Como Aproveitar as Festas Natalícias Sem Peso na Consciência

No Natal, o número de jantares e eventos multiplica-se, quer em datas como em quantidade de comida. Por: Carolina Adães Pereira -- Imagem: © D.R

Ao ler estas palavras, é provável que já tenha recebido o primeiro convite para um jantar de Natal. O save the date para a festa da empresa? Talvez a primeira mensagem daquela sua amiga a inaugurar o grupo do Whatsapp para mais uma edição da lendária Christmas Party com o pessoal do costume? Com datas a serem jogadas de um lado para outro e a agenda a começar a ficar preenchida até ao dia 25 de dezembro, há vários desafios que nos vêm pôr à prova.

Em primeiro lugar, a gestão da agenda: pode parecer simples porque esta é a época mais maravilhosa do ano, mas também é quando o tempo passa a voar. Jantares, almoços, festas e – já a entrar no desespero – pequenos-almoços com grupos de amigos, colegas de trabalho e até apenas conhecidos; escolher os presentes para os mais próximos e as reuniões familiares, além do dia a dia e da vida em geral.

Em segundo, a comida. Mais precisamente, a dieta. O mês de dezembro revela-nos dois tipos de pessoas: aquelas que têm uma dieta alimentar resultante de um estilo de vida equilibrado e, como tal, não se deixam tentar por doces e excessos natalícios; e aquelas que declaram que vale tudo no amor e na guerra e no dia um de janeiro começa um novo ano – e com ele, de uma vez por todas, uma nova dieta que desta vez vai ser mesmo a sério.

«As emoções estão sempre ligadas ao sabor.
A alegria está ligada ao sabor doce.
O sabor a açúcar faz-nos logo entrar no espírito de dezembro»

 

Este ano, queremos mudar o paradigma e rejeitamos a ideia de sermos apanhadas desprevenidas. Como tal, decidimos ser racionais com esta situação e perceber como é que podemos sobreviver às festas sem prejudicar a nossa alimentação e a nossa consciência. «As emoções estão sempre ligadas ao sabor. A alegria está ligada ao sabor doce. O sabor a açúcar faz-nos logo entrar no espírito de dezembro: de descontração, de prazer, de compartilhar, de bons momentos», explica-nos Margaret Rosania, health coach fundadora do Wellness Nest, Siendo Art of Being.

«O sabor doce vai aumentar a nossa vontade de nos querermos entregar por completo à celebração das festas. Deixamo-nos convencer de que é apenas um mês no ano e que vamos fazer tudo o que não podemos fazer nos restantes 11 meses». Ou seja, o Natal e o mês dezembro como um todo são o momento do ano em que nos sentimos em comunhão e focadas em celebrar. Sim, lá se foi o racional. Temos mesmo que aceitar que é essencialmente emocional.

Um mês de excessos alimentares

Então, se essa alegria nos pede um doce, a culpa é dela! Mas porquê esta época em específico? Porque temos muitos eventos e todos eles acontecem à volta de uma mesa farta e com um copo de vinho a acompanhar? Também, mas principalmente pela necessidade do ser humano de organizar a vida em conceitos. Por exemplo, o calendário. Sendo o sistema gregoriano o mais comum, temos um ano dividido por 12 meses e regemo-nos mês a mês durante um ano, quando na verdade devíamos estar «a falar da nossa vida. É mais um mês da nossa vida», lembra Rosania.

Estamos tão fixados em cumprir metas que perdemos o foco do todo e do equilíbrio necessário. «Temos de encarar a nossa vida de uma forma mais integrada, precisamente para que, quando o mês de dezembro chegar, seja uma continuidade das emoções que vamos administrando durante todo o ano», remata a health coach.

 

«Temos que saber como manter o nosso estilo de vida nas situações que não dependem de nós, independentemente do ambiente»

 

Trata-se, portanto, de um trabalho contínuo de autoconhecimento, quase de namoro consigo mesma. E para conseguirmos estimular esta relação que temos connosco, temos que repensar algumas bases. «Quando falamos de dieta, o nosso conceito é muito restrito, muito limitante. Tipo: faço a dieta do verão, faço dieta porque vou de férias, faço dieta porque vou encontrar aquela pessoa que quero conhecer. A dieta já nos coloca num estado mental limitado», explica Rosania. Quando falamos em dieta, já estamos a associar a ela pensamentos negativos, já estamos a pensar que temos de abdicar de algo que, à partida, nos vai fazer felizes.

O fruto proibido é sempre o mais apetecido, não é o que se costuma dizer? E esta proibição tem consequências. «Quando a mente se sente descompensada, as emoções ficam à vontade para fazerem das delas. Sentes-te muito ansiosa, limitada e precisas muito de um escape para a descontração. E é aí que chega a bela da emoção e mais nada importa. O resultado? Come-se tudo», simplifica a health coach. Isto para não falar da pressão social que existe sempre neste tipo de eventos, aquela necessidade natural que o ser humano tem de ser aceite, o que neste contexto significa comer e beber tudo o que os outros estão a comer e beber.

«Nós temos que saber como manter o nosso estilo de vida nas situações que não dependem de nós, independentemente do ambiente», afirma Margaret. Não podemos deixar que as influências externas perturbem os nossos hábitos e as nossas rotinas e, ao mesmo tempo, estraguem a nossa experiência do Natal. «Cada uma de nós tem a sua energia e tem que se conhecer, perceber como funciona. Se se permite fazer, comer, beber isto ou aquilo, tudo bem. Você é a autoridade. E como está segura de si e das suas escolhas, não vai ter sentimentos de culpa depois», esclarece Rosania.

Por isso, nesta época, relaxe e aproveite a companhia dos seus amigos, sem arrependimento à mistura, mesmo que isso signifique fugir aos seus hábitos alimentares por uma noite. Ou várias. Você é que sabe.

 

Este artigo foi originalmente publicado na ELLE de dezembro de 2018.