Reino Unido Poderá Banir A Comercialização de Pelo Animal

Este passo deverá acontecer após a saída oficial da União Europeia. Por: Inês Aparício Imagens: © Imaxtree.

Há 20 anos, o Reino Unido tornou-se no primeiro país da União Europeia a banir a produção de animais para comercialização do seu pelo. E, agora, assim que deixar de pertencer à UE, espera abandonar por completo a utilização e venda deste material, revela o The Guardian.

De momento, este objetivo é ainda apenas uma questão que está a ser ponderada, uma vez que, como salienta o jornal britânico, só quando o Reino Unido abandonar definitivamente o mercado único terá poder para dizer, de forma unilateral, «não» ao comércio de pelo animal. Este é um passo que, segundo o porta-voz do Departamento de Ambiente, Alimentação e Questões Rurais (Defra), reflete «a posição do Reino Unido face ao [bem-estar dos] animais».

Um desejo antigo

Já no ano passado, Lord Goldsmith, Ministro para o Bem-estar Animal, mostrava o desejo do governo em seguir os passos dados por diversas marcas britânicas – a Mulberry, Stella McCartney ou Vivienne Westwood por exemplo -, assim como da Semana de Moda de Londres ou da própria Rainha Isabel II. «A produção de pelo animal foi corretamente banido, neste país, há cerca de 20 anos e, no fim do período de transição [fruto do Brexit, que termina a 31 de dezembro deste ano], teremos a possibilidade de considerar apropriadamente os passos para levar os nossos padrões além», declarou, em entrevista ao The Mirror. Agora, o Defra reiterou essa posição: «Assim que o nosso futuro com a União Europeia estiver estabelecida, existirá a oportunidade de o governo considerar um caminho adiante no que à comercialização do pelo diz respeito».

Contra a decisão

Argumentando que o pelo natural é um «antídoto para o modo como a moda barata está a danificar o planeta», a British Fur Alliance acredita que a venda deste material não deve ser proibida, caso a origem seja ética. «O pelo natural está intrinsecamente ligado ao ambiente: é um material sustentável que representa herança, qualidade e individualidade», declarou, ao The Guardian, a organização, adicionando que «o pelo é parte da solução para o problema do fast fashion».