Sophia de Mello Breyner A Primeira Mulher Portuguesa Com Alto Grau Superlativo

Marcelo Rebelo de Sousa condecorou a escritora com o Grande-Colar da Ordem de Sant'Iago da Espada. Por: Inês Aparício Imagens: © Facebook @centenariodesophia.

Seriam cem, os anos que Sophia de Mello Breyner faria esta quarta-feira, 6 de novembro. E, nesse mesmo dia, Marcelo Rebelo de Sousa condecorou a escritora e poetisa com o Grande-Colar da Ordem de Sant’Iago da Espada. Foi, assim, que esta se tornou na primeira mulher não chefe de Estado a receber o alto grau superlativo, normalmente atribuído a chefes de Estado estrangeiros.

A homenagem aconteceu durante um concerto comemorativo do centenário do nascimento de Sophia, no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa. Nesse, o Presidente da República entregou as insígnias à filha desta, Maria Andresen Sousa Tavares.

«Entende o Presidente da República que merece a honra excepcional da atribuição do Grande-Colar da Ordem de Sant’Iago da Espada — desse modo ficando a ser, simbolicamente, a primeira mulher portuguesa e a primeira mulher não chefe de Estado a receber tal grau superlativo», declarou Marcelo, cita a Lusa.

Tributo à escritora

Na mesma cerimónia, o representante do Estado português sublinhou ainda a relevância de Sophia de Mello Breyner, enquanto uma escritora «sempre rodeada de unanimidade», dada a «presença constante» desta ao longo dos cem anos. «Isso mesmo se traduziu no facto singular de ser o único escritor do nosso tempo acolhido, e acolhido também unanimemente, no Panteão Nacional», notou.

Além disso, o Presidente da República mencionou que «mais do que homenagear um poeta, importará reconhecer os seus poemas, reconhecer que continuam presentes, agradecer a sua importância». «Não há nenhuma homenagem mais decisiva do que essa, descobrir que um escritor que viveu e escreveu num tempo situado, limitado, continua vivo noutros tempos, noutras circunstâncias», adicionou. Assim, descreveu os textos desta como «lapidares, mas densos, luminosos, mas atentos às sombras, laboriosamente escritos, mas quase naturais, como se fossem ditados ou ouvidos». «Ao mesmo tempo são poemas inequívocos na recusa das águas turvas das palavras ocas, da poesia como jogo verbal arcádico, técnico, em circuito fechado, sem referência ao mundo, ao mundo visível e ao mundo invisível», completou.