ModaLisboa Dia 4: Conjugar Moda no Passado, Presente e Futuro

A melhor forma de terminar o evento. Por: Vítor Rodrigues Machado Imagens: © ModaLisboa | Ugo Camera.

Depois de quatro dias de apresentações, caminhadas Parque Eduardo VII a cima, Parque Eduardo VII a baixo, e umas boas doses de sol (que só faz mal a quem se esquece de por o protetor solar), chegou ao fim mais uma edição da ModaLisboa. Dentro de seis meses (se as pessoas usarem máscara e pararem de brincar ao “quem apanha Covid primeiro”) teremos outra mas, por hoje, fechamos com os desfiles que nos fizeram viajar a diferentes tempos.

A primeira a fazê-lo foi Carolina Machado que para esta edição (e uma vez que esta é a sua 10ª coleção) em vez de escolher um tema, optou por criar uma linha que celebra as sua marca, e os seus cinco anos de existência criando uma ponto entre passado e presente. Assim sendo, nesta pequena jornada composta por 16 coordenados, tivemos oportunidade voltar um pouco a trás no tempo e ver tudo aquilo que gostamos nesta jovem designer que é especialista a criar peças que, não só se mantém fieis à sua identidade, como também garantem assentar no corpo que nem uma luva.

E por falar em corpo, sabia que é possível conjugar aquelas roupas em lycra, super justas, que vemos nos lutadores de wrestling com o barroco? Sim, são mundos completamente diferentes mas foi essa a proposta de António Castro, que brincou com as silhuetas destes dois universos e estampou-os com padrões gráficos (na sua grande maioria) demasiado pesados. Ainda no mesmo espaço, Archie Dickens, mais conhecidos pela sua destreza com o universo das malhas, optou por explorar a forma como o nós, seres humanos, interagimos uns com os outros. A forma que arranjou para passar essa ideia foi estampando círculos em peças básicas de algodão (feitas à mão) como uma túnica, uma camisa, ou vestidos (sem malhas à vista, portanto).

Com Gonçalo Peixoto voltamos a viajar no tempo, agora até aos anos 2000, para recuperar peças como os mini-vestidos transparentes, os corpetes, os tops feitos a partir de lenços, e as mini-minissaias que com a subtileza dos tons súaves gritavam baixinho That’s Hot. Ou seja, no fundo, o que o designer fez foi uma coleção perfeita para as It-Girls da época: Paris Hilton e Nicole Richie. Contudo, e mesmo tendo sido pintada com tons de lavanda, rosa pastel, ou azul claro, o facto de ser uma linha tão reveladora e repleta de transparências e recortes que marcam bastante as curvas da mulher, fazem com que as peças não sejam “apropriadas” para as pessoas mais tímidas.

Neste sentido, Hibu foi um pouco mais conservadora que o designer anterior. Contudo, não se poupou nos padrões que, aos poucos começam a surgir nas coleções desta marca que se distinguem pela sua praticidade e conforto, aliada a uma estética mais minimalista. Como não poderia deixar de ser o denim e o verde estiveram presentes, juntamente com o preto (num padrão original) o laranja, o vermelho e o branco.

Finalizando o dia e encerrando assim o evento, Carlos Gil apresentou uma coleção que foi um tributo a Portugal, e à coragem do povo português durante este período pandémico. Para o fazer, o designer não estampou nem bandeiras nem esferas armilares na suas roupas, mas criou antes padrões com desenhos de silhuetas de pessoas, das letras que se usam para escrever Portugal, e ainda de monumentos nacionais que foram/são sinais dessa bravura nacional e que, nesta fase, foram tão visitados por portugueses. Deixando ainda evidente esta nova busca pelo conforto por parte dos consumidores, as peças (que na maior parte se construir em tecidos acetinados) ganharam um ar mais relaxado sem nunca perder a elegância ou o ADN da marca.