Sarah Jessica Parker: «Inspiro-me Muito Nos Milhões De Mães Que Trabalham»

Falámos com a atriz que vestiu a pele de Carrie Bradshaw e agora protagoniza a campanha da Intimissimi. Por: Vítor Rodrigues Machado Imagens: © D.R.

Pedir a qualquer fã de O Sexo e a Cidade para falar sobre Sarah Jessica Parker, a atriz que durante anos deu vida a uma das mais memoráveis personagens televisivas de sempre (Carrie Bradshaw) é difícil. Não porque faltem coisas para dizer sobre ela, mas porque organizá-las numa frase, de forma clara, é complicado. E essa tarefa torna-se ainda mais difícil quando, a toda a informação que acumulámos ao longo do tempo, se junta aquela que a própria nos dá, diretamente, em entrevista. Mas vamos tentar. E para o fazer, começamos pelo início (ou, pelo menos, por aquele que para grande parte de nós parece o princípio de tudo): a série.

Como já é mais do que sabido, inicialmente, SJP não queria aceitar o papel da personagem principal d’O Sexo e a Cidade, no entanto acabou por mudar de ideias. E porquê? Porque se enamorou perdidamente por ela: «Apaixonei-me pela promessa de complexidade da Carrie, o que acabou por se provar verdade. Ela tinha defeitos, mas era atenta, leal, profundamente empenhada nas suas amizades, e tinha um grande apetite e uma enorme curiosidade.»

Claro que falar da personagem sem falar de moda (já que teve um dos guarda-roupas mais invejados de sempre) seria praticamente impossível. Este gosto por roupa (e por sapatos Manolo Blahnik) parece ter causado grande impacto na atriz: «Ficar exposta a tanto do passado, do presente e do futuro do design foi uma master class em moda, que me foi ensinada pela incontornável rainha, Patricia Field», conta-nos Parker, acrescentando que, contudo, não é «uma ávida compradora». «Mas gosto de adquirir peças vintage e gosto de ver o que está disponível nas lojas e online.»

Este não é o único gosto que partilha com Bradshaw. Como foi registado diversas vezes, ambas (personagem e atriz) partilham uma paixão pelas «promessas, pelo potencial, pelos desafios, pelo teatro e pelo dinamismo» que a cidade de Nova Iorque oferece, e além disso as duas têm ainda o filme The Way We Were (1973) como um dos seus favoritos (o que é mencionado no último episódio da segunda temporada). Sobre a razão que leva Carrie a ter este amor desmedido pela película, nada sabemos, no entanto, no caso de SJP, sim: «Julgo que terá que ver com a relação entre a Katie e o Hubble, a cinematografia, as músicas e a incrível performance de Barbra Streisand.»

No universo televisivo, recentemente, Parker deu vida a Frances, na série Divorce, da HBO. Uma personagem que, como a própria diz (comparativamente com Carrie) foi «incrivelmente diferente» por não lhe ser «nada familiar». «No entanto, foi essa a parte mais entusiasmante de a interpretar», conta. Infelizmente, esta não regressará ao pequeno ecrã para uma quarta temporada. «A parte de ter de me despedir do elenco, da equipa e dos escritores é triste, mas sinto que fui muito sortuda por ter tido esta oportunidade.»

Novamente rosto da Intimissimi

Atualmente longe do pequeno ecrã, a atriz abraça um ‘novo’ desafio: o de ser rosto (e corpo) – pelo segundo ano consecutivo – da Intimissimi. Segundo a mesma, o que a levou a voltar a juntar- se à marca italiana de lingerie foi o facto de amar o produto (sendo o modelo de soutien Daniela o seu favorito), mas também porque, diz, «eu adoro-os. Tanto à família como à incrivelmente talentosa e inteligente equipa com quem tive oportunidade de trabalhar».

Para esta nova campanha (a Bra Twist), que de forma divertida se foca nas necessidades diárias da mulher, e que apresenta ao mundo os três novos modelos da marca – o super push-up em seda, o soutien triangular em renda e algodão e um novo da linha Vera -, Parker regressa ao seu passado de bailarina, para dar vida a uma personagem que lhe é parcialmente familiar: o de coreógrafa.

Nos vários clipes, e com a perícia de uma verdadeira professora, a atriz dá as instruções para que os quatro passos essenciais sejam cumpridos: ajustar as alças, prender o soutien, colocar a copa corretamente, e por fim, fazer o ‘bra twist’. Este conceito pareceu-lhe «inteligente, divertido, e uma grande ideia. Adorei!». Especialmente porque, tal como é o mote da marca, não se esquece da importância de «se sentir confortável e bem com um soutien. As mulheres que usam vão concordar».

O equilíbrio entre o pessoal e o profissional

Ser atriz e o rosto de uma das marcas de lingerie mais conhecidas do mundo são apenas duas das várias funções que SJP desempenha na sua vida e, por isso, continua a buscar um ponto de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal: «Tal como todas as pessoas que trabalham (mas mais as mães), eu dou o meu melhor. Tento cuidar da minha família em primeiro lugar, e espero que os meus colegas sintam que estou a dar o meu melhor. Inspiro-me muito nos milhões de mães que trabalham e que gerem tudo sem terem os recursos que eu, felizmente, tenho.» Questionámo-la, então, sobre como se sente ao olhar para trás e ver tudo o que conquistou. A resposta é clara: «Sinto-me afortunada, privilegiada, encantada, surpreendida e, acima de tudo, sempre muito grata».

Como não poderia deixar de ser, antes de terminarmos, somos obrigados a voltar ao tema do início do texto: O Sexo e a Cidade. Uma vez que o terceiro filme já não vai acontecer, quisemos saber sobre o que era, afinal, este último capítulo: «Era sobre perda, resiliência, amizade e todas as formas e feitios de amor.»

 

 

O artigo foi originalmente publicado na revista ELLE de novembro.