Rina Sawayama Não Pôde Ser Nomeada Para os BRIT Awards Devido À Nacionalidade

Além dos BRIT Awards, a cantora também não foi indicada para os Mercury Music Prize, pelo mesmo motivo. Por: Marisa Azevedo Imagens: © Instagram: @rinasonline.

Quando pensamos nos critérios para que algum artista seja indicado a um prémio, o nosso raciocínio voa instintivamente para o talento e visibilidade que este teve pelo seu trabalho. Porém, não se ficam por aí. Como exemplo disso, temos a cantora Rina Sawayama, que não foi nomeada, nem para o Mercury Music Prize, nem para os BRIT Awards, por não ter nacionalidade britânica, mesmo que resida no Reino Unido desde muito nova.

A ausência da cantora foi notada pelos fãs e também por Elton John, que, no Instagram, lembrou que existiam nomes que tinham sido esquecidos na lista do Mercury Prize. O artista salientou ainda que o álbum de Rina era um dos seus favoritos do ano.

A visão de Rina 

Rina Sawayama, cantora e compositora, nasceu no Japão, mas, quando tinha 4 anos, mudou-se para Londres. Esta faz parte dos poucos cidadãos estrangeiros que têm uma licença que a permite residir no Reino Unido por tempo indeterminado. Porém, isso não foi o suficiente para que a cantora pudesse fazer parte dos Mercuy e British Awards.

Assim que Rina recebeu a notícia, ficou emocionada. Numa entrevista à Vice, referiu que é raro ficar chateada ao ponto de chorar, mas que se tornou impossível neste caso. «Este nível de separação não faz sentido, especialmente quando o Mercury tem regras mais brandas em torno da sua cláusula de nacionalidade para as bandas, onde apenas 30% dos membros precisam de ser britânicos ou irlandeses», sublinhou. Além disso, desabafou que sente que contribuiu «para o Reino Unido de uma maneira que vale a pena ser celebrada, ou pelo menos qualificada para o ser».

A cantora referiu ainda que o seu disco foi todo gravado no Reino Unido e em Los Angels e que as letras estão todas em inglês, exceto um verso de uma música.

As cláusulas de nacionalidade

Nos termos do Mercury Prize, os artistas a solo devem ter nacionalidade britânica ou irlandesa para participar na competição. A parte inicial do processo de inscrição incluiu o envio de documentação oficial da sua cidadania – como, por exemplo, uma verificação de passaporte – para os organizadores da premiação.

Os Brit Awards também têm uma cláusula de nacionalidade nos seus termos e condições. Para que algum artista seja nomeado em alguma das suas categorias, só precisa de ter o passaporte do Reino Unido.

Estas duas cláusulas não seriam um problema para a cantora, se esta tivesse dupla nacionalidade. Porém, o seu país de origem (Japão) não o permite. Rina já pensou em renunciar a sua cidadania japonesa, mas esta explicou que não o fez porque não tem família em terras britânicas e livrar-se do seu passaporte japonês parece ser um corte dos laços com os seus familiares.

Enquanto isso a Dirty Hit – gravadora da cantora – abordou a organização do Mercury Prize para explicar o estado de imigração de Rina, mas apenas recebeu uma resposta por email com a informação de que as regras não seriam alteradas tão cedo, ao que apurou a Vice.

Na entrevista com a revista, Rina disse que ficou motivada a falar sobre a cláusula de nacionalidade, porque não quer que nenhum outro músico passe por esta situação.