayk: Comecei a minha carreira quando tinha 20 anos, o que é relativamente tarde, como modelo de swimwear e da Intimissimi. Foi um início muito interessante porque, normalmente, quando começas mais nova e estás a dar os primeiros passos, fazes desfiles, alta-costura, editoriais, e só depois é que chegas aos fatos de banho. A minha carreira foi o oposto. Comecei logo com os fatos de banho e só depois cheguei à alta moda. Sinto-me muito afortunada por ter conseguido chegar onde cheguei porque nem toda a gente, na moda, tem a oportunidade de fazer este percurso. Quando começas a fazer swimwear, ficas logo com esse rótulo. Tenho muita sorte por ter as pessoas certas na minha vida, como Ricardo Tisci, Donatella Versace, Mert [Alas] e Marcus [Piggott] e Steve Maisel, que viram algo em mim. Quer dizer, agora, aos 33 anos, sou o rosto de uma fragrância do Jean Paul Gaultier, que admiro desde o início da minha carreira.

ELLE: É possível destacar apenas um trabalho como favorito?

I.S.: Pode parecer mentira, mas sinto-me muito realizada com todos os meus trabalhos, independentemente de ser alta moda ou um catálogo. Tento sempre dar o meu melhor, porque quando as pessoas te contratam é porque acreditam em ti. Como retribuição, tens mesmo de dar tudo o que tens, independentemente de que marca for.

ELLE: A maternidade teve impacto na sua forma de estar, na forma como gere a sua carreira ou no seu trabalho de voluntariado?

I.S.: Não, não acredito que a maternidade te obrigue a mudares o teu estilo pessoal. Acredito que temos de nos manter fiéis à nossa personalidade. Em relação ao voluntariado, eu e a minha irmã começámos este projeto na vila onde nasci e cresci, num hospital local. Quando começámos, não tínhamos pretensões de que fosse algo com muita dimensão. A vida devia ser apenas sobre relações e partilhas. Devemos sempre lembrar-nos de retribuir o bom que temos e que recebemos.

ELLE: Como se encontra o equilíbrio entre o que é privado e o que é público nas redes sociais?

I.S.: Penso que é uma escolha pessoal. Não tenho nenhum plano ou segredo. Sem qualquer tipo de julgamento para quem escolhe partilhar. Mas, é mesmo uma questão pessoal. Tentar ser fiel ao que te é confortável.

ELLE: Foi descoberta numa escola de estética e agora está a fazer uma campanha de beleza. Sente que esta oportunidade é quase o fechar de um círculo perfeito?

I.S.: Nunca sonhei ser modelo. Agora que sou o rosto de uma fragrância como Scandal de Jean Paul Gaultier, sinto que é muito diferente de trabalhar com moda e roupa, porque estamos a comunicar um aroma. É mais sobre a personalidade e o carisma. Tudo se resume à nossa conexão com o perfume. Foi por isso que senti uma ligação forte com Scandal, porque não é só sobre empoderamento feminino, também é sobre mim, sobre eu poder ser eu. Esta oportunidade é a combinação de todas as minhas etapas de vida. Não é só sobre eu ter sido descoberta na escola de estética e agora estar a fazer campanhas de beleza, é quase como a evolução da minha carreira toda.

ELLE: Falando de Scandal à Paris, esta é a primeira eau de toilette da família. O que acha desta fragrância?

I.S.: Em primeiro lugar, é um perfume que não te tira a personalidade. É uma nuvem de fragrância onde podemos ser nós próprias. Para mim, um perfume tem de ser leve, tem de se adaptar ao corpo de cada um. Em primeiro lugar, adoro o nome: Scandal. Quem não quer ser o rosto de um escândalo? O packaging é fantástico, muito parisiense. E adoro conseguir ver o perfume em si por o vidro ser transparente.

ELLE: Qual é a sua preferência em aromas?

I.S.: É um aroma mais leve, sim. Penso que cada perfume é especial, mas não posso dizer que não prefiro o meu Scandal [risos], que é mais leve. Sou uma pessoa que gosta muito de usar aromas leves. Neste perfume em específico, a nota de pera é-me muito familiar porque me faz recordar a minha infância, de estar no jardim da minha casa na Rússia. As fragrâncias são muito pessoais e é muito bom ter encontrado algo que me remete para a minha infância, que faz com que me ligue a um nível diferente a este perfume.

ELLE: Como é que lida com um escândalo?

I.S.: Sendo eu própria.