ModaLisboa Dia 1: Do Dramatismo à Simplicidade Sob o Quente Sol da Capital

O evento de moda nacional está de volta, mostrando como tudo pode ser feito com segurança. Por: Vítor Rodrigues Machado Imagens: © D.R.

Se há algo que a vida nos ensina, é que, ao longo dela, existem algumas coisas com as quais podemos sempre contar. Esse é o caso da ModaLisboa que, mesmo neste clima de mudança (constante), voltou a “abrir as suas portas” para mais uma edição. Para mais uma edição não, para a primeira edição em plena pandemia que não tem qualquer tipo de estação. Ou seja, os designers são livres de apresentar a estação que quiserem nas passerelles que se montam ao longo do Parque Eduardo VII, Estufa Fria e dos Jardins do Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, ao ar livre.

A Buzina, de Vera Fernandes, foi a escolhida para dar o pontapé de arranque nesta edição, através da plataforma LAB. Breathe foi o título escolhido para esta coleção que quis tornar-se numa lufada de ar fresco no meio de todo este caos. Mas será que foi a tempestade de vento que alguns gostariam? Não, mas foi sem dúvida uma mudança de direção de ventos com a interpretação do tema feita da forma correta: temos o movimento nas peças (conseguido quer através de têxteis mais leves, quer de outros mais rígidos que criam curvas e contracurvas nos folhos) e temos conforto. Cromaticamente, preferiu focar-se essencialmente numa paleta de neutros (com a exceção de um padrão) que fizeram com que a coleção ganhasse um ar mais vendível.

Fugindo completamente à neutralidade, João Magalhães arriscou e levou-nos numa viagem pelo seu mundo imaginário com uma coleção repleta de energia, cores vibrantes, que são capazes de elevar o ânimo a qualquer um (e todos sabemos o quão necessário isso é). Para esta coleção o designer inspirou-se em memórias passadas e, a julgar pelo resultado, muitas delas vieram da criança que habita dentro do designer, que está viva e boa de saúde. Isto, porque a linha parecia ter sido tirada dos sonhos de uma pequenos de oito anos que gosta de brincar aos piratas (com o seu chapéu de três pontas) e projetar looks que são tão doces quanto maduros.

Quem seguiu nesta mesma linha, mas de uma forma ligeiramente diferente, foi Nuno Baltazar que decidiu abraçar o experimentalismo sem nunca esquecer as suas raízes. Na coleção o designer decidiu, através das peças apresentadas, mostrar ao mundo (através do vestuário) com é que acontece todo o processo criativo e de construção. No entanto, nem sempre o resultado final foi tão positivo quanto o desejado, já que alguns dos coordenados (devido à profusão de tecidos) parecia um tanto ao quanto confusos. Ainda assim, podemos dizer que marca está (sem sombra de dúvida) num momento de viragem. Não só por ser o retorno do designer à ModaLisboa, mas também porque assinala um por de parte da sua estética sempre muito elegante e composta, para dizer que, por vezes, é bom quebrar as regras.

Valentim Quaresma foi o penúltimo do dia. Como sabemos, o designer começou a sua jornada pelo mundo dos acessórios (tendo já inclusivamente tendo feito peças para Lady Gaga) e isso reflete-se nas suas peças que, em alguns dos casos, acabam por cair num lugar onde nem sempre é claro se o objetivo seria fazer delas acessórios , roupa, ou se é apenas uma forma de mostrar ao mundo o que é capaz de fazer. Seja como for, uma coisa é facto: ele sabe brincar e conjugar com diferentes texturas e tornar algo que, à partida seria monotono (por ser preto dos pés à cabeça), em algo interessante.

Finalmente, Ricardo Preto, o último deste primeiro dia, focou-se no essencial. Com uma linha construída através de 70% de materiais sustentáveis, a primazia esteve no conforto das peças (que deixam a mulher ser o foco principal, passando as camisas, saias e vestidos para segundo plano) e na desconstrução dos básicos, com pequenos detalhes que nos são familiares de outras andanças.