Regina King Faz História No Festival de Cinema de Veneza

Esta é a primeira realizadora negra com um filme selecionado para o evento que vai já na 77ª edição. Por: Inês Aparício Imagem: © GTRESONLINE.

São já 77 as edições do Festival de Cinema de Veneza, mas apenas em 2020 um filme realizado por uma mulher negra foi selecionado para o evento. A película que entra, deste modo, para os livros de história é One Night in Miami, dirigida por Regina King, que a descreve como «uma carta de amor à experiência dos negros na América».

Numa conferência de imprensa via Zoom, nesta segunda-feira, 7 de setembro, a protagonista de Watchmen Seven Seconds mostrou-se honrada pela decisão da organização, ainda que compreenda que a reação do público possa «abrir ou fechar portas para mais realizadoras negras». «Infelizmente, em todo o mundo, é como tudo parece funcionar. Uma mulher consegue uma oportunidade e, se não for bem-sucedida, encerra as portas durante anos até que outra consiga uma nova oportunidade», notou. «Sinto-me muito agradecida pelo nosso filme fazer parte deste festival, mas quero mesmo, mesmo que tenha bom feedback», acrescentou.

A urgência da estreia do filme

Tal como a maioria das produções cinematográficas e televisivas, One Night in Miami veria a sua data de estreia adiada devido às repercussões da pandemia. Contudo, o filme que, de acordo com a Variety, começou a ser gravado em novembro do ano passado, acabou por chegar ao grande ecrã pouco depois do inicialmente esperado (tendo em conta que o mundo parou devido à covid-19), graças aos acontecimentos relacionados com o movimento Black Lives Matter.

«Pensámos em adiar [a estreia], porque não sabíamos como seria o regresso às salas de cinema», avançou King, em entrevista à revista. «Depois, alguns meses após o início da pandemia, [George Floyd morreu devido à brutalidade policial] e todos os produtores e restante equipa envolvida na película concordaram que tinha de ser exibida agora. Sinto que sempre esteve escrito nas estrelas, mas talvez tenhamos sorte e a oportunidade de ser uma peça de arte que incentiva a conversa sobre uma mudança transformativa», acrescentou.

Esta história é uma adaptação da peça de Kemp Powers com o mesmo nome, que reimagina o terá acontecido em fevereiro de 1964, depois de Cassius Clay se ter tornado campeão de box ao derrotar Sonny Liston e se ter encontrado com três amigos: Malcolm X, Sam Cooke e Jim Brown.