Rooney Mara: «Acho Que As Mulheres Deveriam Empoderar-se Mais»

Rooney Mara mostra, com a nova campanha da Givenchy, porque é que ninguém consegue ficar‐lhe indiferente. Por: Carolina Adães Pereira -- Imagens: D.R.

Sentada numa cadeira, com o cabelo apanhado, pouca maquilhagem, vestida de forma simples em tons de preto e com uns chinelos de hotel: foi assim que Rooney Mara nos recebeu numa das suites do Le Bristol, em Paris. O motivo para este encontro foi o lançamento da nova fragrância da Givenchy, L’Interdit, eau de toilette, na qual a atriz volta a assumir o papel de protagonista da campanha. Este à‐vontade não é algo que esperaríamos de Mara. Os papéis que escolhe são sempre intimidantes e as poucas entrevistas que dá são muito reservadas, sem uma única janela aberta para a sua vida pessoal – que é como quem diz a sua relação com o ator Joaquin Phoenix. No entanto, na sala de espera da suíte, não havia uma única pessoa que não estivesse entusiasmada por ir falar com Rooney e, umas horas mais tarde, jantar com ela, mesmo que isso significasse comer waffles de carvão, porque a atriz é vegan. E foi precisamente sobre a sua filosofia de vida, sobre a indústria que vive da exposição (e que é a sua) e sobre a arte de ser fiel aos seus princípios que a ELLE falou com Rooney Mara.

É possível um perfume representar feminilidade?

Não sei, porque para mim feminilidade é um conceito tão complexo… Sinto que a Givenchy conseguiu alcançar esse sentimento com o L’Interdit, eau de toilette, porque é um aroma complexo. Tem esta dualidade com tons mais sombrios como o patchouli, mas depois também é muito oral, leve e luminoso. A luz e a escuridão em conjunto, e eles conseguiram alcançar isso. Não sei como conseguiram, mas conseguiram.

O que é que a Givenchy significa para si?

A Givenchy sempre foi uma marca singular. Sempre teve um ponto de vista muito forte, apesar de ter um percurso pautado pela evolução ao longo da sua história. A marca sempre se manteve fiel à sua linguagem. Para mim, não há nenhuma outra marca que tenha este tipo de presença.

A roupa da Givenchy serviu de inspiração para a sua própria marca de roupa vegan, a Hiraeth?

Não, é algo muito diferente. A minha marca é pequena e muito distinta. A nível de estética, a minha inspiração é diversificada.

Além da sua marca de roupa, o voluntariado também é muito importante para si. Está envolvida em algum projeto?

Agora estou envolvida em projetos sobre direitos dos animais.

E também está muito envolvida no estilo de vida vegan.

Sim, é isso que eles lhe chamam nestes dias [risos]. Quer dizer, sinto‐me bem. A minha pele está ótima. Não estou a contribuir tanto como outras pessoas para a destruição do planeta. Se tudo correr bem, continuarei muito saudável daqui a 20 anos.

Por falar em tempo, qual é a sua memória olfativa mais antiga?

Não sei. Sempre que volto à minha cidade, principalmente no outono, não consigo identificar o elemento, mas há um cheiro que me faz sempre lembrar do momento de voltar às aulas, aquele sentimento de tristeza de ter de voltar às aulas.

Não gostava de ir para a escola?

Não. Odiava a escola, pré‐primária incluída.

Por alguma razão específica?

Não, apenas não gostava. Não era muito boa aluna. Era péssima a soletrar… Era muito difícil para mim, por isso odiava ir à escola.

Isso mudou quando foi para a universidade estudar Psicologia?

Não. Eu sabia que nunca ia ser psicóloga. Só fui para a universidade porque os meus pais me obrigaram. Não queria estudar representação e achei essa área interessante. Mas agora gostaria de voltar a estudar. Estou numa fase em que gosto muito de aprender coisas novas, mas quando era mais nova, tinha muito mais pressão e parecia‐me algo muito assustador e enorme e com muito impacto, do género ‘se falhares, a tua vida acaba’.

Mas tinha um plano B quando começou a representar?

Não, não tinha.

Então, como foram os primeiros tempos em Hollywood?

Mudei-me para Los Angeles com 21 anos, penso. Fui para casa da minha irmã e vivi com ela. Ela só tinha um quarto, mas nós dividíamo‐lo. Ela já era atriz profissional e eu não tinha trabalho. Estava à procura. Tive muita sorte por ter ido viver com ela e tê‐la como minha guia. Tive um início muito mais fácil por causa disso, porque pode ser uma cidade bastante solitária.

O feminismo continua a ser um tópico muito pertinente na indústria cinematográfica. Assume-se feminista e é da opinião de que as mulheres deviam empoderar-se mais?

Sim, acho que as mulheres deviam empoderar-se mais. Sim, acho que os humanos deveriam empoderar-se mais, quer sejam homem ou mulher. Prefiro ver as coisas a um nível humano.

Porque é que não está em nenhuma rede social?

Estou no Instagram, mas não tenho o meu perfil público. Nunca publiquei nenhum conteúdo. Só sigo a minha família.

Hoje em dia, há muitos atores que promovem os seus filmes no Instagram e nas redes sociais. O que acha sobre isso?

Acho ótimo, se isso é algo que querem fazer. Se eles têm uma plataforma para o fazer e querem fazê‐lo, acho ótimo.

E porque é que não quer fazê‐lo?

Porque não. Não faz parte do meu trabalho fazer isso. Faço tours promocionais para os meus projetos, mas não quero ter mais uma obrigação. Nunca digo nunca, porque já pensei em fazê‐lo. As redes sociais podem ser ótimos veículos para falar sobre causas sociais que são importantes, mas não quero ter uma outra plataforma de promoção do meu trabalho por obrigação. Mas talvez um dia.

 

Este artigo foi originalmente publicado na edição de outubro da revista ELLE.