MIT Desenvolve Ferramenta Que Torna Clara a Diferença Entre Gripe e Covid-19

E poderá chegar aos nossos telemóveis a qualquer momento. Por: Inês Aparício Imagens: © Imaxtree.

O inverno aproxima-se passo a passo e, com ele, traz uma crescente dúvida: «serão estes sintomas fruto da época (que é como quem diz, apenas mais uma constipação) ou da covid-19? É uma possível confusão que tem feito parte das preocupações de profissionais de saúde e dirigentes políticos de todo o mundo, com medo que as suas instituições hospitalares colapsem a qualquer momento, e que levou um grupo de investigadores do MIT (o Instituto de Tecnologia de Massachusetts) a desenvolver um algoritmo que consegue diferenciar a tosse de um infetado pelo novo coronavírus ou alguém com um teste negativo.

Publicado no IEEE Journal of Engineering in Medicine and Biology, o estudo teria sido inicialmente pensado com o objetivo de identificar indivíduos com alzheimer precocemente, mas, tendo em conta as atuais circunstâncias, acabou por ter um fim diferente. Este pretende, através de inteligência artificial, detetar, de forma «gratuita, não evasiva, em tempo real e instantaneamente distribuída em larga escala», possíveis infetados, sem que estes precisem de recorrer a centros de saúde ou hospitais. E tudo o que precisariam é de um telemóvel.

Como funciona?

A diferença entre a tosse de alguém que contraiu a SARS-CoV-2 e a de alguém constipado, com gripe ou, simplesmente, alergias é, para nós, comuns mortais, impossível de perceber. Porém, a ferramenta desenvolvida por Jordi Laguarta, Ferran Hueto e Brian Subirana consegue fazê-lo numa questão de minutos e com uma probabilidade de acertar de 98,5%.

«Como?», ouvimo-la perguntar. Bem, de acordo com os investigadores, foi criada uma base de dados, entre abril e maio, que conta com 4 mil áudios de pessoas a tossir, sendo metade destas de infetados com o vírus (ainda que assintomáticas) e os restantes de indivíduos saudáveis. Deste modo, comparando a capacidade dos pulmões, força das cordas vocais e degeneração muscular, torna possível a identificação de possíveis assintomáticos, sem que estes tenham de fazer um teste.

Ainda que, de momento, esta seja apenas parte de um estudo, os investigadores estão a trabalhar na ferramenta de forma a torná-la numa aplicação gratuita que pode ser instalada num qualquer smartphone. Assim, cada um poderia saber, mesmo que não tivesse sintomas, se estaria ou não infetado, apenas tossindo para o telemóvel. É de salientar, contudo, que o acompanhamento médico não deixaria de ser necessário no caso de a app determinar que o utilizador estaria positivo.