Arcádia e Artistas Com Doença Mental Criam Juntos Comprimidos de Chocolate

Um projeto que pretende acabar com o estigma sobre a doença mental. Por: Margarida Brito Paes Imagens: D.R

Se todos comprimidos fossem de chocolate, não havia doença que durasse para sempre, nem comprimidos que nunca acabassem. Infelizmente os males do mundo não se podem curar todos com chocolate, mas a verdade é que um bom chocolate ajuda sempre.

Por isso, agora há mesmo chocolates rosa em forma de comprimido, e embalados em frascos que parecem os antigos de farmácia, para medicar o mundo. A culpa é do novo projeto da Arcádia que de mãos dadas ao Manicómio, projeto de capacitação de artistas com doença mental, quer curar o mundo do estigma em relação às pessoas com doença mental.

A prescrição para esta doença é simples: «A chocolate a day keeps the doctor away».  E em vez de ser escrita num bloco de receitas médicas foi  gravada em sacos de pano pela chocolateira, como parte deste projeto, que não se faz só de comprimidos de chocolate. Foi tudo pensado ao detalhe, e além da clara provocação da embalagem que parece um frasco de remédios, também o rótulo tem uma história. Tanto a caixa como o rótulo contêm elementos desenhados por três artistas do Manicómio. Do desenho inspirado no mar, feito por Braúlio, foram retiradas as andorinhas, da obra de Cláudia foram aproveitas as mulheres anjo que rodeavam a Nossa Senhora, e da obra de JOS* a astronauta e o menino.

Arcádia X Manicómio: um círculo de responsabilidade social

Estas três intervenções artísticas foram pagas aos seus autores, e são parte fundamental destes novos chocolates da Arcádia, cuja parte das vendas (10%) reverte para o Manicómio. Este é um produto que chega às lojas a 20 de fevereiro, e que irá permanecer à venda em todas as lojas da chocolateira. Tornando-se assim no primeiro produto de gama fixa feito em parceria com o Manicómio. Este é também o segundo projeto de responsabilidade social da marca.

«As empresas evoluem e a responsabilidade social é algo que aparece na última década pela Europa. Talvez eu, por ter vivido em Londres 8 anos, tenha tido mais contacto com essa realidade. As empresas onde trabalhei, tinham todas departamento de responsabilidade social e, por isso, é algo a que sempre dei valor. Como tal, decidi começar alguns projetos nesse sentido. Começamos o ano passado com a Casa do Caminho, agora com o Manicómio e certamente outros se seguiram nesse caminho» afirmou Francisco Bastos, administrador da Arcádia, à ELLE.pt.

Um projeto a três mãos

O Manicómio foi fundado em 2019 e «é um espaço criativo com pessoas que têm doença mental, dentro de um cowork que não tem nenhuma carga de hospital ou institucional», contou Sandro Resende à ELLE.pt. A ideia é que os trabalhos dos artistas sejam remunerados. Para isso desenvolvem projetos com diversas marcas, num trabalho de empoderamento das pessoas com doença mental, mas também de luta contra o estigma que existe sobre esta realidade.

Foi precisamente com vista a este dois objetivos que nasceu este projeto com a Arcádia, e com o apoio da Fidelidade.  «A ideia partiu do Sandro Resende, que é o fundador do Manicómio e que nos abordou sobre a possibilidade de criarmos um produto em parceria. Quando vim conhecer o projeto Manicómio, fiquei fascinado, não só com o projeto mas também com os artistas e a sua arte. E de imediato quis avançar com a parceria», conta Francisco Bastos.

A terceira mão deste trabalho chega com o apoio da Fidelidade que suporta parte dos custos de produção, permitindo assim que a parte dos lucros que reverte para o Manicómio seja mais significativa. «O princípio da inclusão social de artistas com doença mental através do seu trabalho não podia estar mais certo. Um projeto em que a dignidade do ser humano está na linha da frente. Esta é uma parceria a três mãos que nos enche de orgulho», conta Ana Fontoura, do Gabinete de Responsabilidade Social da Fidelidade, em comunicado.

arcádia manicómio

O Manicómio chegou para ficar na Arcádia

«Iniciámos esta parceria com estes produtos, mas acho que temos pano para mangas para no futuro desenvolver outros produtos e outras ideias. Pelo menos da minha parte há essa vontade. Este projeto tem também um cunho artístico, não é só uma projeto de responsabilidade social, é também um projeto artístico», garantiu à ELLE.pt, Francisco Bastos.

Mas enquanto não chegam mais novidades, prometemos tomar a nossa medicação diária em forma de chocolate. Cada frasco tem o valor de €7,50 e os sacos de €2.