Chloé Assina Petição Para Alterar o Ciclo da Moda

Alterações de calendário e épocas de saldos são os pontos fundamentais. Por: Margarida Brito Paes Imagens: © Imaxtree

A Chloé acaba de se juntar à petição de que Dries Van Noten foi o grande impulsionador. A casa de moda francesa junta agora a sua voz às alterações propostas por vários designers. O grande foco está numa nova regulação na época de saldos, mas também deixa a porta aberta para alterações no calendário da moda. Alterações essas que acabaram por ser mais detalhadas num outro manifesto, o #rewiringfashion, que também já conta com vários nomes da moda.

Artigo Original 12/05/2020

Acne, Altazurra, My Theresa.com, Dries Van Noten, Selfridges e Proenza Schouler, são só alguns dos nomes que já assinaram uma carta aberta que pretende mudar a indústria da Moda, como a conhecemos hoje. Esta missiva, que pode ser assina por qualquer interveniente na indústria, surgiu depois de um fórum, que aconteceu através do Zoom, para discutir o futuro da Moda.

Na verdade estas alterações mais do que inovações são um regresso às origens do sistema de moda tradicional, um caminho que surgiu após três reuniões na plataforma digital. A ideia é abrandar o ritmo da moda, mas sobretudo abrandar o ritmo de vendas para que a produção possa dar respostas mais sustentáveis, tanto do ponto de vista económico como social.

Mudança por uma sustentabilidade integrada

«Sabemos que o ambiente atual, embora desafiador, apresenta uma oportunidade para uma mudança fundamental, e bem-vinda, que irá simplificar os nossos negócios, tornando-os mais sustentáveis  ambientalmente e socialmente e, em última instância, alinhá-los com as necessidades dos clientes», começa a carta por esclarecer.

Para alcançar este propósito o grupo de designers e retalhistas propõem que a temporada de inverno seja comercializada de agosto a janeiro, enquanto a de verão seja comercializada de fevereiro a julho. Apesar de não ser explícito na missiva, estas indicações parecem querer uniformizar as datas de lançamentos de coleções entre marcas, evitando as pré-vendas e pré-lançamentos.

Na carta pede-se ainda que os descontos sejam reservados aos últimos mês de cada época, julho e janeiro, para que a roupa possa ser vendida ao seu preço completo durante mais tempo. Estas épocas de desconto põem de parte os mid season sales, black friday, cyber monday e outras promoções populares e unilaterais no setor de retalho.

A sustentabilidade ambiental

Além da sustentabilidade económica, estas medidas visão ainda uma sustentabilidade económica ao reequilibrar o ritmo de produção e tentar regular a lei da oferta. A ideia é que se consigam produzir menos produtos desnecessários, bem como evitar desperdício de matéria prima.

A carta faz ainda menção aos showrooms e plataformas digitais como alternativas interessantes, a uma redução das viagens e à adaptação dos desfiles.