Estudo Sugere Que os Países Com Mulheres No Poder Lidaram Melhor Com a Covid-19

As «respostas políticas proativas e coordenadas» das dirigentes fazem parte das razões apontadas pelas autoras Por: Inês Aparício Imagem: © GTRESONLINE.

O contraste entre o número de casos entre países liderados por homens e mulheres é claro e, de acordo com um estudo, não é apenas coincidência. Segundo uma investigação publicada pelo Centre for Economic Policy Research e o World Economic Forum, que analisou 194 países, os territórios com o género feminino à frente do poder obtiveram resultados «sistemática e significativamente melhores» no que ao controlo da propagação do novo coronavírus diz respeito. A razão? As «respostas políticas proativas e coordenadas» adotadas pelas dirigentes.

«Os nossos resultados indicam claramente que as líderes femininas reagiram mais rápida e decisivamente face a potenciais fatalidades. Na maioria dos casos, estas declararam o confinamento obrigatório mais cedo do que os líderes masculinos, em circunstâncias similares», é sublinhado pelas autoras, Supriya Garikipati e Uma Kambhampati. «Enquanto isto pode ter implicações económicas a longo-termo – o que não podemos testar aqui -, ajudou, certamente, estes países [com mulheres ao leme] a salvar vidas, o que pode ser evidenciado pelo número significativamente reduzido de mortes nestes países», é adicionado.

Considerando os números de casos de infetados e falecimentos por covid-19 até 19 de maio, as investigadoras olharam para o PIB, população total, densidade populacional e proporção de residentes idosos, além das despesas anuais com a saúde por pessoa, abertura a viagens internacionais e nível de igualdade social de cada país. Porém, de modo a provar a robustez dos resultados, retiraram, posteriormente, os dados relativos a três casos frequentemente destacados (os Estados Unidos, geridos por Donald Trump, a Nova Zelândia, coordenada por Jacinda Ardern, e a Alemanha, de Angela Merkel).

«Os fatores que afetaram os resultados da pandemia em vários países são complexos. Todavia, o género do líder pode ter sido a chave no contexto atual, onde atitudes face ao risco e empatia foram vitais, assim como comunicações claras e decisivas», notaram Garikipati e Kambhampati.

Na balança

Ainda que não sejam claros todos os territórios examinados, olhando para os dados disponibilizados pela Organização Mundial de Saúde e cobertura da imprensa internacional, é possível compreender quais os possíveis casos de sucesso a que este estudo se refere: a Nova Zelândia – com um total de 269 casos confirmados, por 1 milhão de habitantes (tendo chegado a registar, no início deste mês, 100 dias sem contágios domésticos) -, Dinamarca – liderada por Mette Frederiksen -, Taiwan – dirigida por Tsai Ing-wen -, Finlândia – com Sanna Marin à frente do país – e a Alemanha.

Já no que diz respeito à outra face da moeda, os EUA e o Brasil servem de exemplo a países liderados por homens e cujo número de infetados e mortes por covid-19 é elevado. De acordo com declarações da diretora regional da Organização Mundial da Saúde, Carissa Etienne, esta terça-feira, 18 de agosto, estes dois países concentram 64% dos falecimentos de todo o mundo, apesar de terem apenas 13% da população mundial.