Cinco Curiosidades Sobre Sophia de Mello Breyner Andersen

A escritora faria 100 anos em 2019. Por: Margarida Brito Paes Imagens: © Facebook @centenariodesophia

Sophia de Mello Breyner Andersen nasceu a 6 de novembro de 1919 no Porto. A sua obra ficou marcada pela poesia mas também pelos contos infantis, dos quais vários fazem parte do plano nacional de leitura. Sophia cresceu na Quinta do Campo Alegre, cujos jardins, onde Sophia brincava, formam hoje o Jardim Botânico do Porto. Sophia de Mello Breyner Andersen cresceu num mundo bastante distante da realidade da maioria da sociedade portuguesa. No entanto, o privilégio não lhe toldou a consciência social e a sua vida foi também marcada pela intervenção política.

Casada, mãe de cinco filhos, abastada e bem nascida, Sophia de Mello Breyner Andersen tinha tudo para ter sido a tradicional e exemplar mulher do Estado Novo. Mas a história que Sophia escreveu para si foi bem diferente. Desta história bem conhecida rezam a carreira literária, as causas sociais e a vida política. Mas este detalhes são amplamente conhecidos, por isso vamos focar-nos em curiosidades.

O avô materno de Sophia de Mello Breyner Andersen

Tomás de Mello Breyner era aquilo a que chamamos de um avô babado. Tão babado que confessou nos seus diários que tinha de fazer um esforço para não elogiar demasiado a neta Sophia, em detrimento dos outros netos. Mas não era só esta condição de avô babado que torna este homem digno de nota. Tomás era médico, especialista em doenças venéreas, e foi médico da Casa Real até ao final da monarquia. Um cargo que o levou a ser um dos homens que embalsamou os corpos do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe.

O primeiro poema que recitou

Segundo conta Ruben A., escritor e primo de Sophia, numa autobiografia, em casa dos Andersen todos os Natais as crianças organizavam um espetáculo. Quando Sophia tinha 3 anos, uma empregada da casa ensinou-a a recitar A Nau Catrineta, para que esta conseguisse acompanhar os primos naquela tradição familiar.

A poesia esteve sempre presente

Aos 10 anos de idade Sophia de Mello Breyner Andersen já declamava os sonetos de Antero de Quental e passeava-se pelos jardins da família Andersen com uma cópia de Os Lusíadas debaixo do braço.

A oposição publica ao regime de Salazar

A intervenção política de Sophia nunca foi passiva. A escritora foi uma das subscritora da Carta dos 101 Católicos um documento que tecia grandes críticas ao Regime e à Igreja na questão colonial. Sophia de Mello Breyner Andersen apoiou ainda publicamente Humberto Delgado, e em 1975 foi eleita para a Assembleia Constituinte.

Os contos infantis

Os contos que são hoje de todas as crianças foram na verdade em primeiro lugar das suas crianças. A Menina do Mar, o primeiro livro infantil que escreveu, teve origem numa história que Sophia contou a um dos seus cinco filhos.