Giambattista Valli : «Eu fiquei muito reconhecido quando a H&M me abordou»

Giambattista Valli X H&M é uma das coleções mais aguardadas do ano. Por: Margarida Brito Paes -- Imagens: © D. R.

Quem é fã de Giambattista Valli (como a ELLE) já tem marcado na agenda o dia 7 de novembro. Porquê?! É neste dia que vai para as lojas a colaboração do designer com a H&M. Uma coleção que tem tudo o que se pode esperar de Giambattista Valli, flores, pedras bordados, folhos, romantismo, sonhos, e muito mais. Muito mais porque é também nesta colaboração que Giambattista se aventura pela primeira vez, mesmo primeira de todas, na roupa masculina. O resultado é tão bom que ainda estamos na dúvida se não vamos também comprar umas peças de homem, para juntar ao nosso armário.

A ELLE.pt falou com Giambattista Valli para saber mais sobre esta colaboração, que é uma das mais entusiasmantes de 2019.

 

Qual foi a inspiração para esta coleção com a H&M?

O objetivo da minha colaboração com a H&M é partilhar o meu amor pela beleza e ser capaz de fazer parte dos ‘momentos felizes’ de todos, para ajudar a criar histórias de amor em todo o mundo. Por isso criei o ‘abecedario’ do estilo Giambattista Valli, uma seleção de peças intemporais que devem ser misturada e combinadas de acordo com o estilo pessoal de cada um e valorizadas por muito tempo. Esta coleção é mais sobre estilo que sobre moda.

Giambattista Valli é sinónimo de volume, cor, contos de fadas, como é que se adapta isto a uma marca de massas como a H&M?

Escolhi diferentes elementos da assinatura Giambattista Valli para homens e mulheres, como as silhuetas, tule plissado, pedrarias e flores bordadas, reinterpretados para o consumidor H&M. A coleção transmite o espírito da Giambattista Valli mas foi produzida com técnicas que conseguem responder às necessidades de um público tão vasto- para mulher e o lançamento da minha primeira coleção masculina, inspirada por uma cultura jovem e eclética mas infundida com o DNA Valli.

O que é que os fãs da marca podem esperar desta coleção?

A nossa esperança é conseguir fazer o maior número de pessoas felizes, em êxtase por vestirem estas roupas e por partilharem momentos fabulosos com os amigos. Eu fiquei muito reconhecido quando a H&M me abordou. Não penso que a H&M ande a bater às portas de todos os designers, mas bateram à minha e este é um momento muito emocionante para a marca. Transmitir este sonho numa escala tão grande era algo definitivamente inesperado e bonito ao mesmo tempo, é o que acho que é mais surpreendente e feliz nesta colaboração- compartilhar a extravagancia pela qual a Maison é conhecida com um grupo maior de amigos.

Acha que este tipo de colaborações entre marcas de grande consumo e moda de autor, é importante para a moda se manter ligada a este mundo onde o poder de compra é tão desigual?

Independentemente de ser alta costura ou H&M, crio apenas 50% do trabalho, a outra metade depende do cliente usar minhas roupas, que precisam de ser preenchidas por suas personalidades, o seu intelecto individual e uma interpretação independente de estilo. E com esta colaboração, em vez de trabalhar em revoluções, uma noção que acho frequentemente agressiva, gostaria de criar histórias de amor, uma harmonia entre conceitos diferentes e contrastantes, uma ode à beleza, ao estilo sem esforço e à elegância intemporal.

O que significam a moda e o luxo para si?

A moda é algo temporário, algo passageiro. Eu não estou interessado em criar tendências, estação após estação, prefiro criar algo que seja de uma beleza intemporal, independentemente de tendências e moda – algo com um significado mais profundo e uma vida mais longa. Não há peças descartáveis na coleção, mas sim peças que os clientes desejarão guardar nos seus armários por muito tempo.