Música, Diversidade e a Derradeira Definição de Coolness Fecham a ModaLisboa

Gonçalo Peixoto, Ana Moura e corpos de todo o tipo marcaram este domingo. Por: margarida Brito Paes -- Imagens: ModaLisboa

O último dia da ModaLisboa fechou em grande, com Ana Moura a cantar no final do desfile de Luís Carvalho. Uma atuação que esteve longe do nosso fado velho e triste, apesar de lindo, e que teve o dedo de Conan Osiris. Mas este não foi o único momento alto do dia. O desfile de Gonçalo Peixoto foi provavelmente a coisa mais cool que vimos nos últimos tempos e ainda houve espaço para a diversidade pela mão de Lidija Kolovrat e Constança Entrudo.

O desfile mais cool da ModaLisboa

E o prémio vai para… Gonçalo Peixoto! O desfile abriu com um mini sleep dress, com atilhos que o drapeavam e servem para regular a altura do mesmo. Um modelo que apareceu por duas vezes na passerelle, a primeira em rosa, e a segunda num padrão zebra rosa e amarelo. Este último já está disponível para venda no site do criador, bem como outras oito das suas criações.

«Eu mostrava a coleção aos meus amigos e eles diziam ‘isto é para usar já’. Mais que tudo, eu quero que as minhas coleções despertem muito o desejo. Quero que as pessoas as queiram logo, que quase tenham vontade de despir a manequim para vestir a roupa. E foi nisso que pensei, criar a oportunidade de comprar logo, não ter de esperar seis meses que a roupa esteja à venda», explicou à ELLE Gonçalo Peixoto.

E esta coleção cria realmente desejo, as cores vibrantes, lantejoulas, silhuetas exageradas e cortes sexys, trazem a esta coleção uma vibe do início do milénio, mas com um onda muito positiva e leve. Para Gonçalo Peixoto, tudo isto se resume numa palavra seria «hotness», e quando se olha para a coleção percebemos porquê.

«Sexy mas cool, era mesmo isso que queria transmitir na coleção. Eu gosto que as coisas tenham uma aspeto quase perto do fuleiro, mas em bom. Gosto que as coleções tenham um risco. Claro que isto dá muito trabalho e nada é feito por acaso. Esta é uma coleção cool, divertida, com materiais divertidos que trocam de cor. São materiais que dão para vários moods e vários corpos, como é a mulher Gonçalo Peixoto. O principal aqui era realçar o corpo feminino, a vontade de verão, a vontade de estarmos com os corpo à mostra, a vontade de sair para dançar», contou o criador.

Uma música inédita que juntou Ana Moura e Conan Osiris

«Este foi um trabalho feito entra a Ana, o Branco e o Conan Osíris. Foi o Conan que escreveu a letra e o Branco que produziu. O que mais queria era que a Ana fizesse algo diferente e foi por isso que surgiu esta colaboração com o Conan e o Branko», explicou Luís Carvalho depois do desfile.

Ana Moura surgiu no final do desfile e caminhou pelo passerelle a cantar. Mas antes do momento musical, houve outros momentos, estes de moda, a assinalar. Luís Carvalho inspirou-se na arte déco e de lá trouxe, algumas das silhuetas, cortes e o padrão das malhas. Esta foi uma coleção que se fez não só dos cortes, já tradicionais de Luís, como as costuras em triângulo, mas também de materiais novos, como as plumas e organza amarrotada.

«Foi um risco, mas quis explorar esses materiais de forma diferente. Por exemplo com as plumas fiz um bomber, quis desassociar esses materiais das formas típicas em que costumam ser trabalhados», contou o designer.

Outro elemento de destaque foi a continuação do trabalho que Luís começou a desenvolver na coleção passada, de fazer peças iguais para homem e mulher. Não só com materiais semelhantes, que é uma assinatura do designer, mas silhuetas quase tiradas a papel químico. E se na edição passada o designer ainda não tinha a certeza se este seria uma caminho para continuar, depois da aceitação que esse tipo de peças teve, tem agora a certeza que este é um percurso para continuar.

No entanto, a nova coleção não foi a única novidade de Luís Carvalho, que no sábado, 12 de outubro, apresentou uma campanha de sensibilização para o cancro da mama. 

A diversidade na passerelle

Os desfiles não se fazem só de roupa, também se fazem de modelos e numa altura em que a diversidade é um dos temas quentes da moda, Lidjia Kolovrat e Constança Entrudo tiveram um casting digno de palmas.

«Hoje em dia nas redes sociais e em todo o lado, vemos que a diversidade está na moda e ainda bem. Acho mesmo que estamos a caminhar para um bom caminho. Nós portugueses ainda temos muito para fazer, mas estamos diferentes, a moda portuguesa está diferente. O conceito de beleza está a mudar, as pessoas já não vivem da mesma maneira», explicou Constança Entrudo no final do desfile.

 

 

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Backstage for @constanca.entrudo ✨🦋 . Makeup: @iamfredyboy ✨

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A designer, que nesta coleção continuou o seu trabalho de desconstrução das técnicas de tecelagem, abriu o desfile com o músico Mykki Blanco. E entre as modelos estavam mulheres que contactaram a designer e que representam o espírito de Constança Entrudo. Também Lidija Kolovrat escolheu um casting diverso como mulheres mais velhas. Mulheres essas que são todas clientes de Lidjia e que roubaram uma salva de palmas de todas as vezes que pisaram a passerelle.

O restante calendário

O dia começou com a exposição de Olga Noronha, com algumas das peças mais importantes da série ODE (2016). Seguiu-se o desfile de Carolina Machado no Panteão Nacional. A designer inspirou-se numa viagem a Capri, de lá trouxe o espírito leve, cores vivas e silhuetas femininas. A Duarte inspirou-se no deserto Atacama, no Chile, enquanto Carlos Gil inspirou-se na natureza de onde surgiram os padrões florais.