Marques’Almeida: «Em Janeiro Vamos Lançar e Comercializar uma Linha de Criança»

A dupla de designers apresentou a sua coleção em Serralves. Por: Margarida Brito Paes Imagem: View Fashion Book.

Os jardins de Serralves transformaram-se, esta sexta-feira, 26 de outubro, numa passerelle para o desfile de Marques’Almeida. A dupla apresentou as propostas para o próximo verão, mas algumas peças da coleção já estão disponíveis para venda no site da marca. O desfile abriu com um look todo preto com referências góticas, que se mesclaram na restante coleção com volumes dos anos 60, o punk londrino, as cores ácidas e as misturas inusitadas da década de 90.

Depois do desfile, a ELLE falou com os designers sobre aquela que foi mais uma coleção absolutamente brilhante e sobre os novos projetos da marca. Sendo estes a linha de criança, de que já nos tinham falado em março, e que agora já tem data de lançamento. Mas também sobre as novas forma de comercialização da marca.

Marques Almeida

Como foi regressar a Londres para o desfile onde apresentaram, pela primeira vez, esta coleção?

Foi muito bom. Foi em West London, ainda por cima, foi exatamente onde começamos, a 5/10 minutos do atelier. Foi mesmo regressar a casa. Explorar coisas diferentes e apresentar em Paris, foi das coisas mais importantes que fizemos. No momento em que estamos no mesmo sítio não faz sentido, com a velocidade a que a informação circula. Não faz sentido ficar presa a moldes do passado. Mas voltar a um ambiente que nos é familiar foi muito reconfortante.

Essa passagem Paris influenciou a forma como desenharam esta coleção?

É possível. Nós somos muito instintivos e temos muito pouca noção do que realmente nos inspirou. Muita da nossa inspiração vem de tudo o que estas M’A Girls vestem e metem no Instagram. As coleções vão-se formando assim em bocados, é uma miscelânea de ideias. Sinceramente, não sabemos muito bem o que estamos a fazer. E depois esperamos que resulte no fim. Mas sim, talvez Paris tenha trazido algum classicismo, alguma seriedade. Uma coisa mais Maison, com uns elementos mais Couture.

Nesta coleção tinham referências aos anos 60, dos 90, do punk, do gótico. O que é mais difícil quando se trabalha com referências tão distintas?

O medo de nós, literalmente, só sabermos no final se as coisas vão resultar. Nós temos um processo tão instintivo, que vamos reagindo às referências que estamos a ver em cada momento. Nós começamos com uma fotografia de uma M’A Girl que parecia um daqueles retratos de Hollywood dos anos 60 ou 70. Uma coisa extremamente glam mas com um ar um bocado ácido e tóxico ao mesmo tempo. Começamos por aí. O mais difícil é mesmo essa confiança de que aquilo vai funcionar. O mais difícil é confiar em alguma coisa inerente que nós temos, que nos faz saber o que estamos a fazer.

Os tecidos desta coleção são muito mais ricos que os que costumam usar. Porque é que optaram por esse caminho, foi para trazer esse contraste entre a noite e o dia para a coleção?

Sim. Nós sempre dissemos que há looks que temos que são mais glam ou mais ricos, mas adoramos que as pessoas os usem para ir ao supermercado. Nós gostamos de tirar as coisas do contexto. A coleção tem os vestidos de tafetá que nós pusemos, na coleção, com as botas com sola grossa. Nós gostamos mesmo desse contraste. É esse tipo de coisas que nos interessa, tirar as coisas de contexto e desconstruir noções muito rígidas do que é rico, o que se deve fazer com os tecidos.

Uma das coisas de que falamos na edição passada foi da vossa linha de criança. Como está esse projeto? Já há data?

Sim. Em janeiro vamos lançar e comercializar uma linha de criança, pela primeira vez. Está a ser feita neste momento.

E vai ser de venda apenas online?

Estamos a falar com buyers neste momento e vamos começar a fazer feiras dedicadas ao mercado infantil, para termos uma rede de lojas. Também vamos ter a linha no nosso site, claro.

E será para que idades?

Dos dois aos dez anos.

E será uma versão mini da vossa coleção ou vão ter peças especiais?

Tem muitas coisas que são versão mini. Não desta coleção, mas da próxima estação, que está a ser feita ao mesmo tempo. Vai ser quase uma escala de tamanhos mais pequena da coleção que estamos a desenvolver para mulher.