Sara Sampaio Quer Quebrar O Estigma Em Torno da Saúde Mental

Num vídeo emotivo, a modelo falou ainda sobre o modo como a imprensa portuguesa aborda esta questão. Por: Inês Aparício Imagens: © Instagram @sarasampaio.

Sara Sampaio tem procurado amplificar a voz de causas e questões que lhe tocam no coração, ao mesmo tempo que tenta quebrar tabus, estigmas e preconceitos. Foi assim que, impelida pela forma como a imprensa portuguesa aborda a saúde mental, recentemente alvo de críticas, a modelo decidiu ter chegado o momento certo para discutir (novamente) esta temática na sua plataforma. Num vídeo emotivo em que pretendia desmistificar o tópico, esta contou a sua experiência com a ansiedade e depressão e como estas doenças são debatidas nos órgãos de comunicação.

«A primeira vez em que falei abertamente sobre os meus próprios problemas, foi quando comecei a ter ataques de pânico. Estava na Semana de Moda de Paris e falei abertamente com os meus fãs sobre como era complicado estar no meio de multidões, porque tinha ataques de pânico quando estava rodeada por muitas pessoas», recordou Sara, no Instagram, adicionando ter recebido uma «resposta incrível» dos seus seguidores.

Contudo, a reação nos media não seguiu o mesmo caminho. «Imediatamente depois, surgiram vários artigos na imprensa portuguesa, nos quais diziam que a minha carreira tinha acabado por causa dos meus ataques de pânico, que a minha carreira estava em perigo por causa dos meus ataques de pânico, que os meus contratos estavam em risco por causa dos meus ataques de pânico. Obviamente, tudo era falso, mas para alguém que sofre intensamente de ansiedade e ataques de pânico, ter de lidar com isso foi muito difícil e faz-te não querer voltar a abordar o assunto publicamente», confessou.

A saúde mental na imprensa portuguesa

Desde esse momento, datado de 2017, a modelo admitiu ter-se apercebido de uma evolução na forma como, não só a saúde mental é percecionada, como abordada nos órgãos de comunicação. Porém, esta salientou que Portugal continua bastante atrasado, por exemplo, em relação aos Estados Unidos. «Vejo que na América está a ficar melhor [o modo como este assunto é visto]. Vejo pessoas a admitirem [lidar com doenças do foro mental], vejo jornais e revistas a começarem a ter um bocadinho mais de cuidado na maneira como falam sobre isso, o que é incrível. Mas continuo a ver revistas em Portugal a usar esses títulos e artigos sensacionalistas. São bastante prejudiciais, não apenas para mim, mas para todos os que sofrem destas condições de saúde. Ao lerem estas coisas, sentem que não podem pedir ajuda, que são loucos ou que os outros vão vê-los de outra forma», notou.

Colocar um ponto final nos estigmas

É por esta razão que Sara Sampaio quer quebrar o estigma, não só em torno da saúde mental, como da psicologia ou psiquiatria. «Os medicamentos ou uma consulta no médico podem salvar vidas. Não existem razões para ter vergonha de ir a uma consulta de psiquiatria, fazer terapia ou pedir ajuda», sublinhou. «Se fazemos consultas de rotina todos os anos, porque não haveríamos de garantir que está tudo bem com a nossa mente diariamente? Quer dizer, usamos o nosso corpo todos os dias, usamos as nossas mentes todos os dias e, com tudo o que está a acontecer no mundo, é normal que os nossos cérebros ‘fritem’, por vezes. O mundo está tão caótico que, por vezes, não sabemos como lidar com isso e precisamos de cuidar de nós próprios. Não é preciso ter vergonha de pedir ajuda. Não é preciso ter vergonha de o admitir», frisou.

Veja, em baixo, o vídeo completo.