Gwyneth Paltrow Faz Revelações Sobre O seu Papel em ‘The Politician’

A fundadora da Goop mostra-nos o que temos perdido na nova série da Netflix, The Politician. Por: Molly Langmuir -- Imagens: © Imagens: © Zoey Grossman.

Tudo começou quando Gwyneth Paltrow soube, através de Brad Falchuk – produtor, argumentista, realizador e, desde o ano passado, seu marido – que tinha servido de inspiração para uma personagem da série da Netflix em que estava a trabalhar. «Depois disse-me: ‘Escrevi este papel para ti. Podias interpretá-lo?’», conta-nos. A maior parte das atrizes não teria dito que sim. The Politician foi criada por Ryan Murphy, que colabora regularmente com Falchuk (criaram em conjunto as séries Glee e American Horror Story) e é uma comédia negra que aborda temas como classes sociais e privilégios, e gira em torno de pessoas imperfeitas e egoístas que mesmo assim dão o seu melhor para fazer o bem. A personagem principal da série é o jovem Payton (Ben Platt), que é motivado por uma ambição desmedida. A primeira temporada acompanha a campanha de Payton para se tornar presidente do liceu, a primeira etapa do seu projeto para, no futuro, se tornar Presidente dos Estados Unidos da América. O papel que ofereceram a Paltrow foi o de sua mãe. «Eu disse: ‘Não’», conta-nos. «’Sabes que não consigo fazer isto de maneira nenhuma’».

Gwyneth Paltrow ganhou um Óscar da Academia em 1999 pelo seu papel em A Paixão de Shakespeare e rapidamente se tornou uma das maiores estrelas de cinema a nível mundial. No entanto, começou a afastar-se de Hollywood em 2004, depois do nascimento dos seus filhos, a mais velha, Apple, e depois Moses, ambos com o vocalista dos Coldplay, Chris Martin, de quem se separou amigavelmente em 2014. Nos últimos anos, focou-se sobretudo na sua empresa de wellness, a Goop: um projeto que iniciou em 2008 como uma simples newsletter que Gwyneth enviava da sua cozinha e que hoje em dia é um enorme negócio. A empresa tem enfrentado alguma controvérsia. Um dos artigos, por exemplo, sugeria que colocar um ovo de jade na vagina trazia benefícios para a saúde, contradizendo afirmações de ginecologistas (a Goop agora faz tags em certos posts, como ‘Fascinante’ e ‘Inexplicável’, como defesa). Mesmo assim, a empresa continua a ter um enorme sucesso financeiro. Em 2018, valia 250 milhões de dólares, e Paltrow diz: «Isso é um número antigo.» E hoje em dia, vale mais ou menos? «Claro que vale mais», assegura. «Ainda bem. Graças a Deus».

Desde 2015, além de uma breve aparição num programa de televisão, Paltrow apenas surgiu no ecrã como Pepper Potts, a ajudante e o interesse romântico de Robert Downey Jr. em Iron Man, no vasto universo da Marvel. A dificuldade de Paltrow em se manter a par dos filmes da Marvel em que entra tornou-se uma piada repetida na internet, embora a atriz não pareça muito preocupada com isso. «Nunca leio essas coisas», explica. «Mas é confuso, porque há tantos filmes da Marvel e, para ser honesta, não vi a maior parte. Sei que é estúpido, e peço desculpa, mas eu sou uma mãe de 47 anos.»

O regresso à representação foi segundo as suas regras

Falchuk e Murphy, porém, foram persistentes em relação a The Politician. «Como um cão que não larga o osso», comenta Paltrow. A produção concordou em trabalhar de acordo com o seu horário e o facto de Falchuk ter cortado algumas das suas deixas também ajudou. «Ela mostrava-me uma tirada enorme do diálogo e dizia: ‘Tenho uma reunião com a administração daqui a dois dias. Por favor, não me faças isto’», conta Falchuck. (Platt descreve a relação entre Paltrow e Falchuk, que se conheceram no set de Glee em 2010, como a Cinderela e o Príncipe Encantado. Paltrow confirma que, de facto, Falchuk mandava nela. Quando menciono isto a Falchuk, diz-me: «Bem, esse é o meu trabalho. E acho que ela gostava.»). «Ela dizia-me: ‘Claro que fui persuadida a fazê-lo’», conta a amiga de Paltrow, Cameron Diaz. «É muito engraçado. Mas ela consegue fazer quatro milhões de coisas ao mesmo tempo.» (Durante as rodagens, Paltrow muitas vezes reunia-se com a equipa da Goop nos momentos mortos).

A atriz aparece pela primeira vez a meio do primeiro episódio, usando um cafetã verde-esmeralda e joias no valor de dez milhões de dólares, lançando conselhos que parecem ter sido tirados de um livro de autoajuda. Numa outra cena, depois de Payton ser hospitalizado, coloca cristais na sua cabeça e traz um curandeiro. A sua personagem pode parecer, noutras palavras, uma sátira da perceção pública de Paltrow. O facto de ela poder ser vista dessa forma diverte e frustra as pessoas próximas de si. «Quem achar que uma pessoa com tanto sucesso como a Gwyneth anda simplesmente a passear-se de cafetã o dia todo está simplesmente a ser insolente», diz a sua amiga Kate Hudson, que acrescenta: «Eu sou mais assim do que a Gwyneth – na verdade, eu ando sempre a pôr cristais em todo o lado.»

Falchuck insiste que não foi de todo a sua intenção passar essa impressão. «A maneira de ser [da minha personagem] como mãe é próxima à minha realidade», afirma Paltrow. «Ele também se inspirou noutros aspetos da minha vida.» Um dos pontos do enredo, por exemplo, envolve pais abastados que pagam para que os filhos entrem em universidades da Ivy League (estranhamente, foi escrito antes do escândalo sobre as entradas na universidade que explodiu no passado mês de março). «Conheço bem esse mundo», explica.

A nova ambição de Gwyneth Paltrow

The Politician é uma série sobre ambição – o que significa ser movido por ela e como pode distorcer-nos e transformar-nos. Paltrow diz que, como atriz, nunca se sentiu assim tão ambiciosa, embora mais por causa do sistema do que por motivos pessoais. «Nos anos 90, quando estava a ganhar fama, a ambição era um campo muito dominado pelos homens», diz. «Costumávamos ouvir: ‘Aquela atriz é tão ambiciosa!’ Como se fosse uma palavra feia e suja.» (Paltrow foi uma das primeiras e principais fontes no escândalo de Harvey Weinstein no New York Times). Mas agora, com a Goop, «a minha ambição soltou-se por completo», admite.

Hoje em dia, Paltrow está mais preocupada com o seu negócio do que com a representação, embora isso não transpareça no seu papel em The Politician. «A reação da maior parte das pessoas nas nossas vidas que viram a série é: ‘Como é que tu não fazes mais isto?’», diz Falchuk. «Ver a sua elegância calma e a forma como Gwyneth domina uma sala inteira relembra-nos de que ela tem uma presença extraordinária no ecrã», diz Platt. «Ela emana luz.»

 

Styling: Charles Varenne

Cabelo: Anh Co Tran/ The Wall Group.

Maquilhagem: Jullian Dempsey/SWA.

Manicure: Ashlie Johnson/The Wall Group.

Produção: Michelle Hynek/ Crawford & Co Productions.

 

 

O artigo foi originalmente publicado na edição de dezembro 2019 da revista ELLE.