Os Três Momentos Que Marcaram a ModaLisboa Segundo o Nosso Editor de Moda

Escolhas que são tudo menos esperadas. Por: Margarida Brito Paes" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Margarida Brito Paes Por: Vítor Rodrigues Machado -- Imagens: Ugo Camera.

Posso dizer que não sou necessariamente uma pessoa facilmente impressionável, que se deixa de deslumbrar por qualquer coisa (e se não acredita pergunte a quem trabalha comigo, e vai ver que não estou a mentir). E sim eu sei que a frase anterior parece quase um cliché, mas também é a mais pura verdade. Dentro de mim vive uma Miranda Priestly, e por essa mesma razão, fazer uma seleção dos momentos mais marcantes da ModaLisboa acabou por não se tornar em algo complicado de fazer. Mas bem, chega de conversa, sem mais demoras, ei-los (e já agora, a ordem é aleatória):

NOTA: Para fazer este artigo, não li qualquer tipo de descritivo, parti apenas da minha perspetiva para que não fosse de forma alguma influenciado. Se no final, algumas das coisas baterem certo, melhor. Significa que a mensagem das coleções era clara.

A Coleção Sem Género de HIBU

hibu

Hibu S/S 2020

Para mim, a moda não tem limites. Se um homem quiser usar peças que foram originalmente concebidas para o sexo feminino, tudo bem, e se uma mulher quiser usar roupa desenhada para o corpo masculino, ótimo. A grande questão é: será possível construir coleções que funcionem para ambos os géneros? A resposta é sim! E não precisa necessariamente de ser uma linha exclusivamente construída em tons neutros de branco, preto e bege. E a HIBU mostrou isso na sua apresentação na ModaLisboa, com uma linha sem género e sem estação (e se tinha género, não parecia).

Se as peças eram revolucionárias? Esteticamente falando, não, até porque estamos a falar de básicos, mas no conceito, sim. Primeiro, porque são muito poucas as marcas que o fazem, e segundo, porque as poucas que o fazem, por norma fazem-no uma vez na vida para aproveitar o momento (ou seja, sem qualquer tipo de ligação à causa) para encher um pouco mais o bolso. Claro que isto foi apenas uma coleção, mas gostava de ver isto a ter continuidade, principalmente, por se tratar de uma linha com peças efetivamente bem construídas e costuradas (e acredite ou não, não é assim tão comum).

 

A Cor de Gonçalo Peixoto

modalisboa

Gonçalo Peixoto S/S 2020

Teoricamente, deveria ser só nas coleções de outono-inverno que as marcas se virariam mais para cores mais escuras como o preto, o castanho, o azul-marinho, e afins. No entanto, nem todos seguem esse pensamento, e gostam de contrariar construindo linhas em tons escuros. Não sou fã. Primeiro, porque se morre de calor em tons escuros no verão, e segundo, porque as estações frias são suficientes para ver coordenados escuros atrás de coordenados escuros e percorrerem a passerelle (por vezes chega até a ser deprimente, quase).

E o que tem Gonçalo Peixoto a ver com isto? Rigorosamente nada. Porque o que ele faz (como sempre) é dar-nos cor! Rosa, coral, e amarelo foram os três principais tons, mas ainda houve um padrão floral e de zebra (e eu adoro um bom padrão). Para melhor tudo isto, as peças são efetivamente bonitas e estão bem construídas e costuradas, algo que deve ser referenciado novamente, uma vez que estamos a falar de um jovem designer de 22 anos, que tem já um cunho estético muito próprio.

 

 

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SS20 BACKSTAGE

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Encanto na passerelle

Street style ModaLisboa

Ph: Francisco T. Santos

Ok, era suposto dar continuidade ao tema “Moda” neste artigo, mas não posso fazê-lo. Decidi que seria apenas três momentos, e como tal se não mencionasse este, não estaria a ser fiel a mim próprio. Durante um dos desfiles, mais concretamente no desfile de Carolina Machado, houve um momento que me marcou particularmente (e se acompanhou o meu Takeover no Instagram da ELLE provavelmente já sabe do que estou a falar). Estava calmamente sentado, quando olho para a frente e vejo este cão:


Peço imensa desculpa a todos mas, apesar de não gostar necessariamente de cães de porte pequeno, este conseguiu roubar-me a atenção.

Definitivamente, numa vida futura, se tiver que vir em animal, que seja como ele.