Estudo Sugere Que A Pandemia Pode Criar Ou Perpetuar Desigualdades de Género

Isto verifica-se especialmente no seio familiar. Por: Inês Aparício Imagens: © Imaxtree.

De contextos culturais, gerações, géneros e situações económicas muito diferentes, quase 12 mil pessoas de 137 países responderam a um inquérito que pretendia analisar o impacto da pandemia na sociedade. E os resultados sugerem que a covid-19 pode ter criado ou perpetuado disparidades entre géneros.

Numa das conclusões do estudo Life with Corona – cujos dados foram recolhidos entre 23 de março e 15 de setembro -, é possível concluir que o stress, em casa, afeta de modo desproporcional o género feminino. Isto é, independentemente do tamanho da família, «os níveis de tensão domiciliária» são superiores no caso das mulheres, face aos seus pares. Contudo, estes aumentam em lares com três membros ou mais.

Para explicar este padrão, os investigadores referem a presença ou não de crianças na família, uma vez que esta é «a diferença estrutural entre casas com dois ou aquelas com três ou mais membros». «Com o encerramento das escolas e outras limitações no acesso a cuidado das crianças, em resultado do confinamento, pode ser criado um stress significativo nas famílias. Por sua vez, o stress adicional de ensinar os filhos a partir de casa para mais de uma criança é significativamente inferior do que ter de providenciar cuidados e ensinar os seus descendentes em casa, em primeiro lugar», é sublinhado no estudo.

Disparidades geracionais

Além das desigualdades encontradas ao nível do género, surgiram também diferenças geracionais. De acordo com a investigação – apoiada, em Portugal, pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto -, os idosos «estão menos preocupados com as circunstâncias atuais» do que os mais jovens. «Isso ressalta que os desequilíbrios geracionais dos impactos da pandemia podem ser fortes e que os aspetos culturais, emocionais e socioeconómicos da pandemia podem ser tão importantes quanto a saúde», pode ler-se numa das conclusões.

Este estudo está já a ser seguido por um novo inquérito, que teve início no primeiro dia deste mês, uma vez que existem «ainda muitas implicações a apurar».