Seis Pessoas Provam Que a Beleza Vai Muito Mais Além Daquilo Que Vemos

A palavra-chave é: Diversidade. Por: ELLE Portugal Texto por: Erin Reimel com Kate Foster

O casal mais criativo da indústria – a maquilhadora Violette e o fotógrafo Steven Pan – junta um grupo de modelos e prova que o signicado de beleza é único e plural, em simultâneo.

 

 

Tehya Elam

 

Ela sempre amou as suas sardas. «A minha avó costumava dizer: “elas são beijos de anjos”», conta a modelo afro-americana, que tem também raízes irlandesas e indígenas. Mas são as suas sobrancelhas (ou a falta delas) que Tehya considera a sua característica mais diferenciadora. Enquanto que no primeiro ano do secundário passava as manhãs a desenhar sobrancelhas antes de sair de casa, no último ano já tenha conseguido aceitar o seu rosto sem elas. «Os pelos começaram a crescer recentemente», diz Elam. «É estranho. Agora é ao contrário, gostava de não as ter.» Violette não quis esconder um único pedaço da pele da modelo. «O rosto dela, para mim, é como uma pintura de Botticelli», afirma a make-up artist. Em vez disso, desenhou um delicado coração ao redor dos olhos com tinta branca (experimente: lápis de olhos à prova de água no tom Blanc Graphique, €27, Chanel).

 

 

Amira Pinheiro

 

Criada por dois pais cegos em São Luís, Brasil, Amira Pinheiro não acredita que a beleza seja algo apenas percecionado com os olhos – reside dentro de nós. «Com a minha visão, posso ver [beleza], mas consigo senti-la antes», diz. Na sua infância, muitas das pessoas com quem a modelo passava o tempo eram cegas, por isso os temas moda e maquilhagem não estavam no seu horizonte. «Para explicar o meu trabalho aos meus pais… O que eles têm em mente é totalmente diferente», afirma. Para criar contraste com o tom de pele de Pinheiro, Violette optou por aplicar foil azul nos lábios. Para obter este look, mas sem o inconveniente de ter de trabalhar com uma película frágil, procure um produto que não só confira algum brilho mas também tenha uma ligeira textura, como o batom Everlasting Glimmer Veil no tom Satellite, €22,90, Kat Von D na Sephora.

 

Tia Jonsson

 

Jonsson lembra-se da primeira vez em que prendeu o cabelo com uma mola de forma a mostrar a madeixa branca: «Estava num restaurante tailandês em San Anselmo [Califórnia].» As suas inseguranças atingiram níveis máximos por volta dos seus 5, 6 anos, mas entretanto a modelo cresceu a aceitar o seu vitiligo – uma condição em que o cabelo e a pele perdem pigmento e formam manchas. «Uso o cabelo em apanhados com frequência para acentuar a madeixa», diz Tia Jonsson. Violette aplicou-lhe uns brilhantes cintilantes nos lábios em homenagem a uma história que é contada na família da maquilhadora, que relata o caso de uma prima que tem uma madeixa de cabelo branco. «Nós chamamos- lhe uma pena de anjo», diz Violette. A profissional optou aqui por aplicar uma camada de cola de glitter e pressionou brilhantes nos lábios para um efeito mais angelical.

 

Joani Johnson

 

Johnson sempre sonhou ser modelo, mas era considerada muito baixa (o seu cabelo prateado quase cobre a metade superior do seu corpo de 1,62 cm). Passadas algumas décadas, um vídeo sobre o cabelo de Johnson tornou-se viral e ela desfilou pela primeira vez aos 65 anos.
O cabelo branco da modelo, agora com 68, começou a aparecer quando estava na casa dos 30 anos, o que resultou em muitas experiências com tintas. «O meu cabelo estava em péssimas condições», afirma. «Quando conheci o meu marido, ele disse-me: “Precisas de fazer algo, isso não está a resultar”.» Percebeu que gostava do seu cinza natural e parou de pintar o cabelo. Inspirada pelas madeixas prateadas de Johnson, Violette adicionou linhas metálicas sob os olhos com fita adesiva de nail art. Recrie estes detalhes com o eyeliner líquido em gel à prova de água da Marc Jacobs no tom Silver Lining, €28,50, na Sephora).

 

Diandra Forrest

 

Forrest sempre soube que era diferente. Crescer no Bronx, onde toda a gente à sua volta tinha pele negra fez com que se «sentisse menos bonita», afrma. E no que diz respeito a encontrar um ídolo que se parecesse com ela, esqueça. «Não havia representação para mim», lembra. Forrest foi uma das primeiras modelos com albinismo a conseguir ter sucesso na indústria da moda quando assinou com uma agência de modelos em 2009, com 18 anos apenas. «Penso que havia uma atração forte pela meu aspeto singular», afrma. Violette inspirou-se na história de Forrest e utilizou um batom líquido com acabamento mate da mesma cor que a sombra de olhos. «Apenas usei tons que correspondessem à cor da sua pele», diz a maquilhadora. Experimente o batom Pure Color Desire Rouge Excess no tom Insist,€45, da Estée Lauder.

 

 

Tsunaina

 

«Cresci a ser a antítese de tudo o que me ensinaram a ser», diz Tsunaina, que frequentou um colégio interno católico exclusivo para meninas, no Nepal, onde as alunas são ensinadas a ter uma aparência simples e que passe despercebida. «Lembro-me de ir a pé da escola para casa quando um estranho gritou: “Quem cuspiu sementes de melancia para a tua cara?”» A modelo estava a juntar dinheiro para remover os seus sinais, mas depois de se ter mudado para Londres, aos 18 anos, e de ter recebido uma mensagem privada no Instagram da maquilhadora Pat McGrath a pedir-lhe para ser sua modelo, a sua confiança disparou. Mantendo-se fiel ao tema, Violette desenhou um cenário celestial no peito e nos braços de Tsunaina com tinta e pedras para criar a forma da constelação Cassiopeia, em homenagem àquela rainha mitológica conhecida pela sua vaidade. Para um efeito similar, experimente usar o eyeliner Diorshow On Stage no tom Matte White, €34,75, Dior.

 

Cabelos de Hiro e Mari /Bryan Bant, Styling de Kate Mossman
Maquilhagem: Violette para Estée Lauder, Manicure: Amy Vega/ See Management
Casting por Richard Blandino
Modelos: Tehya Elam/Jag Models; Diandra Forrest/Skorppion; Joani Johson/114 Agency;
Amira Pinheiro/Women management; Tsunaina/Go-See-Set
Design:Taylor Horne/MHS Artists
Produção Anastasia Blades/360PM
Este artigo foi originalmente publicado na ELLE de Março.